Associação Dinamizadora dos Interesses de Basto
Edição de 29-09-2014

Arquivo: Edição de 02-11-2009

SECÇÃO: Informação

Casa Municipal da cultura apresenta “Os frutos da terra em Alberto Sampaio”

A Casa Municipal da Cultura de Cabeceiras de Basto apresenta ao público, desde 22 de Outubro e até ao próximo dia 4 de Dezembro de 2009, a exposição: “Os frutos da terra em Alberto Sampaio”.
Trata-se de uma exposição que nos leva à Quinta de Boamense, ao encontro de Alberto Sampaio, o historiador das instituições rurais, figura de referência no Minho e no país.

Uma exposição a não perder na Casa da Cultura
Uma exposição a não perder na Casa da Cultura
Alberto Sampaio foi um visionário e os princípios e orientações que defendeu, denotam ainda hoje alguma actualidade. Nasceu em Guimarães a 15 de Novembro de 1841 e morreu na Quinta da Boamense, em Vila Nova de Famalicão, a 1 de Dezembro de 1908.
Volvido um ano após o centenário da sua morte, a exposição é agora apresentada neste espaço cultural concelhio, onde o visitante repousa o olhar por alguns instantes, no verde dos campos, nos castanhos outonais das árvores do Sobreiral, nas cores vivas dos frutos e das flores que, aqui e além, pincelam esta tela campestre. Embalam-nos os sons da litania da água do rio Pelhe, a correr ao fundo da mata, as vozes dos homens na sua faina de sol a sol, misturadas com os trinados das aves e os sons da folhagem agitada pelo vento. Envolvem-nos os aromas fortes da terra mãe.

Alberto Sampaio um homem do Minho

Alberto Sampaio não resistiu ao chamamento deste palmo de terra numa aldeia do Minho onde “o sol e a chuva adormecem na mesma folha”. No recanto da sua biblioteca, de janelas abertas para o jardim da Casa de Boamense, adivinhamos as longas horas passadas na leitura e na escrita das suas obras.
No mundo rural que o cerca, encontra algo mais do que um simples motivo de contemplação. Da “arte de fazer vinhos” parte para mais extensas explorações nos domínios da agricultura, floricultura, fruticultura, horticultura e floresta. A sua curiosidade científica, suportada por uma enorme atracção para as actividades do campo, não tem limites. Progressivamente, aprofunda os seus conhecimentos agrários, tornando-se rapidamente uma referência a quem são solicitados pareceres e dirigidos convites para integrar comissões de estudo e de exposições. Ao “mestre” recorrem com frequência os amigos mais íntimos, como Jaime de Magalhães Lima e Luís de Magalhães, seus admiradores e interlocutores privilegiados nestas matérias, como documenta a correspondência que trocam entre si. A poda e enxertia das vides, a selecção de castas, as experiências da plantação de árvores até então quase desconhecidas em Portugal, tal como o eucalipto, novas plantas e produtos hortícolas mandados vir expressamente do estrangeiro e cuja adaptação ao “solo pátrio” é seguida com particular atenção, são temas recorrentes na correspondência e em muitos outros documentos do espólio de Alberto Sampaio. Nos Estudos de Economia Rural publicados na Revista de Guimarães e que reúne mais tarde no livro: “A Propriedade e Cultura do Minho”, o historiador retrata, de forma exemplar, o panorama da realidade rural da província do Minho nos finais do século XIX. Do mesmo modo “O Presente e o Futuro da Vitivinicultura em Portugal”, escrito em 1884, é considerado um estudo de referência, quer no conhecimento da vitivinicultura praticada na época, quer pela antevisão dos seus progressos no século XX.
É neste espaço de ruralidade, cheio dos sons, aromas e cores da Quinta de Boamense, patente nesta exposição, que mergulham as raízes de Alberto Sampaio, filho e continuador daquele Bermardino de Sampaio Araújo que nas Cortes Constituintes de 1837, se declarou honrado por “ser lavrador de nascimento […] e mesmo lavrador de tamanco”.
Uma viajem pela vida e obra de Alberto Sampaio, que pode ser observada na Casa da Cultura de Cabeceiras de Basto, de Segunda a Sexta-feira, das 9h00m às 12h30m e das 14h00m às 18h00m.

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