Associação Dinamizadora dos Interesses de Basto
Edição de 29-09-2014

Arquivo: Edição de 14-12-2009

SECÇÃO: Desporto

António Correia deixa comando do Atlético Cabeceirense

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António Augusto Mendes Correia, comerciante, de 43 anos de idade, deixou no passado dia 1 de Dezembro, o comando do Atlético Cabeceirense, no início do jogo frente ao Celoricense, a contar para a Taça da A.F. Braga, num jogo onde o Atlético foi goleado, por cinco bolas a zero. Assim, sendo é o terceiro treinador a deixar a equipa do Atlético na presente época, um treinador que tem como curriculum, treinador nível II UEFA PRÓ, subidas de divisões do Gandarela F.C. (divisão de honra) e G.D. Cavez (I Divisão) da A. F. de Braga, e ainda vários estágios em outras equipas de futebol profissional.
António Correia, não aguentou a pressão e a falta de jogadores e deixou, o comando técnico do Atlético, juntamente com o adjunto, ao fim de algumas jornadas, num processo pacífico entre as duas partes, tendo sido convido a dar uma pequena entrevista ao nosso jornal, o que simpáticamente aceitou. Fica ainda, a informação, que a equipa do Cabeceirense está a ser orientado pelo Cabeceirense João Ribeiro.

Manuel Magalhães - O que o levou a aceitar o convite, para treinar o Atlético, sabendo das dificuldades que existiam?
António Correia - Talvez por sentir ter capacidade para dar um safanão (apesar de ser o terceiro técnico nesta época) no que se estava a passar com a equipa, greves, falta de motivação, o que durante três semanas foi claramente conseguido, como comprovam as exibições dos jovens cabeceirenses. Não poderia recusar o convite, até pelo que o clube representa em termos futebolísticos.
M.M. - Quando aceitou o convite, contava com a saída dos atletas, que vieram a sair?
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A.C. - Sabia das dificuldades, porem a situação era bem mais grave, do que se comentava, por fora da estrutura do clube. Havia jogadores, com meses de salários, desta época e da anterior em atraso mais prémios de subida. Depois do jogo em Esposende os jogadores mostraram vontade em não continuar a treinar, enquanto alguns compromissos financeiros não fossem cumpridos, mas as dificuldades eram enormes para cumprir, o que motivou a suas saídas do clube. Compreendi a decisão deles, também fui atleta.
M.M. - Ouve alguma promessa feita pela direcção, que não foi comprida?
A.C. - Não, sabia para onde ia, e com quem contaria, não foi surpresa alguma aquilo que se passou até a minha saída, que aliás foi pacífica. Queria aproveitar para agradecer a todos os sócios, pois sempre me deram o máximo de apoio e sentia nas suas opiniões que estavam, a compreender a nova linha de orientação da equipa sénior.
M.M. - Qual a qualidade da equipa neste momento, na sua opinião?
A.C. - A equipa até ao momento da minha saída tinha tudo para vir ser um orgulho para os Cabeceirenses, seria só uma questão de dar algum tempo e com isso a experiência necessária, aos jovens que formavam o plantel, para se tornarem numa equipa com mais qualidade, mas algumas pessoas (poucas) puseram objectivos pessoais, á frente dos interesses maiores do clube.
M.M. - O que acha de a equipa estar a jogar praticamente com os juniores?
A.C. - O problema é que a equipa estar só a jogar com alguns juniores. Porque se alguns juniores, também treinassem, regularmente com a equipa sénior, de certeza que os resultados em termos classificativos seriam outros, dada a qualidade dos miúdos que compõem a equipa de juniores. Por isto, juntar onzes jogadores ao domingo e vencer, é do tempo da outra senhora. Uma equipa, tem que ter princípios, organização, ser uma verdadeira equipa enfim…isso só se consegue com treino e coma integração, dos atletas nos treinos.
M.M. - Acha que o Atlético ainda tem condições para virar a página e subir na tabela?
A.C. - Acho extremamente difícil, mas gostaria. O problema do Cabeceirense neste momento é mais grave, do que ter ou não uma equipa sénior competitiva.

M.M. - O que levou à sua saída, após algumas jornadas no comando da equipa?
A.C. - Nas duas últimas semanas, estava a treinar com um grupo de 7 a 9 jogadores, na equipa sénior, o que no meu entender, e no de qualquer pessoa ligada ao futebol, era imprópria, para um clube com a projecção do Atlético, ainda para mais na divisão que está a disputar. A qualidade do treino de futebol subiu, vão-se formando mais técnicos e com mais competências, as equipas são melhores, basta observar as equipas do nosso Concelho que têm tido, excelentes prestações e a formação técnica, dos seus responsáveis, há claramente qualidade no treino, que se reflecte no jogo delas, disso não tenham qualquer dúvida. Treinar com sete a nove jogadores, não traria qualidade alguma, á minha equipa e senti esse pequeno grupo totalmente desmotivado.
M.M. - O que espera desta equipa do Atlético? O que acha que deve ser feito?
A.C. - A esta equipa só lhe resta competir, aproveitar todos os jogos para ganhar experiência, e quem sabe com isso a qualidade dos jovens atletas, venha também melhorar, é o meu desejo.
O clube terá que saber projectar-se mais, ainda no meio onde está inserido, caso contrário, poderá vir a ter problemas ainda mais graves.

Por: António Correia

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