Associação Dinamizadora dos Interesses de Basto
Edição de 29-09-2014

Arquivo: Edição de 08-03-2010

SECÇÃO: Reportagem

CASA DO POVO DO ARCO DE BAÚLHE
PORTA ABERTA PARA O MUNDO

Vila de muitas potencialidades

Edifício da Casa do Povo
Edifício da Casa do Povo
Tem diante de si, caro leitor, uma reportagem sobre a Casa do Povo de Arco de Baúlhe. Façamos, porém, como introdução, uma espécie de caracterização do meio envolvente alargado concelhio.
Em qualquer das partes que constituem o todo do concelho de Cabeceiras de Basto, notam-se a preocupação e sentido de oportunidade e ainda a inteligência do governo de um executivo camarário de forma sustentada e equilibrada através dos mais diversos investimentos. Sem a tentação do monopólio de equipamentos na sede do concelho. Isto, porém, não impede que nalgumas partes desse todo, haja mais investimentos que noutras. Mas esta diferença, no nosso entender, só acontece quando as gentes dessas partes se mostram ainda mais ambiciosas, mais dinâmicas e mais empreendedoras. É o que se passa, na nossa análise, no caso desta reportagem, na vila de Arco de Baúlhe.
Pensamos que será difícil haver localidades, como no Arco de Baúlhe, com tantos equipamentos de apoio social, distracção e lazer . E de tanta qualidade. Não será de todo exagero, se dissermos que no Arco de Baúlhe quase nada falta neste âmbito. Há o pavilhão gimno-desportivo; a biblioteca municipal; piscina coberta; o museu de terras de Basto dedicado, entre outros temas, à etnografia local e concelhia; há o centro de emprego de Terras de Basto; o centro de convívio e lazer; o centro comunitário; a extensão de saúde; um posto da Cruz Vermelha Portuguesa; a escola EB-2-3; a central de camionagem; o campo de tiro; o campo de jogos; a praia fluvial do Caneiro; o Largo da Serra; a área de lazer de Cimo de Vila; as pontes da Barca; uma ETAR. E desde um passado recente, o acesso à auto-estrada , a “A7”. E, por fim, prédios de habitação social. E o que traduz isto, senão a preocupação e capacidade de uma Edilidade, com um Executivo atento, de subtrair o concelho do anonimato das terras do interior?

Recordando a inauguração

A Rua, no Arco de Baúlhe
A Rua, no Arco de Baúlhe
Como valor acrescido a todo este vasto e rico potencial, verificou-se, ainda, a recuperação e redinamização da “ Casa do Povo”, após a sua destruição por violento incêndio em 2005. Visto hoje o montante do investimento da ordem dos 510 mil euros (102 mil contos), o impacto do seu montante dilui-se na grandiosidade e polivalência diversificada da capacidade de resposta desta CASA no incremento do desenvolvimento educativo, sócio-cultural e des-portivo.
Aquando da inauguração, em 29 de Agosto do ano transacto, o ministro Vieira da Silva considerou esta Casa do Povo “ uma recuperação modelar… de qualidade e gosto na concretização do projecto, que transformou um antigo edifício numa estrutura moderna e funcional. Que é agora e talvez como nunca, a Casa do Povo das gentes de Arco de Baúlhe”. E ainda: “ uma forma feliz de finalizar um dia de inaugurações”. E ainda mais: “Esta Casa do Povo serve como um portal para o mundo, ao abrir as portas às suas gentes” .
Ainda aquando da inauguração, o leitor recordará, com certeza, a intervenção do edil cabeceirense, eng. Joaquim Barreto, não só sobre a história da Casa do Povo e do percurso e esforço dispendi-dos na sua recuperação ; como também da sua potenciali-dade agora como instrumento de crescimento cul-tural não só para a vila como para todo o concelho. Mas, para que isto seja agora possível, fica-lhe o mérito, e a perspicácia, de se ter sabido rodear de um competente staff de bom gosto . Todo o concelho merece boas e porme-norizadas reportagens, tanta é a abundância cromática de motivos desde a sua feição de serra, planaltos, aldeias, campos, neve, rios, floresta, sol. Tudo numa harmonia de campo e serra e cidade. No concelho, bem poderiam aqui ter nascido as inspi-rações literárias de “ a Cidade e as Serras” de Eça de Queiroz; ou mes-mo da dureza do granito e do trabalho, dos “contos da Montanha”, dali daquele lado do Marão; ou as tão longínquas “Bucólicas” de Virgílio; ou mesmo aqui bem poderia ainda Beethoven ter encontrado a sensibilidade e inspiração criativa da Sexta Sinfonia, “A Pastoral”. Diga-se, de passagem, que só aqui poderia ter nascido o génio musical, sobretudo sacro, que foi P. Joaquim Santos. Assim, Arco de Baúlhe também neste enquadramento se situa.

A Casa do Povo por dentro

Regressando à Casa do Povo, logo fomos muito agradavelmente surpreendidos pela nobreza granítica monumental da Rua do Arco. E por ela descêmos, assim enleados até que, à direita nos surgiu a referida CASA, na derivação desta Rua para a de 5 de Outubro. É a Casa do Povo, na nossa análise, um prédio apelativo tanto na sua arquitectura como na sua cor grená.
A nossa surpresa não ficou por aqui: ela aumentou à medida em que íamos visitando as suas instalações no interior. Com r/c e dois pisos, por todo este seu interior se distribuem gabinetes e sedes de associações; salas de reunião e de formação e sala de tecnologias de informação e comunicação. Aquando desta nossa visita, a sala dos TIC fervilhava de crianças e adolescentes explorando as surpreendentes maravilhas deste meio de comunicação , verdadeira porta aberta para todo o mundo.
Na aula de concertina
Na aula de concertina
Sobre esta sala, de TIC, assim nos falou a técnica Maria das Dores:” Quem a frequenta, dispõe do máximo de uma hora de tempo de utilização. Deste modo, torna-se possível a rotatividade dos equipamentos. No entanto, a outros utilizadores, como por exemplo grupos de trabalho, ou a quem os equipamentos procure para outros fins, este limite de tempo não se coloca.
Existe ainda um auditório onde são possíveis as mais diversas actividades, com preferência e relevo para o teatro; uma sala de música. Disse-nos, a propósito a nossa diligente anfitriã:
- A inauguração deste edifício foi a 29 de Agosto do ano passado pelo que ainda não há uma procura intensiva do auditório. No entanto, tem havido solicitações satisfatórias de utilização do seu espaço. E quando nele há actividades, a correspondência tem sido muito positiva. Dos 84 lugares disponíveis, por norma, a sala fica sempre com uma moldura humana muito boa…O auditório dispõe de palco e de bastidores na sua rectaguarda. Como dispõe ainda de camarins e de sanitários de apoio. E por cima, no segundo andar a sua “régie”.
E lá fora, um recinto desportivo , com “relvado” sintético onde pode ser praticada a modalidade do futsal . Neste recinto, funcionam as mais diversas instituições. A começar pela Junta de Freguesia.
Diz-nos a nossa acompanhante: “ Ao fundo do corredor, já no exterior do edifício, há um parque desportivo. De “relva” sintética e ao ar livre. Se vocacionado para o futsal e aberto a pessoas de qualquer idade, nem por isso outras iniciativas deixam de ter o seu espaço. Sobretudo as crianças e adolescentes este recinto procuram para outros entretimentos. A sua utilização obedece a pagamento prévio de uma taxa, de acordo com a natureza dos utentes.
O Teatro é uma das actividades levadas a cabo no Auditório da C.P.
O Teatro é uma das actividades levadas a cabo no Auditório da C.P.
Quanto à sala de aulas de música, esclareceu-nos a técnica Maria das Dores: “Nesta sala, há aulas de viola, de cavaquinho e de concertina. E prevê-se que venha a haver aulas de órgão. Estando estas dependentes apenas de mais inscrições. Nas aulas de viola, às segundas ao fim da tarde à noite, há alunos das mais diversas faixas etárias e de ambos os sexos: desde os seis aos sessenta e cinco anos; e às quintas-feiras, a partir das 16.00H, aulas de concertina, cuja maior concentração etária dos alunos está entre os 30 e 60 anos. Os alunos das aulas de música são presentemente de cerca de uma vintena. Os professores são “prata da casa”, ou seja, são do concelho de Cabeceiras de Basto.
Questionada uma aluna de concertina - a Maria da Graça - esta disse-nos, prazenteira e satisfeita, a propósito do ambiente da aula e da motivação da aprendizagem:
- Estou muito animada não só pelo bom ritmo de aprendizagem como também do excelente convívio que as aulas proporcionam ainda do bom relacionamento entre todos os aprendizandos.
Todas as divisões são arejadas e de espaço amplo , muito bom para um eficiente trabalho. Sobretudo as divisões voltadas a sul, dispõem de rasgadas janelas e varandas voltadas para a vila e por onde o sol entra em abundância na tarde morninha da nossa visita.

Serviços de Atendimento Público

Para o atendimento, quer por parte da Junta quer dos serviços municipais, quanto a nós , estão lá as pessoas certas no lugar certo. O nosso apreço para a diligente e solícita técnica Maria das Dores, pessoa de inexcedível simpatia e competência.
Acompanhemos um pouco, agora, esta nossa cicerone e ouçamos o que ela nos tem a dizer ainda sobre mais algumas das valências em actividade na Casa do Povo…
- Na sala da Junta e também de serviços da Câmara Municipal, é onde as pessoas vêm pagar, por exemplo, algumas facturas de bens e serviços ou as rendas da Habitação Social, obter algumas licenças ou beneficiar ainda de outros serviços municipais. Na sala em frente, está a sede da A.R.C.A; e do mesmo lado a seguir, funciona a sede do Desportivo do Arco de Baúlhe. Com apoio de bar. A seguir aos aposentos da Junta e do mesmo lado, há uma sala de polivalência nas funções: ora para reuniões e acções de formação como ainda para outros fins, consoante a natureza das solicitações.
No primeiro piso, funciona o GABINETE da Equipa de Apoio às Escolas. Presentemente, nele está instalada a Equipa de Apoio às Escolas do Alto Ave e Basto.
No corredor do r/c é possível ainda a realização de exposições. Presentemente, decorre uma exposição de trabalhos manuais onde é mais expressiva a bijuteria. Mas outras se irão seguir. Num futuro próximo, está prevista uma de esculturas.
A assiduidade na procura dos diversos serviços à disposição dos cidadãos na Casa do Povo, é já muito encorajadora e com tendência a aumentar.

Um pouco da história do prédio

E antes de terminarmos, amigo leitor, oiça connosco o que o Presidente da Junta, Armando Duro, tem para nos dizer sobre a história deste imóvel …
- «O edifício foi uma doação de Júlio Henriques à Sta Casa da Misericórdia e cujas instalações, depois, foram adquiridas pela Casa do Povo do Arco de Baúlhe. A Direcção desta comprou as instalações à Sta Casa da Misericórdia, nas quais até ao princípio da década de 1990 funcionaram os serviços de saúde que, depois, passaram para edifício próprio. Com o vazio verificado, segundo o Presidente Armando Duro, a Junta, a A.R.C.A e o Desportivo de Arco de Baúlhe “ocuparam” o prédio, que depois foi cedido à Câmara Municipal, para aí funcionar o Centro de Emprego das Terras de Basto. Até que aconteceu o incêndio. Após este, a Câmara chamou a si a iniciativa da recuperação e requalificação das instalações».

O Gabinete da EAE

Tivemos, ainda oportunidade de falar com a Dra Rosa Maria Miranda, Professora da Equipa de Apoio às Escolas, que ali está instalado, a qual nos disse :
- «(Aqui) na Casa do Povo de Arco de Baúlhe começou, recentemente, a funcionar a Equipa de Apoio às Escolas do Alto Ave e Basto cujo coordenador é o Dr. Domingos Machado». A respectiva equipa integra, também, a Dra. Rosa Maria Miranda. Ambos, professores do quadro do Ministério da Educação. Esta EAE do Alto Ave e Basto dispõe de um gabinete, com todo o seu espaço e recheio disponibilizado pela Câmara Municipal de Cabeceiras de Basto, através de um protocolo celebrado entre esta Autarquia e a Direcção Regional de Educação do Norte – DREN. Segundo a opinião da Drª Rosa Maria Miranda, «o Protocolo estabelecido e a criação deste Serviço foi uma acção importante, mercê da qual se trabalha no sentido de alargar e descentralizar o apoio às escolas e, estando localizado nesta vila do Arco de Baúlhe, potencia a centralidade desta região». A Equipa da DREN de Apoio às Escolas, sediada no Arco de Baúlhe apoia e presta serviço a dez Agrupamentos de escolas dos concelhos de Cabeceiras, Mondim e Celorico de Basto; bem como dos concelhos de Ribeira de Pena e Vieira do Minho.

Conclusão

Chegados aqui, prezado Leitor , pode-se concluir, que, na sua origem, esta CASA nasceu fadada para o serviço do bem público. Doada pelo cientista Júlio Henriques à Sta Casa da Misericórdia, desta passou para a Casa do Povo. E surge, agora, como uma verdadeira casa da cultura, da educação, do desporto, da formação tecnológica, do apoio social, municipal e da ocupação dos tempos livres, na diversidade de oferta que tem para proporcionar aos cidadãos. Como disse Vieira da Silva, um portal aberto para o mundo, sobretudo da Região de Basto.
E é tudo por agora, estimado leitor. Se ainda não o fez, aqui fica o repto: visite esta Casa, que é uma maravilha. Por fora e por dentro. E maravilha é também a potencialidade de saber e de oferta que ela tem para quantos a procurarem. Seja o Leitor mais um.

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