Associação Dinamizadora dos Interesses de Basto
Edição de 29-09-2014

Arquivo: Edição de 02-08-2010

SECÇÃO: Opinião

FAZ 100 ANOS POR ESTES DIAS QUE…

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CRÓNICA + OU – HISTÓRICA DO CONCELHO DE CABECEIRAS DE BASTO NA DÉCADA DE 1910-1919

ONDA DE ESPERANÇA (II)
A notícia da suspensão da execução das portarias de 11 e 17 de Maio respeitantes à Escola Agrícola de Gondarém, logo seguida da notícia da suspensão da sindicância à Câmara, medidas estas determinadas pelo Supremo Tribunal Administrativo, caíram como uma bomba. Era um sinal muito forte da influência do novo governador civil, Dr. Francisco Botelho, da Casa de Mourigo, nas esferas do poder. Outros sinais logo apareceram: o governo concedia o subsídio de 2.000,000 reis para a construção da estrada de Cabeceiras para Salto, aprazando-se para o dia 17 de Agosto a arrematação da empreitada de terraplanagem e muros a executar entre a Ponte de Pé e o Reguengo do Monte. Ao mesmo tempo a estrada que vinha de Celorico para o Arco, passando por Fermil, e que estava emperrada em Vila Nune, recebeu o subsídio de 1.500,000 reis. Anunciava-se a conclusão da instalação do telégrafo entre a Vila e Rossas, louvando-se o acto dos proprietários dos pinhais que bordejavam a linha que tinham oferecido os 210 postes necessários.
Os progressistas locais andavam murchos e desanimados, e o “Povo” aproveitava para afirmar que “verdadeiramente monárquicos são apenas os progressistas, franquistas, henriquistas e nacionalistas”, a que o Jornal de Cabeceiras respondia: “Progressistas, henriquistas, franquistas e nacionalistas, de mãos dadas, procuram atingir o nome honrado e venerado do nosso eminente patrício” (Dr. Francisco Botelho). A propósito anunciava “que foram a sepultar as ilusões progressistas que tiveram um funeral de 1ª classe, com descargas, música e morteiros”. Seguia-se naturalmente uma

“VISITA DE CONDOLÊNCIAS”

“No próximo nº publicaremos a descripção pormenorizada de uma visita de condolências que a comissão executante do partido progressista local foi fazer ao ilustre solar das Cortinhas de Cavez, em virtude de se ter apurado que o fidalgo do dito solar (o Dr. António Vasconcellos, redactor do Povo) enganou e atraiçoou os comissionados com affirmações mentirosas e intriguistas publicadas em diversos números do “Povo de Cabeceiras”.
Essa comissão era composta dos nomes menos em evidência do partido progressista local entre os quais se contavam os srns. Gonçalves das Burras, ex-feme-ro regedor de Refojos; o Moura da Caixa Grande, que é o actual dono do cóio onde se alojavam os carabineiros, na passada situação; o Lino Ma-Madeiros e o Alberto Cambada, que se declararam eternamente ludibriados e comidos, e que destaparam enraivecidos a torneira dos seus desagrados e despeitos”.

(continua)

INSTITUTO DE GONDARÉM

A Câmara Municipal demitiu do seu cargo no Instituto Gomes da Cunha, de Gondarém, a professora D. Maria Joaquina da Costa Brito Rocha, acusada de graves irregularidades. Para preenchimento daquele lugar vago, a Câmara nomeou D. Maria Alves Pereira Nunes, que estava completando o seu curso de habilitando para o Magistério Primário. A nova professora é filha de Zacarias Alves Pereira, de Boadela-Pedraça.
A professora demitida era a dona do “pequenino Totó, de pêllo macio e curto e olhar inteligente”, cujo desaparecimento foi atribuído, infundadamente, ao farmacêutico Francisco Maia e que obrigou à intervenção do senhor administrador do concelho.
“O Povo de Cabeceiras” discorreu acrimoniosamente sobre a decisão da Câmara, a quem acusou de prepotência, a que “O Jornal de Cabeceiras” respondeu com a publicação na íntegra da resolução camarária, que apontava “faltas de suma gravidade”

ABADIM EM FESTA

Realizou-se a festa a S. Jorge que decorreu com muita animação e que se realizou a expensas do Sr. Joaquim Gonçalves Costa, opulento comerciante em Lisboa, natural de Abadim. O sermão da festa foi proclamado pelo Pe Firmino.

FALECIMENTOS

Tinha falecido, com a idade de 28 anos, Emygdio Pereira Leite, 1º Sargento do Ultramar, filho do Sr. Bernardino Pereira Leite Bastos, secretário da Câmara. O funeral do inditoso moço fora um dos mais concorridos de sempre na vila.

Na Praça falecera D. Maria Ignácia Pereira Leite, proprietária do Grande Hotel Cabeceirense, após gravíssima enfermidade. Era casada com José Bernardo de Moura. O comércio manteve meias-portas cerradas.

Na Casa da Torre de Pedraça faleceu D. Claudina Rosa Leite, mãe de Leonardo Gonçalves Costa, vereador da Câmara. Era avó do professor José Gonçalves Pena, colocado na Escola Masculina de Refojos.

Inesperadamente falecera em Riodouro o Sr. José Mendes Ferraz. Pela extrema bondade do seu coração era muito estimado na vila.

Em Vizela finara-se o conhecido Tendeiro da Faia, a quem chamavam o António da Isabel.

Na Cadeia Civil de Lisboa tinha morrido o preso José Barroso, de 60 anos, natural do nosso concelho, que se encontrava preso desde o dia 18 de Maio pelo crime de resistência à autoridade.

CASAMENTO

No dia 10 de Julho celebrara-se o casamento, na igreja de Refojos, do Sr. António Rodrigues, “ilustrado chefe da Estação Telégrafo-Postal da Vila” com D. Amélia Novais de Carvalho, filha do escrivão-notário Benedito José de Carvalho.

TRIBUNAIS

Na tarde do domingo, dia 17 de Julho, deu-se uma grande desordem entre os moradores do lugar de Porto d’Olho. Dois desordeiros deram entrada na cadeia.

O Supremo Tribunal Administrativo negara revista ao recurso apresentado por D. Virgínia Leite Pereira Lobo contra António Pereira Alves Costa. O mesmo desfecho teve o recurso de Manuel Joaquim Alves Machado apontado ao ex-pároco de Refojos, Manuel Joaquim Alves Macedo.

Publicavam-se éditos no processo da herança do falecido Fortunato José de Sousa Basto, decano dos comerciantes da praça Cabeceirense, falecido no princípio do ano, conhecido como o “Fortunato das Pereiras”. A inventariante era a filha Maria das Dores de Sousa Coutinho e marido e citava-se a António Vítor de Carvalho e Sousa, ausente em parte incerta do Brasil, genro do falecido.

IMPRENSA

Foi nomeado administrador do “Jornal de Cabeceiras” o Sr. Teotónio Falcão Ribeiro.

Tinha reiniciado a sua publicação o semanário “O Progresso de Mondim”. Era dirigido pelo Padre António Saavedra e declarado de orientação “franquista”.

ACADÉMICOS

José Bernardino Falcão Ribeiro, filho do solicitador e amanuense da Câmara, Teotónio Falcão Ribeiro, tinha obtido bons resultados no Lyceu de Amarante.

Adriano Coelho de Carvalho, filho do escrivão-notário Benedito José de Carvalho, foi distinguido como o melhor aluno da 5ª classe do Liceu.

O académico Abel Leite Pacheco tinha sido aprovado no exame do 5º ano do Seminário-Liceu de Guimarães.

EXAMES DO 1º GRAU

Os exames do 1º grau iam realizar-se nas Escolas Masculinas e Femininas de Refojos e Gondarém, nas mixtas de Painzela, Eiró, Outeiro, Arco, Cavez e Buços e na feminina de Abadim.

ESCOLA DE CAVEZ

Foi publicada a exoneração de D. Miquelina Ferreira da Silva do cargo de professora da Escola Feminina de Cavez, por abandono de lugar.

ESTADO DA AGRICULTURA

O tempo não estava muito favorável para a agricultura, pelo que os renovos estavam atrazados. A produção de vinha era prometedora, ainda que as pragas do míldio e do oídio tivessem provocado alguns estragos. Os milheirais estavam a portar-se bem, mesmo nos terrenos elevados e secos. Os batatais e os pomares não se estavam a dar bem com as noites frias.

Por: Francisco Vitor Magalhães

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