Associação Dinamizadora dos Interesses de Basto
Edição de 29-09-2014

Arquivo: Edição de 31-05-2010

SECÇÃO: Informação

UNISA em acção
Um passeio na História

Sé da Guarda
Sé da Guarda
Durante três dias os alunos do Pólo de Cabeceiras de Basto da Universidade Sénior Akribeia realizaram o seu passeio/convívio anual que no presente ano lectivo teve também uma forte componente histórica.
As terras, que, a partir da Guarda, durante muitos anos constituíram a linha defensiva nas lutas com Castela, principalmente até à assinatura do tratado de Alcanizes que definiu a linha de fronteira, e mais tarde na guerra da Restauração e nas invasões francesas, foram os locais privilegiados da visita, que a todos encantou, pois se a maior parte já conhecia alguns dos locais, há neles sempre algo de novo a descobrir.
Monsanto: Fusão Homem/Natureza
Monsanto: Fusão Homem/Natureza
Guarda, a mais alta cidade do País, com os seus 1056 metros de altitude e também conhecida pela cidade dos cinco F’s (Forte, Farta, Fria, Fiel e Formosa), foi o local escolhido para o almoço do primeiro dia, que decorreu no centro histórico da cidade, facilitando a indispensável visita aos pontos mais conhecidos, com destaque para a antiquíssima e sempre bela Sé, “guardada” pelo avantajado D. Sancho I que lhe deu foral no século XII.
Seguimos depois em direcção ao Sul e após uma passagem rápida pelo Sabugal com o seu castelo de cinco quinas, chegamos a Sortelha, tão bela quanto solitária dentro das suas muralhas em forma de anel (esta será uma das hipóteses para o estranho nome, segundo alguns, pois em tempos recuados sortília ou sortel significava anel). Fica desde logo a sensação de que regressámos no tempo e parámos na história. Do alto do seu castelo avista-se uma vasta paisagem que surpreende os visitantes. Apenas alguns habitantes, de idade avançada, se entretém por entre as casas bem recuperadas e as ruas antigas, conversando ou produzindo algum artesanato, que os poucos turistas – era sexta-feira – quase ignoram.
Vem depois Monsanto onde desde logo salta à vista o galo de prata bem no alto do campanário da igreja, a lembrar que esta foi considerada a aldeia mais portuguesa de Portugal. Terra conquistada aos Mouros por D. Afonso Henriques, em 1165, foi doada à Ordem dos Templários que lhe edificaram o castelo, sob as ordens de D. Gualdim Pais. A subida até ao alto é difícil mas compensa largamente. Aqui sente-se a fusão harmoniosa da natureza, onde sobressaem os acidentes geográficos, com a acção do homem. Lá ao fundo, a toda a volta, estende-se por muitos e muitos quilómetros uma paisagem deslumbrante. Apetece ficar mas as horas passam e quando chegámos ao autocarro já os mais cumpridores nos apontam o dedo acusador. Mas todos compreendem e lamentam não poderem ficar um pouquinho mais.
Quando chegámos a Castelo de Vide somos agradavelmente surpreendidos pelo “presépio” que se espalha pela encosta encimada pelo castelo. As casas tipicamente alentejanas emprestam um colorido diferente à paisagem e conferem-lhe uma beleza ímpar. Feito o check´in são mais que horas de retemperar as forças no jantar típico e depois da “voltinha” nocturna ir descansar. É que um novo dia nos espera cheio de emoções.
No Castelo do Marvão
No Castelo do Marvão
Bem cedo já todos estão prontos para subir ao ponto mais alto da Serra de São Mamede, onde se encontra a encantadora Vila de Marvão. Num ambiente de paz de espírito e tranquilidade, esta histórica vila sede de concelho, de ruas sinuosas e casas antigas aconchegadas dentro da muralha dos séculos XIII e XVII, parece ter parado no tempo. Lá bem em cima, o castelo, de onde, após uma subida rápida, mais uma paisagem magnífica se estende a nossos pés. Todos ficam maravilhados com esta vista paradisíaca.
Deixamos a zona de fronteira e internamo-nos um pouco no Alentejo. Um par de quilómetros adiante encontramo-nos em frente do Mosteiro de Flor da Rosa, onde, segundo o saber popular e alguns autores, nasceu o Santo Condestável, D. Nuno Álvares Pereira, embora as únicas certezas sejam o facto de seu pai, D. Álvaro Gonçalves Pereira, aqui ter residido enquanto Prior do Crato, concelho a que pertence Flor da Rosa. O que constitui um facto com algum significado é que ali existe hoje um quarto com o nome daquele que casou em Cernache do Bonjardim, mais propriamente em Vila Nova da Rainha, com Dona Leonor de Alvim, viúva de Vasco Barroso, que possuía terras e casa em Pedraça, do nosso concelho, e onde fixaram residência durante cerca de três anos. Um facto pouco explorado pelos cabeceirenses, mas sobre o qual prometo debruçar-me com maior profundidade.
Palácio de Vila Viçosa
Palácio de Vila Viçosa
E porque do casamento de Nuno Álvares Pereira com Dona Leonor de Alvim nasceu Dona Beatriz Pereira a qual casou com D. Afonso, filho natural de D. João I, que viria a ser o primeiro duque de Bragança, não podíamos deixar de visitar o palácio de Vila Viçosa, mandado edificar pelo quarto duque, D. Jaime, e que a partir de então constituiu residência oficial dos titulares da Casa de Bragança. Com 50 salas visitáveis ali podemos admirar as peças das preciosas colecções de arte e as raríssimas espécies bibliográficas, pinturas, ourivesaria, tapeçarias flamengas e francesas, pinturas a fresco em paredes e tectos, mobiliário de estilo, porcelanas orientais, portuguesas, italianas e de outras origens, etc., que pertenceram ao último rei português. Notável também a colecção de “cobres” existentes na imponente cozinha do palácio.
Rumamos depois à emblemática Évora, com a sua Praça do Giraldo, o Templo de Diana, a Capela dos Ossos, e todos os outros monumentos tão conhecidos mas sempre apetecíveis.
Em óbidos
Em óbidos
O último dia foi destinado ao regresso. Mas não pudemos dispensar uma passagem por Peniche para saborear uma deliciosa caldeirada de peixe, seguida de uma passagem rápida pelo Cabo Carvoeiro e de uma visita a Óbidos para refinar o paladar com uma ginginha em copo de chocolate.
Cabeceiras recebeu-nos já com a noite a espreitar, mas sempre de braços abertos.
Ou seria que era a mente e o corpo a pedir ansiosamente a hora do descanso? É que estávamos todos felizes, é certo, mas cansados pela intensidade com que vivemos estes três dias magníficos.
Para o ano há mais, esperamos.

Manuel do Carmo

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