Associação Dinamizadora dos Interesses de Basto
Edição de 29-09-2014

Arquivo: Edição de 13-09-2010

SECÇÃO: Informação

De 20 a 30 de Setembro
Cabeceiras de Basto acolhe Feira/Festa de S. Miguel

O concelho de Cabeceiras de Basto prepara-se uma vez mais para receber as tradicionais e afamadas Festas/Feira de S. Miguel de Refojos. Uma romaria antiga, muito popular que anualmente atrai milhares de forasteiros que aqui se deslocam seja para comercializar os seus produtos, seja para participar no programa festivo.
Recorde-se que a feira de S. Miguel, é um acontecimento que data da Idade Média, mas foi D. Dinis que lhe atribuiu importância, tornando-a numa das mais famosas de Portugal.

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Começou por ser uma feira franca e foi sempre muito concorrida por forasteiros que a animavam desde o alvorecer do dia 20 até ao dia 30 de Setembro.
O comércio desenvolveu-se extraordinariamente. Aqui se vendiam as mantas de barroso, o gado bovino e cavalar, mas ao longo dos séculos, transformou-se também num parque de diversões.
O dia 28 é o dia do grande arraial minhoto que se prolonga pela noite dentro, dando lugar às festas da vila no dia 29, dia do padroeiro, Arcanjo São Miguel, notando-se a vistosa e rica procissão, uma das mais afamadas do Minho.
No século XIX, muitos forasteiros de diversos concelhos limítrofes vinham armar as suas barracas de comércio. Tal a sua importância, que Camilo Castelo Branco a imortalizou em várias páginas dos seus romances, com numerosas referências. É o caso dos romances «Mistérios de Fafe», «Eusébio Macário», o conto «Como ela o amava» e ainda as célebres «Novelas do Minho».
Para a maioria dos cabeceirenses, a feira e as festas tiveram sempre um significado especial. A feira representava o diferente, tudo aquilo que permitia esquecer por uma hora ou por alguns dias, a rotina do quotidiano: Trazia utensílios requintados que não se vendiam no comércio local, como cutelarias ou instrumentos musicais ou roupa e calçado de melhor qualidade; as barracas dos jogos e os divertimentos.
Faziam-se brincadeiras dignas de serem comentadas todo o ano. Montavam-se barracas de comidas e bebidas onde se podiam comer géneros frescos e a doçaria mais requintada. A feira, tal como a romaria, permitia à mulher a evasão que nas aldeias só lhe era proporcionada pelo ritual religioso, enquanto que os homens tinham oportunidade de tomarem contacto com o mundo exterior através dos mercados mensais. Em Cabeceiras de Basto, este era o único momento e local onde as mulheres exerciam uma função social e eram respeitadas por todos.
Para o imaginário infantil, a feira, eram os bonecos, os carrinhos, as gaitas, os peões, era, sobretudo a atenção dos adultos.
No mundo rural, todas as distracções andavam ligadas ao convívio entre os dois sexos. As feiras e as romarias eram normalmente assinaladas por bailes, cantares e desgarradas. O espírito da festa parece continuar vivo, para a maioria dos habitantes, enredado na diversidade da região e modulado no decurso dos anos que passam.
Em Cabeceiras de Basto, em torno da feira agregaram-se as “festas do concelho” e hoje, esta terra de características minhotas e frequentes costumes transmontanos, continua a ser durante dez dias, palco de um dos maiores pontos de encontro desta vasta região.
Em época de colheitas agrícolas, esta feira secular que também é festa, traz ao de cima aquilo que de melhor se produz nesta região, as suas tradições, com destaque para as corridas de cavalos, os concursos pecuários e as chegas de bois, a que se associam as novidades próprias da época que vivemos.
Além do comércio, um programa festivo diversificado atrai público de todas as idades que durante a festa percorrem as principais e engalanadas ruas da vila. 
A Feira e a Festa de S. Miguel de Refojos, constituem um dos cartazes de maior atracção de público das terras do norte do país.
Dada a sua importância, o Ecos de Basto, dá à estampa o progama previsto para 2010, que alia tradição e modernidade e é direccionado para os diferentes tipos de público.

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