Associação Dinamizadora dos Interesses de Basto
Edição de 29-09-2014

Arquivo: Edição de 15-02-2010

SECÇÃO: Informação

Casa da Cultura apresenta «Lenços do Namorados»

A Casa Municipal da Cultura de Cabeceiras de Basto tem patente ao público desde 8 de Fevereiro e até ao próximo dia 12 de Março, uma exposição de lenços do namorados.
Trata-se de uma iniciativa que conta com o apoio da Aliança Artesanal – cooperativa produtora de artesanto de Vila Verde e que durante o mês de Fevereiro leva a cabo exposições em vários locais do país.
Esta colectânea de trabalhos, manufacturados, integra peças de vesturário como são as saias, camisas, camisolas, mas também, lenços e outros artigos decorativos de que se destacam pequenas caixas em madeira e azulejos. Vários livros alusivos a este tipo de artesanato minhoto estão também em exposição para divulgação e venda.

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«Lenços dos namorados» é assim, mais uma exposição levada a cabo pela Câmara Municipal através da Emunibasto, que pode ser visitada na Casa da Cultura, de Segunda a Sexta-feira.

Arte tradicional

Recorde-se que esta tradicional peça, tem origem provável nos lenços senhoris do sec. XVII – XVIII, que posteriormente foram adaptados pelas mulheres do povo, dando-lhe consequentemente um aspecto característico. Os lenços dos namorados faziam parte integrante do traje feminino e tinham uma função fundamentalmente decorativa. Eram lenços geralmente quadrados, de linho ou algodão, bordados segundo o gosto da bordadeira. Mas desempenhavam também outra função, não menos importante e da qual lhes advém o nome, que era a de conquistar o namorado. As raparigas, quando estavam próximas da idade de casar confeccionavam o seu lenço bordado a partir dum pano de linho fino ou dum lenço de algodão, utilizando os conhecimentos adquiridos em ponto de cruz. Depois de bordado o lenço ia ter às mãos do “namorado” ou “conversado” e era em conformidade com a atitude deste de o usar publicamente ou não, que se decidia o início duma ligação amorosa.
Os lenços dos namorados carregaram ao longo de várias gerações, os sentimentos amorosos duma rapariga em idade de casar, revelados através de símbolos amorosos variados tais como, a fidelidade, a dedicação, a amizade, etc. Originariamente em ponto de cruz, a bordadeira passava muitos serões na sua confecção.
Com o andar os tempos estes lenços realizados em ponto de cruz, deram lugar a lenços bordados com pontos mais singelos e fáceis. O vermelho e o preto inicial vai dar origem à utilização de um grande leque de cores e com elas novos motivos, por vezes ainda mais expressivos acompanhados muitas vezes de quadras de gosto popular, dedicados ao amado. A variedade de lenços existentes, distingue-se pelas suas características podendo localizar-se com um mínimo de rigor a sua região de origem. Os lenços representam também testemunhos de épocas (a emigração para o Brasil), de trabalhos agrícolas (vindimas) e até de críticas sociais. Eram feitos em função da fantasia das fantasias – o Amor – que parece ser a causa directa desta rica e exuberante manifestação artesanal.

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