Associação Dinamizadora dos Interesses de Basto
Edição de 29-09-2014

Arquivo: Edição de 07-02-2011

SECÇÃO: Opinião

O CAMINHO DE FERRO E O ARCO DE BAÚLHE (II)

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No texto anterior, fizemos referencia em traços gerais aquilo que é um caminho de ferro.
A sua construção surge tão somente como qualquer estrada. Começa com rompimentos, movimento de terras quer no corte de trincheiras ou formação de aterros devidamente compactos, obras de arte, pontes aquedutos viadutos, passagens de nível superiores e inferiores, terraplanagens, nivelamento e finalmente a piquetagem que antecede o assentamento final da via férrea…
Vamos agora falar de forma abreviada sobre comboios. Obviamente que me reporto aos comboios de idade mais recuada, ou seja os do meu tempo e também daqueles que transitavam na linha do vale do Tâmega entre Livração e Arco de Baúlhe.
A designação comboio refere-se a um conjunto de carruagens destinadas ao transporte de passageiros ou então a um conjunto de vagões de vários tipos e que se destinam ao transporte de mercadorias. Neste caso essas composições são rebocadas por máquinas a vapor e só mais tarde apareceram as pequenas automotoras. Dado que estamos a falar na era do vapor, as maquinas ou locomotivas normalmente de marca garrat ou Santa Fé são monstros de ferro chegando a pesar 200 ton. Então a Garrat 700 era uma máquina lindíssima que deslumbrava os nossos olhos. Essas máquinas que eram por assim dizer o coração do comboio dividiam-se em três partes distintas, a saber; caldeira, deposito do carvão primitivamente lenha e deposito de água. Eram tripuladas por três homens, maquinista, fogueiro e chegador e na cauda do comboio um condutor ou bagageiro.
As máquinas abasteciam-se de água em estações onde havia gruas ou tomas de água. Em Arco de Baúlhe ainda hoje podemos ver uma dessas gruas embora das mais pequenas.
As carruagens com mais ou menos conforto como já foi dito destinavam-se ao transporte de passageiros … O sistema de travagem noutros tempos era feito por guarda freios e esses freios passaram a ser accionados por um sistema de vácuo muito seguro e controlado pelo maquinista.
Como sabemos as estações destinavam-se ‘venda de bilhetes, despacho e recepção de mercadorias, dar entrada e saída aos comboios e prestar informações aos utentes.
Normalmente tinham um chefe e três factores. O factor de serviço transmitia via telegrafo para a estação seguinte uma ordem avanço, a mesma ordem era manuscrita em letra maiúscula em triplicado se de estação para estação a cor era verde, quando havia cruzamento com outra composição num apeadeiro intermédio a cor era laranja. Era dada uma cópia ao maquinista, uma ao condutor o original para a estação e só então era dada a partida, mas confirmada pelo condutor.
Nas últimas décadas, conforme vimos na exposição que esteve patente ao público em Arco de Baúlhe os cominhos de ferro evoluíram de forma até chegarmos ao actual TGV.
Contudo a seguir à era do vapor veio a era do diesel e só depois se deu a chegada dos comboios eléctricos de grande luxo e superior rápidos. Mas, os comboios do nosso tempo, muitos deles já extintos marcaram algumas gerações, muito principalmente nas zonas do interior, pois era através desse meio de transporte que as populações se deslocavam e não só por isso, mas também porque o comboio trazia vida ás suas terras quer no recebimento de mercadorias ou escoamentos dos produtos regionais.
O cinema trouxe até nós muitas histórias maravilhosas sobre comboios e caminhos de ferro e eu que fui um apaixonado pelos comboios e Kawboyadas bem me recordo de algumas dessas historias, ligadas à construção da extensa linha férrea até ao far west povoada por multidões que acorreram a essas zonas enlouquecidos pela febre do ouro.
Foi daí que surgiu a figura do lendário Búfalo Bill senhor de grande pontaria e que tinha a função de caçar bisontes para alimentar uma legião de homens que construíam a referida via férrea. Foi depois bonito de se ver os destemidos kaw boys fazer apostas em cavalgadas loucas contra os comboios.
Não queremos terminar sem voltar ao Arco de Baúlhe. Cremos sem certeza que o seu primeiro chefe foi o sr. Castro que foi depois para Moçambique de quem fui colega na qualidade de ferroviário, e que terminou a sua carreira como Chefe Principal na moderna estação ferroviária da cidade da Beira.
Não podemos do mesmo modo esquecer a figura simpática e bem disposta do sr. Pinto da estação que tinha sempre uma anedota novinha em folha para nos contar.

Por: Alexandre Teixeira

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