Associação Dinamizadora dos Interesses de Basto
Edição de 29-09-2014

Arquivo: Edição de 08-03-2010

SECÇÃO: Recordar é viver

A INCURSÃO MONÁRQUICA

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Figuras e Factos de Cabeceiras de Basto (Continuação)

Caros leitores, hoje vou continuar mais algum tempo com os artigos sobre as Incursões Monárquicas, que interrompi no jornal anterior, para escrever sobre alguém que, infelizmente, já não está entre nós mas, de alguma maneira foi uma pessoa marcante na minha infância e ao longo da minha vida.
Hoje, vou escrever, ou melhor, vou continuar a mostrar documentos fotográficos dos acontecimentos passados em Cabeceiras de Basto, durante as Intentonas Monárquicas, aquando da Implantação da República.
Interessante seria transcrever para um livro todos os passos dados durante as Incursões Monárquicas , passados por Chaves, Montalegre, Vinhais, Salto, Vieira do Minho, Valença do Minho, Casares, Celorico de Basto, Vila Verde, em geral por todo o Norte, enfim todas os passos dados quer pelos realistas comandados pelo Paiva Couceiro quer pelos republicanos que os perseguiam em nome da defesa da Pátria. Certamente que esses livros existem mas, não são do conhecimento da maior parte das gentes do Norte em especial, de Cabeceiras de Basto.
Cabeceiras de Basto, como vocês sabem foi o último bastião monárquico a ser derrotado pelos republicanos.
Há uma coisa que a mim me faz confusão nestas Intentonas do Norte e que faz com que me interrogue; Porque será que pelo menos aqui em Cabeceiras de Basto, além do Padre Domingos Pereira, havia mais sacerdotes envolvidos na rebelião, ao ponto de mandarem assassinar pessoas? Num dos documentos que li, da Revista Ilustração, o Século, falava num padre de Painzela, outro da freguesia de Cabeceiras de Basto, do Padre Manuel Pereira, irmão do Padre Domingos Pereira, da Raposeira e de outros. O que é que os padres perdiam ao passarem dum regime para o outro? Porque é que se meteram numa luta sangrenta enfrentando e lutando contra uma Republica recém implantada?
Se os padres, ao serem ordenados faziam o juramento de amar a Deus, viver com humildade, despojando-se de riquezas, vivendo com castidade, convertendo os não crentes, darem alívio aos moribundos na hora final, então expliquem-me, quem souber, a razão das lutas destes padres, chegando ao ponto de atentarem contra a vida do próximo, como foi o caso do assassinato do infeliz Mendonça Barreto, de Aveiro em plena Praça da República que, veio administrar Cabeceiras de Basto às ordens do novo Estado. Pelo que se lê ou sabe da história os padres fizeram ao contrário do que mandam os Mandamentos da Santa e Igreja que dizem mais ou menos assim:
«Não matarás, nem roubarás e nem cobiçarás a mulher do próximo…»
Mas, não são essas questões pertinentes que me fazem escrever hoje. Essas são questões que só poderão ser respondidas pelos “filósofos eruditos” da história local. Eu só quero continuar a mostrar as fotos da Revista da Ilustração de 1910/1912, que dão conta de Cabeceiras de Basto em plena revolução entre realistas e republicanos, ao mesmo tempo que mostram o dia a dia do nosso povo convivendo com esta realidade. Mas a história fala que o povo se pôs ao lado dos soldados em defesa da Pátria.
Com a devida vénia.
fernandarcarneiro52@hotmail.com

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1 - D. Elisa de Miranda, a distinta fotografa amadora que tão brilhantemente tem colaborado na nossa reportagem fotográfica dos acontecimentos do norte.
2 - Alguns dos soldados de infantaria 5 que estiveram em Cabeceiras de Basto perseguindo os guerrilheiros.

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1- O primeiro julgamento no tribunal marcial de Cabeceiras de Basto. 2- Miss Alice Larewrence , correspondente do « Daity Mail» em Lisboa e que foi presa para o Aljube, suspeita de tomar parte na conspiração monárquica.

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1 - Um grupo de soldados de infantaria 16, aquartelado em Cabeceiras de Basto. 2- Os soldados de cavalaria da diligência de Vinhaes para o serviço de informações, momentos antes da retirada para Chaves, com o seu comandante, alferes Pedro Rebocho (Cliché Anselmo Dias). 3- Um grupo de sargentos, cabos e soldados d'artilharia de montanha, da "coluna negra", que está em Cabeceiras de Basto. Junto à peça os sargentos Largo, Farinha e Manso.

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Os filhos do malogrado Mendonça Barreto, administrador de Cabeceiras de Basto, fuzilado pelos revoltosos.

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1ºs Cabos da infantaria 5 que foram a Cabeceiras de Basto. (Cliché da fotografia Carvalho, de Guimarães).
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1- Grupo de sargentos das 4ª e 5ª companhias de manobras de infantaria nº 3 destacadas em Cabeceiras de Basto, em defesa da Pátria e da Republica: Da direita para esquerda: 1º Sargento Cordeiro, 2º Sargentos Tavares, Batista, Sotta, Santos e 1º Sargento Formosinho. (Cliché da Fot. Carvalho de Guimarães) 2- Outro Grupo de denodados defensores da Republica em Cabeceiras de Basto.











Por: Fernanda Carneiro

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