Associação Dinamizadora dos Interesses de Basto
Edição de 29-09-2014

Arquivo: Edição de 29-04-2010

SECÇÃO: Opinião

VANTAGENS COMPARATIVAS (119)

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EU JÁ TENHO CANDIDATO

Espero é que ele não desista. Certamente que não o fará, tal vai ser a corrente de apoio à sua candidatura. Refiro-me às próximas eleições para a Presidência da República, que deverão realizar-se dentro de menos de doze meses, e ao candidato Dr. Fernando Nobre.
Até ao momento, são já conhecidos dois candidatos, o Dr. Fernando Nobre e o Dr. Manuel Alegre. Por enquanto, parece tratar-se de simples manifestações de intenções, e o primeiro a manifestar-se, como se sabe, foi o Dr. Manuel Alegre. Na ocasião, houve quem escrevesse que Manuel Alegre funcionava como uma espécie de lebre, daquelas que são soltas para puxarem por outro tipo de corredores, em particular provas de velocidade de caninos.
Não me parece que tenha ficado muito bem este epíteto ao camarada das Trovas do Vento Que Passa. Eu tenho o máximo de respeito por Manuel Alegre, mas, embora estando certo de que ele, pessoalmente, o dispensaria muito bem, não sendo culpa sua, portanto, o facto é que foi de imediato atrelado, pelos demagogos revisionistas do Bloco de Esquerda. Este “atrelado” significa tão-só o apoio expresso, por aquela força política, ao potencial candidato.
Muito mal fará o PS se algum dia vier a decidir-se pelo apoio ao candidato poeta. Disse acima que tinha o máximo respeito por Manuel Alegre, e é verdade, mas respeito é uma coisa, simpatia é outra, e eu deixei de nutrir qualquer tipo de simpatia pelo deputado do Partido Socialista a partir do momento em que ele, demagogicamente, em minha opinião, votou ao lado da oposição a respeito do tratamento dos resíduos sólidos industriais.
Eu tinha a ideia, com base naquilo que se ouvia dizer, que a maior parte das vezes não é verdade, diga-se em abono desta, de que Manuel Alegre teria passado à clandestinidade, desertando do exército, quando prestava serviço militar em Angola.
Ora, lendo a sua biografia, aquela que se encontra na Internet, parece que não foi assim, ele não terá desertado, terá antes sido detido pela PIDE e condenado a seis meses de reclusão na Fortaleza de S. Paulo em Luanda. Quando regressou a Portugal, provavelmente no fim da comissão, na sua biografia esse facto não é claro, é que passa à clandestinidade e parte para o exílio.
Tudo muito romântico! Mas, quem viveu esses tempos sabe muito bem que não era qualquer um que podia dar-se ao luxo de passar à clandestinidade. Havia, como não podia deixar de ser, razões de berço.
Da sua passagem pela RDP (Rádio Difusão Portuguesa), logo após o vinte e cinco de Abril, e pelo período de um ano, ou até mesmo menos, dizem que recebe uma reforma de três mil duzentos e vinte e nove Euros. Na verdade, um bom exemplo, perfeitamente comparável, pela negativa, a outros que tais, como Mira Amaral, Silva Lopes e companhia.
Porém, é justo que se diga, tais valores ficam muito aquém das centenas de milhares, mesmo dos milhões, de Euros que os meninos, há quem lhe chame boys, é mais fino, de empresas como a PT, a REN, a TAP, entre muitas outras, auferem ao fim de cada ano. Há dias, dei-me ao cuidado de fazer as contas, e conclui que, eu próprio, teria que trabalhar mais de cinquenta anos, cinquenta anos, repito, para ganhar o que dizem que um menino da PT terá ganho em 2009, só em bónus!
É uma coisa verdadeiramente extraordinária, esta coisa dos bónus, e dos boys. Mas, eu é que estou muito atrasado, a culpa é toda e só minha, com certeza, por continuar a não conseguir encaixar que há meninos extraordinários em termos de gestão e de economia. Verdadeiros gurus!
No Jornal de Notícias de domingo, catorze de Março do corrente ano de 2010, vêm os resultados de uma sondagem relativa às intenções de voto quanto aos três candidatos supostamente conhecidos até ao momento. Cavaco Silva com 57%, Manuel Alegre com 19% e Fernando Nobre com 8%. Catorze por cento não sabe e dois por cento não responde. Total da amostra 100%.
Bom, partindo dos resultados da sondagem, verifica-se, sem grande margem para dúvidas, que há uma significativa franja de eleitores da área socialista que continuará a votar em Cavaco Silva. Eles lá saberão porquê.
De Fernando Nobre, retive duas ou três ideias que vêm expressas na entrevista que deu à revista do Jornal de Noticias do passado dia seis de Março. A primeira: “Estamos de novo na geração dos desiludidos, dos vencidos da vida que se ficam nos cabos das tormentas, sem esperança”. A segunda: “Choca-me quando se fala em união com a Espanha, quando se intenta um país ibérico, como se a nossa história, os nossos antepassados, não tivessem existido”. A terceira: “Hoje em dia, no nosso país, quem utiliza a palavra pátria, quem canta o hino nacional, quem se emociona quando o ouve, quase que parece um reaccionário. Para mim não é assim, porque eu fui educado nesses valores intemporais”.
Gostaria que os partidos não apoiassem qualquer candidato. Que os candidatos fossem apenas apoiados pelo povo. Neste sentido, acharia muito bem que o PS não viesse nunca a apoiar Manuel Alegre, nem qualquer outro, e desse perfeita liberdade de voto a todos os seus militantes e simpatizantes. Seria, disso não deverão ter dúvidas, um perfeito sinal de superioridade moral do Partido.
Quem sabe? Até poderia ser que outros partidos de grande representatividade eleitoral, em particular o PSD e o CDS, lhe seguissem o exemplo, e a eleição para a Presidência da República se transformasse num verdadeiro acto de manifestação cívica de vontade popular!
Por mim, podem ficar certos, votarei em Fernando Nobre.
PS: Permitam-me que expresse a minha mais profunda admiração pelo Atlético Cabeceirense. Admiração pelo facto de, sem quaisquer preconceitos, alheio aos resultados que vem obtendo, caminha, parece-me que de cabeça erguida, para o lugar que lhe compete. Um verdadeiro exemplo para todos aqueles que, em tempos de crise, nada mais fazem senão refugiarem-se na sua desculpa, a desculpa da crise, para mais esbanjarem, ainda.

Por: José Costa Oliveira

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