Associação Dinamizadora dos Interesses de Basto
Edição de 29-09-2014

Arquivo: Edição de 07-02-2011

SECÇÃO: Opinião

Portugal 25 anos na União Europeia

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No dia 1 de Janeiro de 1986, Portugal e a Espanha juntaram-se ao grupo, então de dez países, que constituíam as Comunidades Europeias.
Desde então muita coisa mudou.
A europa dos doze, passou a europa dos quinze (1995), europa dos 25 (2004) e finalmente em 2007 a europa dos vinte e sete, perspectivando-se novos alargamentos a curto prazo.
O Euro entrou em circulação, as regras do comércio mundial alteraram-se no sentido de menor proteccionismo, as tecnologias da informação e comunicação avançaram a um ritmo cada vez mais rápido assim como o processo de globalização, tudo contributos para que as mudanças ainda tenham sido mais acentuadas.
Para Portugal, ainda há poucos anos proclamado de “orgulhosamente só” pela ditadura derrubada no 25 Abril de 1974 , tudo foi mais difícil e as transformações mais acentuadas, uma vez que em muitos aspectos, era um país quase medieval quando em 1974 foi instaurado o regime democrático que nos permitiu a entrada na então CEE.
É também bom recordar que depois da revolução de 25 de Abril de 1974 e antes da nossa entrada na CEE o país ainda viveu um conturbado processo revolucionário e um doloroso processo de descolonização com o regresso de mais de um milhão de retornados.
Para os menos jovens como eu, são fáceis de recordar vivências ainda bem presentes na memória.
Por exemplo, para atravessar a fronteira para Espanha era necessário mostrar o bilhete de identidade, o que por vezes só acontecia depois de termos perdido algum tempo em filas sob o olhar atento e desconfiado da Guarda Civil. Nessas viagens viviam-se por vezes, nos controlos fronteiriços e não só, situações de verdadeira discriminação com os portugueses a serem tratados como europeus de segunda classe.
Depois, já no lado de lá da fronteira sentíamos que estávamos noutro mundo.
Melhores estradas, aldeias bem cuidadas, mais oferta nos mercados e uma qualidade de vida infinitamente superior a todos os níveis. Esta sensação ainda era mais forte se por acaso a viagem prossegui para além dos Pirinéus.
Por outro lado, embora muito apreciados por serem considerados trabalhadores e honestos, aos portugueses estavam reservados os empregos mais duros e menos qualificados. Portugueses a ocupar lugares de maior responsabilidade eram motivo de notícia nos jornais pela sua raridade.
É também altura de recordar que os tradicionais chocolates (ou sucedâneos) com que presenteávamos familiares e amigos eram adquiridos com pesetas por vezes arranjadas à socapa numa loja próxima da fronteira que nos evitava uma sempre inoportuna e cara deslocação ao cambista ou ao banco.
No regresso e depois de nos habituarmos às boas estradas europeias tudo se tornava mais penoso com o regresso às voltas e contravoltas das estradas que seguiam o traçado das antigas diligências puxadas por cavalos e ao nosso atraso.
Em 25 anos felizmente tudo mudou.
Hoje praticamente não se nota a travessia da fronteira, não só devido à inexistência dos controlos (Portugal pertence ao espaço Schengen) e do euro, mas também porque as nossas vias de comunicação, as aldeias, vilas e cidades nada ficam a dever ao resto da europa.
Podemos até acrescentar, com alguma vaidade, que em muitos aspectos a comparação é positiva para nós pela genuinidade da nossa cultura, gastronomia e paisagem.
Portugal deixou de ser referenciado por ser um país atrasado e encontramos portugueses a ocuparem lugares de destaque nas mais diversas áreas do conhecimento e actividade um pouco por toda a parte.
Naturalmente nem tudo está bem -a começar pela actual situação de crise -e temos de continuar a lutar por um país melhor, mais solidário e sobretudo mais produtivo e competitivo.
No entanto apesar das dificuldades que vivemos e que esperamos sejam passageiras, não nos podemos esquecer das melhorias evidentes em áreas tão importantes como a saúde, habitação, abastecimento de agua ao domicilio, tratamento dos resíduos, qualidade ambiental, segurança alimentar, rede de vias rodoviárias. Noutras áreas ainda temos um longo caminho a percorrer como o transporte ferroviário, a rede de saneamento básico e sobretudo no desenvolvimento das competências individuais e na melhoria da gestão das entidades públicas e privadas.
No entanto não é objectivo deste artigo uma analise aprofundada dos indicadores nas mais diversas áreas que naturalmente deixamos para os especialistas. Esse trabalho está a ser feito e estão a surgir no mercado inúmeras publicações que abordam os 25 anos da adesão e que podem constituir fonte importante de informação para uma melhor compreensão deste período.
Neste mês de Janeiro podemos aqui referir duas publicações do maior interesse.
A publicação “25 anos de integração Europeia “ da responsabilidade do Gabinete do Parlamento Europeu em Portugal apresentada no passado dia 15 na Casa das Artes em Arcos de Valdevez e o livro em banda desenhada Portugal 25 Anos Depois do Centro de Informação Europeia Jacques Delors destinado aos mais jovens e não só.
Trata-se de dois importantes contributos para a compreensão desta fase importante da história do nosso país.
As Representações da Comissão Europeia em Portugal e em Espanha, em parceira com os respectivos Ministérios dos Negócios Estrangeiros, vão organizar ao longo do 1º semestre um programa de debate sobre os 25 anos de integração Europeia de Portugal de que daremos nota em breve.

Abraão Veloso

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