Associação Dinamizadora dos Interesses de Basto
Edição de 29-09-2014

Arquivo: Edição de 21-06-2010

SECÇÃO: Informação

A FESTA E A FEIRA DA CULTURA

Caros amigos, eis-me de novo junto de vós para vos transmitir, na nossa análise, o que foi mais um evento sob o lema de VALOR HUMANO – OPORTUNIDADES INOVADORAS – ocorrido de 17 a 20 de Junho passado. Mais conhecido este evento – já na sexta edição - pela “festa da cultura”.
Devemos dizer, leitores amigos, que em Cabeceiras, afinal, há sempre festa e há sempre feiras. Porque todos os eventos a que a Câmara dá o seu apoio, seja por iniciativa das empresas municipais seja de privados, são dias de festa. Porque festa é alegria, é júbilo. E são também dias de feira. Porque feira é um mercado público alargado. Em dias fixos e locais certos. Os dias são previamente definidos na agenda da actividades da Câmara. O local tem vindo a ser o “Centro Hípico” de Cabeceiras. Pela capacidade da sua polivalência e de espaço. E pela sua própria capacidade e qualidade ambiental. O Presidente da Edilidade, eng. Joaquim Barreto, logo no primeiro dia se mostrou um homem feliz não só pela forte adesão de povo como também pela adesão das mais diversas empresas, instituições e artesãos; como também ainda pelas excelentes dádivas de sol e sombra , o que faz do local um espaço de privilégio, sobretudo neste tempo de verão quando o calor aperta.

Drª Fátima Marinho e o Presidente da Câmara
Drª Fátima Marinho e o Presidente da Câmara

Uma feira tem ainda implícito em si o fenómeno da oferta e da procura. Neste caso, oferta de muito valor, de Cabeceiras e de fora. Orientada para um determinado objectivo: mostrar o que de valor humano existe , e promover oportunidades de inovação. E tanta coisa houve na mostra, promoção e oferta nos 49 espaços de exposição!
Ouçamos o Presidente da Câmara: “… além da oferta pelas diferentes entidades ligadas aos (diversos) sectores, há também um outro objectivo: nós achamos que é importante aprender; achamos que é importante inovar. (…) É importante também, a partir desta aprendizagem e desta inovação, que se crie novas oportunidades de emprego. (…) Pela primeira vez, vamos ter a feira da ciência, nesta iniciativa do valor humano.(…) Além de enaltecer e valorizar todas estas iniciativas, queremos aproximar (todas) as entidades aqui representadas do público-alvo. As pessoas do nosso dia-a-dia com quem convivemos(…).

UNIVERSIDADE ABERTA DE SABERES E DE SABORES

O Livro
O Livro
Na visita aos pavilhões, foi maravilhoso ver-se a abundância e qualidade de valor humano. De fora e de Cabeceiras: exposições-mostras de actividades educativas, formativas e culturais. De Cabeceiras, toda a sua riqueza de associações: desde os agrupamentos de escolas e Colégio de Refojos, aos “centros”de formação nas áreas dos bordados, arraiolos, artes plásticas e decorativas e de culinária. Nestas, além da aprendizagem da cozinha, todo o ciclo do pão, desde a moagem, à masseira, ao forno e à mesa. O teatro, a música e a dança, também tinham o seu espaço.
Neste “Centro Hípico” de Cabeceiras durante quatro dias este evento foi uma universidade aberta. De Saberes e de sabores, bem apreciados na prova de doçaria, pastelaria, sumos e vinho da terra. Além disto, os bolinhos, os rissóis, o presunto, a boroa de milho, a azeitona, tudo pitéus de excelente sabor e qualidade.
Nesta universidade aberta, no binómio da oferta e da procura, no espaço da ciência, além da robótica e da astronomia a nível apenas de experiência, estavam pavilhões representativos do ensino superior – o IPCA ( Instituto Politécnico do Ave); o Instituto Politécnico de Bragança; o ISLA de Gaia ( um mundo de oportunidades!), com a sua especialização em tecnologia; A Dourocabe Portucale, com formação especializada em cabeleireiros e estética. E porquê a representação destes institutos? Porque, disseram-nos, têm sido alfobres de juventude de Cabeceiras que os tem procurado para a sua formação universitária.
Além dos milhares de pessoas que pela feira passaram sobretudo no sábado e domingo, houve também o espaço para uma faixa etária de privilégio, para quem a vida sorri e o mundo está em permanente descoberta. Ouçamos, outra vez o Edil Cabeceirense: “Estas actividades ( da feira do livro, da ciência, mostras de actividades culturais) envolvem 820 alunos do primeiro ciclo e mais 200 crianças do pré-primário.(…) Hoje, podemos constatar que as actividades do enriquecimento curricular são “mais-valia”; acrescentam valor educativo e formativo às crianças das escolas do primeiro ciclo. Mais de mil crianças(…).
Uma feira, ainda para mais com o nome de “festa da cultura”, tinha de conhecer este espaço da festa: do desporto à música e à dança e até às marchas e arraial, houve de tudo um pouco: no desporto, além de outras modalidades, uma vez mais, o Exército disponibilizou equipamentos para os mais arrojados praticarem desportos radicais; no teatro, a “Carochinha e o João Ratão” e a “Ceia dos Cardeais”, foram dois excelentes meios de distracção formativa e interpelativa na mensagem transmitida; na música, o cavaquinho, a viola e concertina, foram um maravilhoso espectáculo com “prata da casa” ( até o Presidente da Câmara afirmou que quando tiver tempo, ainda vai aprender a tocar cavaquinho). Da escola da Casa da Música.
Como se estava em período de S. João, as marchas não podiam faltar e houve-as cheias de colorido, animação e inovação nos seus trajes. Uma festa linda. Completada na arraial, onde não faltou o convívio à volta da sardinha assada e do bom vinho e boroa. Com muitas música tradicional.
O Presidente da Câmara aquando da abertura da iniciativa à conversa com um grupo de formandas
O Presidente da Câmara aquando da abertura da iniciativa à conversa com um grupo de formandas

INOVAR É INTRODUZIR NOVIDADES

Na parte da inovação, e é da nossa responsabilidade a sua inclusão neste espaço, houve três momentos nobres: a apresentação do livro “À Procura de um Lugar”, da escritora Dra Fátima Marinho; a entrega dos diplomas a formandos em diversas áreas; e a atribuição de prémios e certificados aos vencedoras das melhores janelas e varandas floridas. A propósito do concurso das varandas floridas, afirmou Joaquim Barreto: (…) Nós temos muitas casas, umas no espaço rural, outras noutros espaços mais modernos. Mas estas casas serão ainda mais bonitas se tivermos as suas janelas e varandas floridas.(…) E vão ser entregues prémios a quem efectivamente se dedicou e concorreu.(…) Isto não é feito por acaso. Um concelho não se promove só com equipamentos; não se promove só com infra-estruturas, com estradas, saneamento, águas. Um concelho também se constrói com a sua apresentação externa. (Assim) (…) estamos de alguma forma a incentivar naquilo que é a apresentação do concelho. E consequentemente, o desenvolvimento de uma terra(…).
Se, no nosso entendimento, uma feira do livro é inovação constante, a apresentação de um livro inédito, é-o com toda a propriedade. E sem deslustrar todo esforço e todo o empenho de todos quantos colaboraram e se empenharam para que esta sexta “festa da cultura” tivesse mais um êxito assegurado, dedicar-nos-emos, agora, um pouco, ao que foi esta apresentação.

O LIVRO E A AUTORA

Causou-nos curiosidade a escolha, pela escritora, de Cabeceiras de Basto para a apresentação do livro. E quisemos saber o porquê. E ela disse-o depois haver recordado, com o maior carinho de uma alma ainda maior, a mãe, os irmãos e outros parentes; os amigos, os vizinhos e “todos quantos a voragem do tempo não permite nomear”: “É simples: vim para cá com dez anos e aqui cresci à medida que hoje me conhecem. Tive como anfitriã a minha prima Ana. Não podia ter conhecido melhor sorte. Não trocava por ouro nenhum do mundo a memória dos seus sorrisos e das suas batatas fritas em azeite, num tacho de ferro, à lareira. A generosidade das suas portas abertas e mãos solícitas a partir a broa de milho e presunto sempre que eu chegava. Em Cabeceiras tenho raízes fundas e grandes amigos. Gosto do verde das suas encostas, da calma dos espaços e das pessoas(…) dos meus vizinhos e do meu pai que ama esta terra(…) Gosto da sua casa sobranceira à vila. Gosto do Poço de Frades(…).
E toda a assembleia religiosamente escutou o seu discurso. Um discurso ( pequenino mas tão lindo e saboroso!) pausado , com palavras cheias de musicalidade num caldeamento de saudade, ternura e nostalgia iluminados por um sorriso de encanto. Diríamos que estávamos ouvindo e vendo uma mulher-poema. E foi a poesia de muita sensibilidade saída dos seus lábios que rescendeu na sala, qual aroma da tília em flor e que até nós trouxe passagens da “Charneca em flor” da planície alentejana da sua meninice e que ela transporta consigo. E até de Camões nos pareceu estar a ouvir “ amor é fogo que arde sem se ver…/.. é uma dor que desatina sem doer…/. E ainda de José Saramago, que citou pela criação de Blimunda e Sete Sóis e ainda pelos “poemas possíveis” de que a escritora referiu uma passagem e editados no ano em que nasceu. Mas também a sensibilidade telúrica de Miguel Torga tão omnipresente em Cabeceiras, quando ela refere “ Gosto do verde das suas encostas, da calma dos espaços(…)”. Teremos sido nós os únicos a “ver” e a “ouvir” e a sentir isto não só na sua linguagem mas também nos versos dispersos da apresentação em vídeo nas passagens de “Sinto uma saudade que não sei definir e uma dor que não sei explicar?...
Um pormenor do Auditório repleto
Um pormenor do Auditório repleto
Quanto ao livro, disse a Dra Fátima Marinho: “É o mais pequeno e o maior dos livros que escrevi (…). Nele se defende o que de mais sagrado existe entre nós, o direito à diferença e consequentemente à liberdade (…). Não é um livro. É um desafio ao olhar (…).

O QUE DISSERAM O VEREADOR DA CULTURA
E O PRESIDENTE DA CÂMARA

Na abertura da sessão, o vereador Dr. Domingos Machado, ao fazer a apresentação da autora do livro “ À procura de um lugar”, lembrou o falecimento entretanto ocorrido de José Saramago, “Prémio Nóbel da Literatura” Portuguesa. E aproveitou o momento para lhe fazer uma breve e singela homenagem. Enaltecendo o valor patrimonial de Cabeceiras , focalizou o contraste do “antes e do agora” : (…) “sobretudo no ponto de vista cultural, há uma diferença abissal e avassaladora(…). Cabeceiras, nos últimos anos tem investido muito na cultura (…) dá sempre um passo em frente no sentido de enfrentar os desafios e de preservar a nossa memória colectiva(…). É-nos muito caro estarmos aqui na apresentação de um livro cuja temática é de uma sensibilidade muito tocante e que a nenhum de nós deve deixar indiferente. Neste livro, reflecte-se sobre a diferença. Mas também no direito à igualdade de oportunidade para todos(…).
Por sua vez, Joaquim Barreto, sobre a autora e “associando-se à iniciativa com o maior gosto”, assim se pronunciou: (…) É sempre bom (…) dar voz e vez a mulheres e homens que se notabilizam pelo seu trabalho. E que, fruto desse trabalho, contribuem para a formação de uma sociedade mais humana, mais justa. E ao mesmo tempo, promovem a nossa Terra. No caso, a Dra Fátima Marinho: com o seu trabalho e com este livro é também elemento factor de promoção do concelho de Cabeceiras de Basto(…) Este livro hoje aqui neste espaço, tem perfeito enquadramento. (… ) Nós sentimo-nos honrados pelo seu trabalho. E nomeadamente por este livro(…).
E não nos esqueçamos de que todos os eventos, onde este da festa da cultura se inclui, são um investimento. Neste caso também, mais um investimento : “iniciativa mais centrada nas pessoas (…) cujo poder interventivo pode valorizar, promover, qualificar o ser humano o cidadão”(…). Neste objectivo, que é o progresso de Cabeceiras, (que) o desenvolvimento se faça de uma forma integrada de todos os sectores nas suas diversas misturas até à cultura. Mas também de uma forma harmoniosa(…).
Investimento que já está a dar frutos: “já nos habituámos a por diversas vezes assistir à apresentação de livros. De pessoas que se envolveram e ganharam o gosto de escrever(…) e a partir desse trabalho da escrita (esses) promovem a leitura e promovem o concelho. Um conjunto de pessoas da nossa Terra nos últimos tempos se tem dedicado à escrita. E promovendo a escrita, promovem a leitura, promovem o interesse(…) E temos assim mais um pouco de história que não conhecemos(…). Esta é uma das iniciativas mais importantes da Emunibasto, porque é muito centrada nas pessoas. Muito centrada na formação. Muito centrada na qualificação. Muito centrada no valor das nossas gentes, das nossas pessoas. E principalmente procurando agregar aqui diferentes idades e diferentes actividades profissionais e diferentes condições académicas. A partir das pessoas – o que é o objectivo central – desenvolver o concelho(…)
Se estão de parabéns todos quantos promoveram mais este evento, o sexto do “ Valor Humano – Oportunidades Inovadoras” ou “Festa da Cultura”, quem está de parabéns, caros leitores, é o concelho de Cabeceiras de Basto, que se pode orgulhar, parafraseando-a, da expressão : Ditosa a Pátria que tão dilectos filhos tem. E nós também podemos estar orgulhosos por mais esta oportunidade de vermos que, de facto, há sempre uma história ainda por conhecer na História de Cabeceiras.

PEDRO MARQUES

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