Associação Dinamizadora dos Interesses de Basto
Edição de 29-09-2014

Arquivo: Edição de 17-01-2011

SECÇÃO: Opinião

A alimentação do diabético

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A diabetes (Diabetes Mellitus) é uma doença crónica que se caracteriza pelo aumento dos níveis de açúcar (glicose) no sangue e pela incapacidade do organismo em transformar/utilizar toda a glicose proveniente dos alimentos. À quantidade de glicose no sangue chama-se glicemia e quando esta aumenta diz-se que o doente está com hiperglicemia.
O doente portador de diabetes não necessita de fazer uma “dieta” especial mas sim, deve ser educado no sentido de adoptar hábitos alimentares saudáveis, em tudo semelhantes aos das pessoas não diabéticas e que pretendam manter um bom estado de saúde.
A alimentação é uma das bases fundamentais do tratamento da diabetes.
A alimentação do diabético não deve ser diferente nem em quantidade nem em qualidade das que são desejáveis para um indivíduo não diabético do mesmo sexo, idade, peso e actividade física semelhantes. As diferenças centram-se na regularidade da ingestão de hidratos de carbono diária e a sua distribuição ao longo do dia, o que ajuda a evitar as subidas e descidas rápidas de açúcar no sangue (hiper e hipoglicemia, respectivamente).
Embora a prescrição da alimentação deva ser individualizada para cada doente – cada caso é um caso! – seguem-se algumas orientações no sentido de se adquirirem hábitos alimentares saudáveis.
Hidratos de carbono: os reis da alimentação!
Provavelmente já ouviu dizer que as pessoas com diabetes deveriam reduzir o consumo de alimentos ricos em hidratos de carbono (HC), mas de facto não é bem assim…
A alimentação de qualquer diabético, deve basear-se no consumo predominante destes alimentos, contribuindo com cerca de 55-60% das calorias diárias totais necessárias.
Os HC que devem ser ingeridos em maior quantidade são os de absorção lenta – os chamados amidos – uma vez que são os que provocam menores variações da glicemia.
Dentro dos alimentos ricos em amidos, existem ainda uns que são preferíveis a outros. É o caso das massas alimentícias, do feijão, do grão, das ervilhas, das favas, das lentilhas e do pão de mistura ou rico em fibras, que têm uma absorção ainda mais lenta que o arroz, as batatas e o pão branco. Estes últimos devem por isso ser consumidos com maior moderação.
Existem outros tipos de HC que têm uma velocidade de absorção intermédia: são fornecidos pela fruta – frutose – e pelo leite e iogurtes – lactose.
Finalmente, os HC que têm uma absorção mais rápida, como o açúcar comum – sacarose – e a glicose, devem ser consumidos apenas em dias festivos e em quantidade muito moderada e sempre no final da refeição. Encontram-se essencialmente nos doces, bolos, refrigerantes, mel, compotas, etc.
Gorduras: cuidado com o excesso!
O risco de doença cardiovascular é cerca de 2 a 4 vezes superior nos diabéticos do que na população em geral. Assim, no diabético deve ser dada particular atenção à restrição de gorduras, em especial as saturadas. Assim, as gorduras não devem contribuir com mais de 25-30% das calorias totais diárias.
O tipo de gordura mais prejudicial, a saturada, encontra-se principalmente em produtos de origem animal como a carne vermelha, enchidos, charcutaria, manteiga, natas, queijos e leite gordos, etc.
Para cozinhar e temperar, deve educar-se o diabético para que utilize azeite mas sempre com moderação.
A carne deve ser consumida algumas vezes por semana, dando-se preferência às carnes mais magras como o frango, o peru, a avestruz, o coelho e alguma carne de porco e vaca, magras, rejeitando todas as gorduras visíveis.
O consumo de peixe deve ser incentivado, em especial os mais gordos (ou os chamados peixes azuis): sardinha, cavala, enguia, carapau, sarda, salmão, etc. Estes peixes são ricos em gorduras de excelente qualidade (ómega 3), com papel importante na prevenção das doenças cardiovasculares.
Os frutos oleaginosos (nozes, avelãs, amêndoas, pinhões), apesar de serem muito calóricos, podem ser consumidos em pequena quantidade (cerca de 1 chávena de café), uma vez por semana, pois contêm gordura de excelente qualidade, vitamina E, fibras e importantes sais minerais.
Proteínas: sempre na conta certa!
Devem ser consumidas em quantidade de 12-15% da energia diária. Consumidas em excesso sobrecarregam o organismo, em especial os rins.
As principais fontes de proteínas são a carne, o peixe, os ovos, o leite e derivados e as leguminosas.
Vitaminas, minerais e fibras: os protectores!
O consumo abundante de vegetais, hortaliças, fruta fresca e leguminosas, deve ser incentivado no diabético devido à sua riqueza em fibras, vitaminas e minerais.
Os diabéticos necessitam de um consumo superior de vitaminas anti-oxidantes, indispensáveis na prevenção e tratamento das complicações da doença.
Relativamente à fruta, vegetais e hortaliças, quanto mais coloridos forem, maior é a sua riqueza em vitaminas anti-oxidantes (vitamina C e beta-caroteno).
As fibras são importantes por prevenirem e corrigirem as alterações dos níveis de colesterol no sangue e contribuírem também para tornar mais lenta a absorção dos hidratos de carbono, evitando a hiperglicemia.
A fruta é vista com desconfiança quando se trata do diabético, o que só se justifica em certos casos (figos, dióspiros, uvas, bananas). No entanto, o diabético poderá ingeri-los desde que moderadamente e sempre no final de uma refeição.Duas a três peças de fruta por dia são o ideal.
Os adoçantes: sim ou não?
Os adoçantes ou edulcorantes podem dividir-se em 2 grupos, de acordo com o seu nível calórico. Dado que mesmo os calóricos (sorbitol, aspartame) são muito doces, as pequenas quantidades em que se utilizam compensam a não utilização do açúcar de adição.
Álcool: o que fazer?
O efeito do álcool nos níveis de glicemia depende da quantidade ingerida mas também se a sua ingestão é feita com alimentos ou não.
O álcool, consumido com moderação (apenas um copo!) e às refeições é tolerável no diabético desde que este tenha a sua glicemia bem controlada.
Para além destas orientações, deve educar-se o diabético para que aumente a sua actividade física, sem que para isso tenha de recorrer ao ginásio: basta que caminhe diariamente cerca de 1 hora…
A água deve ser ingerida em quantidade suficiente para uma diurese de cerca de 20-30ml/kg/dia.

Por: Susana Ferreira

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