Associação Dinamizadora dos Interesses de Basto
Edição de 29-09-2014

Arquivo: Edição de 17-01-2011

SECÇÃO: Opinião

À memória de um dos maiores vultos da televisão mundial “Carlos Pinto Coelho, Deixou-nos…”

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O Dr. Carlos Nuno Abreu Pinto Coelho, deixou-nos num mar de enorme saudade.
Apesar de ter nascido em Lisboa, era um grande Mondinense, que nunca esquecia a terra de seus pais e avós, na velhinha Casa do Balcão em Mondim de Basto, onde passava as suas férias na sua infância.
Viveu a sua juventude na antiga Lourenço Marques, ( hoje cidade de Maputo ), onde o seu pai era Juiz de Direito.Mas foi em Portugal que desenvolveu toda a sua actividade profissional, no jornalismo, na televisão e na rádio.
Trabalhou no Diário de Notícias e foi o fundador do “Jornal Novo” em 1975, dirigido por Artur Portela Filho.
Foi ainda redactor da Agência de Notícias (ANI), correspondente em Portugal da Rádio Deutsche Welle e redactor da revista Vida Mundial, dirigida por Natália Correia.
Na Radiotelevisão Portuguesa, foi director adjunto de informação –canal/2, realizador e apresentador de programas na TSF, Rádio Comercial, RDP-Antena – 1, Rádio Macau e no programa, “Agora Acontece”, emitido actualmente em 89 estações de rádio locais.
Foi ainda Professor de Jornalismo na E.T.I.C. de Lisboa; Professor de Jornalismo no Instituto Politécnico de Tomar e na Escola Superior de Tecnologia de Abrantes. Foi também membro do Conselho de Opinião da RDP, da Direcção da Sociedade de Autores e da Comissão Nacional dos Descobrimentos.
Internacionalmente, era Membro do Conselho de Administração do consórcio europeu de televisões, Europa TV ( Hilversum, Holanda.
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Coordenador dos Encontros de Televisões de Língua Portuguesa: Lisboa – S.Paulo/Rio de Janeiro – Sal (Cabo Verde).
Presidente eleito do Comité Est – Ouest da Université Radiophonique et Televisuelle International (URTI – Paris ).
Representante do Ministério da Cultura de Portugal na “Reunião de Televisões Ibéricas” – México.
Foi Comendador da Ordem do Infante e recebeu os prémios “Bordalo” de televisão na Casa da Imprensa, etc.
Em 20 de Março de 2007, foi nomeado, “O Português Mais Importante da História da Televisão” em Portugal, por votação dos ouvintes do Rádio Clube Português.
O seu programa “ACONTECE”, estou certo, que irá ficar gravado na memória de todos os portugueses, pela grande qualidade do seu conteúdo e principalmente pela beleza das suas palavras.
Ele, era meu grande amigo…e tinha-se disponibilizado para escrever o “prefácio” do meu novo livro, “AS ORIGENS E A LINHAGEM DA FAMÍLIA PINTO COELHO”, que já tenho praticamente terminado, e que ele acompanhava de perto com grande entusiasmo. Na passada semana, (dois dias antes da sua morte ), perguntou-me como estava o livro, que gostava de ver e analisar antes de ele ser editado. Infelizmente, nem o leu, nem acabou o prefácio que me tinha prometido. A sua filha, “Dr.ª Bárbara Pinto Coelho”, já se disponibilizou para o escrever em memória de seu Pai. Fiquei muito sensibilizado e eternamente grato.
Gostaria de recordar aqui, uma carta que escreveu aos Mondinenses em 2007, por não poder estar presente no evento realizado pela Junta de Freguesia de Mondim de Basto, - “Contar, Cantar e Pintar Mondim”:

“Mondinenses, apenas uma breve mensagem, na impossibilidade de estar convosco, neste dia que estou certo, vai ficar na memória desta terra.
Não nasci aqui, mas Mondim de Basto acompanha-me desde o berço, através da figura tutelar de meu Pai, José Augusto, homem bom e de valores, fiel às causas em que acreditava, para quem as leis e a Justiça dos homens tinham de estar sempre ao serviço da Justiça divina. Era um homem honesto, são e tolerante, o meu Pai José Augusto.
Meses depois do meu nascimento, em Lisboa, meus pais vieram mostrar-me aos meus avós e tios, na Casa do Balcão, que ainda hoje lá está, bem no centro da vila, diante da Misericórdia. E ainda existe uma velha fotografia, comigo e toda a família reunida nas escadarias de pedra junto ao portão de ferro. Ali está o meu avô Carlos Zeferino, o médico enérgico que ia pelos montes, a cavalo, visitar os seus doentes e dava consultas grátis aos pobres, no seu consultório nas caves da Casa do Balcão, junto à entrada principal.
Voltei a Mondim, quando já era adolescente. Aqui vivi um ano inteiro. E é desse tempo que guardo um tesouro de memórias de uma terra ordeira e pacata, de gente nem sempre feliz mas sempre honesta, gente humilde como o nosso caseiro senhor Avelino e famílias senhoriais que recebiam os pobres aos sábados de manhã, para lhes dar uma malga de caldo verde e broa acabada de cozer.
Era a “Mondim” das sessões de cinema ambulante na sala dos Bombeiros Voluntários, das carreiras da Auto-Mondinense que traziam do Porto os jornais de
meu Pai e o meu “Cavaleiro Andante”, e da pisa das uvas no grande lagar que havia nos baixos da Casa do Balcão.
Não quero prolongar esta mensagem, que já vai longa demais.
Fique apenas uma última palavra, do meu grande orgulho pelo Pai que tive, e que tanto amou a sua terra de berço, Mondim de Basto”.
a) Carlos Pinto Coelho

Foi este homem, este grande filho dos Pinto Coelho da Casa do Balcão de Mondim de Basto, que nos deixou.
Paz à sua alma; resta-nos a saudade e a memória de um homem com “H” enorme…

Teixeira da Silva

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