Associação Dinamizadora dos Interesses de Basto
Edição de 29-09-2014

Arquivo: Edição de 21-03-2011

SECÇÃO: Opinião

À VELHINHA CONCEIÇÃO

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Uma vez certa velhinha
Que teve vida cruel,
Até o pão que comia
Ás vezes sabia a fel

De seu nome Conceição
Nunca se queixou de nada,
Foi penosa a sua vida
Por muitos escravizada

Pelo muito que sofreu
E de tanto trabalhar,
Quando chegou a velhice
Acabou a mendigar

Trabalhava sol a sol
Sem sentir humilhação,
Por uma malga de caldo
E uma côdea de pão

Roupagem negra coçada
Ás costas uma sacola,
Calcorreava caminhos
Aos pobres pedia esmola

Suas mãos encarquilhadas
Apoiadas num bordão,
Coração da cor da roupa
Lá ia estendendo a mão

A minha mãe que Deus tem
E a compaixão que sentia,
Tinha sempre qualquer coisa
Que a velhinha comia

Para quem veio ao mundo
Por ser gente sem ser gente,
Era assim o fim da vida
Assim era antigamente

Quando dobraram os sinos
E a velhinha finou,
Na campa fria uma rosa
Que alguém lá colocou

Por: Alexandre Teixeira

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