Associação Dinamizadora dos Interesses de Basto
Edição de 29-09-2014

Arquivo: Edição de 19-04-2010

SECÇÃO: Reportagem

CABECEIRAS UM AMBIENTE NOVO ACOLHEDOR

De cinco a nove deste mês de Abril, um grupo de cerca de 50 jovens de ambos os sexos e com idades entre os 12 e os 17 anos e vindos de diversos pontos da Capital lisboeta, estanciou na vila de Cabeceiras de Basto, tendo pernoitado uns nas instalações do Centro Hípico em Vinha de Mouros; e outros nas casas de turismo de montanha da Urgueira e unidade turística de Veiga.
Conforme foi já divulgado, a visita destes jovens a Cabeceiras faz parte de um protocolo estabelecido entre as edilidades cabeceirense e lisboeta e em regime de reciprocidade. Assim, em data já devidamente calendarizada, visita idêntica irá acontecer de jovens deste concelho à Capital do País em reciprocidade desta.
Nesta de agora em solo cabeceirense, a Edilidade pretendeu proporcionar a este grupo a realidade de um concelho do interior com todas as suas potencialidades não só ambientais como também de história local do seu rico património material e imaterial de costumes e tradições.

OS ENTREVISTADOS JOSÉ MANUEL FERREIRA, ANA RITA, CAMPBELL,MANUELA MARTINS
OS ENTREVISTADOS JOSÉ MANUEL FERREIRA, ANA RITA, CAMPBELL,MANUELA MARTINS
Uma realidade de vivência bem diferente, portanto, da vida agitada e de pressão desde a do trânsito à da muito densa população, onde a pressa e o individualismo são o quotidiano nas cidades muito populosas. Esta visita, permitiu, assim, que esta juventude pudesse aperceber-se da diferença . E, como iremos ver, todos puderam notá-la bem.
Depois da saudação de boas-vindas e votos de uma boa estada em Cabeceiras por parte do Presidente da Câmara, eng. Barreto, e após o almoço, de imediato toda esta juventude passou a tomar contacto directo com a vila através de passeio pelas suas ruas. Com uma visita guiada, depois, ao centro de educação ambiental de Vinha de Mouros e tomada de conhecimento de todas as capacidades e modalidades de oferta aqui existentes para um tempo de repouso bem aproveitado .
Num programa muito bem elaborado não só pela Câmara local como também pela equipa da Câmara Municipal de Lisboa, esta juventude não soube o que teriam sido tempos mortos, de tal modo as actividades do programa e suplementares foram de verdadeira surpresa e grande motivação.
DAVID E SOFIA, TOCANDO  VIOLA NO AUDITÓRIO DA CASA DO POVO
DAVID E SOFIA, TOCANDO VIOLA NO AUDITÓRIO DA CASA DO POVO
Tivemos oportunidade de acompanhar este punhado de juventude e foi maravilhoso poder testemunhar a alegria, satisfação e felicidade por se ter encontrado num ambiente completamente novo e muito acolhedor. E foi também muito gratificante ouvir os testemunhos de dois jovens – a Ana Rita e o Alexander Campbell em representação dos companheiros; e dos orientadores acompanhantes com especial referência ao Rui Marques, José Manuel Ferreira e Manuela Martins, técnicos superiores da Divisão de Educação e Sensibilização Ambiental do Departamento do Ambiente e Espaços Verdes da Câmara lisboeta.
E não houve local de interesse – e tudo quanto Cabeceiras tem, tem interesse – que esta juventude não tivesse visitado. Mas numa visita onde não só os olhos “olharam” mas “viram”, como também as mãos sentiram. Que o digam todos quantos na Casa da Música puderam tocar instrumentos. O mesmo tendo acontecido na sala de música da Casa do Povo. Mas nesta, sobretudo no auditório, foi onde mais o entusiasmo de todos veio ao de cima em termos de grupo unido, cantando ao som de violas dedilhadas por dois jovens. Numa homenagem à diferença aqui encontrada entre o campo e a cidade , porque aqui houve tempo de esta juventude ter-se apercebido do azul do céu . E todos cantaram: “… pensei mandar pintar o céu de azul…Só depois notei que azul já ele é…” E foi em Cabeceiras que foram despertados para este azul diferente. E que lindo que foi ouvi-los cantar! E quanto nós crescidos podemos aprender com uma juventude assim!
Todos se deixaram envolver e inebriar pelo contacto directo com a Natureza: desde os espaços envolventes dos locais onde se pernoitou como nos demais espaços percorridos: os espaços verdes das muitas veigas, das zonas de floresta, do ar puro que se respira, das montanhas, dos cursos de água. E então, que dizer do sossego? E que dizer do contacto com as pessoas na pureza da sua simpatia e acolhimento?

O PASSADO NO PRESENTE
O INTERESSE DOS JOVENS NA ESTÁTUA DO BASTO
O INTERESSE DOS JOVENS NA ESTÁTUA DO BASTO
DE CABECEIRAS

Dos estudantes entrevistados, o mais comunicativo foi o Campbell. Na equipa de apoio ao Grupo, o José Manuel Ferreira foi o mais interventivo; o Rui Marques, o “estratega” sempre em acção; a Manuela Martins, superando em poder de observação a sua discrição verbal. Equipa esta que não regateou elogios à outra equipa da Edilidade Cabeceirense, sem cuja intervenção a visita não teria sido tão rica. E, em complemento desta apreciação, o Alexander Campbell, por si e pelos companheiros, fez questão de testemunhar a sua admiração por ambas as equipas pela dedicação e apoio dispensados. Nesta apreciação, o Rui Marques foi o eleito.. Da Manuela Martins, este foi o testemunho: “Toda a observação foi rica porque muito bem conduzida e orientada pelas guias disponibilizadas(…). Com um elogio a toda a equipa (…). Sem guia, sobretudo a visita ao mosteiro não seria assim tão enriquecedora(…).
Detenhamo-nos, então, ainda mais um pouquinho, no muito que nos foi dito pelos entrevistados: “(…) uma zona muito bonita, com muitas histórias…(…) gostámos de todo o património que visitámos …Tem sido fantástico o tempo que estamos a passar aqui”…( Manuel Ferreira) . (…) É uma terra muito gira. Há aqui muitos espaços verdes ao contrário de Lisboa(…) Um ambiente muito calmo ( Ana Rita ). Ficámos encantados com a casa da Cultura e museu ferroviário. Por aí, ficou-nos uma percepção muito interessante de uma vida rural que deve ser muito bonita ( Maria Martins)…. (…) Aqui, temos tido um contacto directo com a Natureza…(…). Aqui sentimo-nos isolados. Num isolamento que nos permite olhar para dentro de nós, vermo-nos no que pensamos e sentimos…(…) a viver coisas sempre diferentes…(…) Aqui, temos tido tempo de olhar e ver .E pensar. Isto é muito positivo. Aqui em Cabeceiras, o passado está vivo no presente (Testemunho de todos).
Ao jovem Alexander, os olhos ficaram-lhe no museu ferroviário: na locomotiva ( teve o cuidado de ver que é de 1908) e nas carruagens de 1ª classe. E também nas outras. E no tecto dos claustros em forma de cúpula. E de tal modo esta vivência impressionou este jovem que ele teve por muita boa a ideia sugerida de escrever algo sobre Cabeceiras. Assunto que vai ser obrigatório de pesquisa quando regressar a casa. Diga-se que este jovem é aluno da Real Academia Militar. A Ana Rita frequenta a Escola D. Amélia.
Do Manuel Ferreira, pudemos ouvir ainda::” Aqui, os vizinhos conhecem-se. Encontram-se. Convivem. Em Lisboa (…) as pessoas passam uma vida inteira sem se conhecerem enquanto vizinhos. Aqui, se ficássemos mais alguns dias, ficávamos a conhecer toda a gente! E sobre o Gabinete de atendimento ao cidadão na Casa do Povo: “ nota-se convívio entre quem atende e é atendido. Em Lisboa, não é assim”. E ainda:” A igreja do mosteiro é a” jóia da coroa” de Cabeceiras. Fiquei impressionado com as carrancas que suportam as laterais do coro sob os órgãos de tubos ( o recuperado e o “falso”), em corpo de homem e pés de cabra. E, no chão, com os caixotões das sepulturas(…).
Na tarde do último dia da visita ( a quinta-feira) este deslumbramento pela História e Memória de Cabeceiras, teve o seu “clímax” quando, no desenrolar do “ peddy-paper” esta juventude entrou mais profundamente na intimidade da realidade Cabeceirense, no visita aturada e “vasculhada” a “tudo quanto era canto” e de modo especial à Casa da Cultura; ao guerreiro Basto ; ao pelourinho e de novo ao Mosteiro e sua igreja.
Uma deslocação, de pleno sucesso. E com a certeza de que cada jovem vai ser um bom embaixador não só da riqueza patrimonial de Cabeceiras como da simplicidade e bom acolhimento das suas gentes. De parabéns, portanto, ambas as partes.

Por Pedro Marques

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