Associação Dinamizadora dos Interesses de Basto
Edição de 29-09-2014

Arquivo: Edição de 12-10-2009

SECÇÃO: Recordar é viver

Lembranças (1)

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AINDA AS RECORDAÇÕES DO COLÉGIO DE S. MIGUEL

Caros leitores, voltei de novo ao baú das recordações. Desta vez vou falar-vos sobre o Colégio de S. Miguel de Refojos. Desse baú de lembranças têm vindo parar às minhas mãos fotografias e histórias acompanhadas, pelo senhor Padre Domingos Apolinário, antigo director do Colégio de S. Miguel. Lembro-me de vos ter dito numa crónica que escrevi há bastantes jornais atrás, que o tempo não volta para trás e o que passou, passou! Mas o que seria de nós se não fossem as recordações?
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O senhor Padre Apolinário, por quem nutro respeito e uma amizade cimentada pelas visitas que nos tem feito a Cabeceiras de Basto, nestes últimos anos, fez chegar até mim fotos com imagens de locais e de rostos jovens da minha e de outras gerações quando frequentávamos o liceu dirigido pelo mesmo ao longo de uma década, após o qual partiu para outra terra em 1969.
Há dias, durante as festas tradicionais da Feira do S. Miguel, recebi um telefonema do Baltazar Alves Mendes, mais conhecido pelo Baltazar da Caixa, a dizer que se encontrava cá o senhor “Director” Apolinário e a convidar-me para ir almoçar com eles. Confirmados estavam também Maria Alves Magalhães e o marido, o Zeca Mendes e a mulher, Teresa Jozefa, a Emília, esposa do Baltazar, o padre Apolinário e um amigo que veio com ele. O almoço foi no Luís do Outeirinho e aceitei prontamente com muito gosto.
Falamos de tudo um pouco. Recordaram-se coisas, algumas bastantes engraçadas, outras foram lembranças mais nostálgicas. A comida como sempre esteve à altura da grande cozinheira que é a Zezinha, mulher do Luís de Sousa, do Outeirinho. O azeite e o vinho com que se regaram as batatas também foram do melhor. Enfim foi um almoço muito bem passado.
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Enquanto as batatas a murro não chegavam à mesa e íamos petiscando umas entradas que constavam de azeitonas e broa de milho, o Padre Apolinário fez-nos a surpresa de nos mostrar um álbum de fotografias muito antigas tiradas pelo saudoso senhor Silva, da Praça da República. Ainda têm o carimbo bem visível por trás das fotos. Foi com enorme emoção que comecei a passar as folhas, olhando para os rostos a ver se descobria gente conhecida do meu tempo e também a ver se por acaso apareceria alguma foto minha. Vi algumas caras do meu ano e da minha idade, mais ou menos. Vi também os mais velhos, meus conhecidos, que ainda hoje vejo de vez em quando e que naquele tempo já eram uns homens e umas mulherzinhas. Há ainda, casais que se formaram no Colégio e que vivem felizes até hoje. Só para citar dois que me lembro assim de repente; O Baltazar Alves Mendes e a Emília Teixeira e o Engenheiro Arnaldo e a sua esposa a Helena Raposo.
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Antigamente algumas pessoas resolviam estudar tarde e por conseguinte alguns já eram como se costuma dizer “casadoiros”. Nem toda a gente podia estudar. Só os filhos dos lavradores, dos médicos, dos professores, comerciantes ou então os filhos dos emigrantes, como era o meu caso. Segundo diz o meu pai não lhe dei o devido valor e, citando uma das suas frases predilectas que empregou algumas vezes quando se dirigia a mim; “conforme fizeres a cama, assim te deitas nela”! Levei as coisas muito a brincar e resolvi casar cedo. Acho que o meu pai tinha uma certa razão. Só mais tarde é que dei conta do meu erro e, então toca a ir estudar de adulto durante vários anos para poder desenrascar-me no meu dia - a- dia! Mas o que lá vai, lá vai!
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Vou mostrar-vos algumas fotos do álbum que o Padre Apolinário fez o favor de deixar ficar algum tempo para eu gravar. Não vou pôr legendas com o nome de ninguém. Tocará a cada um de vós tentar descobrir onde está e quem são. Como não cabem todas na página que eu escrevo talvez eu continue a mostrá-las nos jornais seguintes. Conto que os assinantes deste jornal passem a palavra aos outros que o não são para assim poderem rever-se nestas histórias, ou então sabeis onde me encontro para me procurarem.
Espero que gostem de ver aquelas fotos em que aparecem nas festas do Carnaval que se fazia no Colégio. Vão ter muitas surpresas principalmente aqueles que eram mais velhos e os que continuaram depois de mim.
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Pela minha parte só tenho que agradecer ao Padre Apolinário por me trazer esta alegria e espero que venha almoçar ou jantar mais vezes connosco, que o grupo se torne cada vez maior e que aqueles que tenham algum ressentimento por algo que não correu bem outrora, o esqueçam porque a vida é curta e não vale a pena o tempo perdido com ressentimentos.
Espero que os meus antigos colegas que partiram deste mundo tão jovens estejam em boa companhia junto de Deus.
Até ao próximo capítulo.
fernandacarneiro52@hotmail.com
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Por: Fernanda Carneiro

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