Associação Dinamizadora dos Interesses de Basto
Edição de 29-09-2014

Arquivo: Edição de 12-10-2009

SECÇÃO: Informação

Cabeceirense Luís Vaz apresentou «As mortes que mataram a monarquia»

No Auditório Municipal do Centro Hípico, o Cabeceirense Luís Vaz apresentou ao público, no dia 3 de Outubro, a obra «As mortes que mataram a monarquia».
Uma publicação chancelada pela editora Occidentalis, cujo lançamento foi feito em Lisboa há alguns meses atrás e que agora foi apresentada ao público Cabeceirense.

O autor no momentos dos autógrafos
O autor no momentos dos autógrafos
A sessão, além de autarcas, familiares e amigos, contou com a presença dos presidentes da Câmara e da Assembleia Municipal, Engº. Joaquim Barreto e Dr. Serafim China Pereira respectivamente, vereadores, deputados municipais, bem como, com as presenças do Dr. Joaquim Couto, Presidente da Casa da Académica de Lisboa, a quem coube apresentar a biografia do autor e do Professor Dr. Jorge Morais, que falou sobre a obra propriamente dita. Na ocasião, o Engº Joaquim Barreto, Edil da Câmara Municipal que presidiu à cerimónia, enalteceu a edição de mais um trabalho do autor, que é certamente um importante contributo para desvendar a história de Portugal. O autarca elogiou o cabeceirense, que considera um homem culto, humilde, trabalhador e que apesar de ter deixado a sua terra natal há vários anos, nunca deixa de se afirmar, onde quer que esteja, como cabeceirense, divulgando e promovendo esta terra de Basto. É por isso, um homem de Cabeceiras que percorreu vários patamares, seja da cultura, da política, do ensino, mas que nunca perdeu a sua identidade com a terra onde nasceu e com a qual tem uma relação forte. Por fim, o autarca adiantou que o lançamento deste livro no concelho, faz muito sentido pelas “raízes” monárquicas desta terra de que são exemplo a construção de dois cemitérios na freguesia de Riodouro.
De referir que esta foi mais uma organização levada a cabo pela Câmara Municipal e pela Emunibasto, que tem como objectivo a divulgação e promoção dos escritos destas gentes de Basto.

«As Mortes que Mataram a Monarquia»


A obra - «As Mortes que Mataram a Monarquia» - de autoria de um republicano convicto, faz a ponte entre estes dois regimes e ajuda a compreender melhor um período da história que se centra entre 1907 e 1910. Do género ficção/romance histórico, relata, por isso, ao longo de 170 páginas a passagem da Monarquia à República. Também o papel de João Franco que é mencionado, já que ao querer salvar a monarquia e conferir-lhe um carácter mais digno, conduziu à ditadura numa época em que afrloravam por todo o país ideias republicanas. “Sabemos que o dia a seguir às revoluções deixa de ser dos revolucionários. Sabemos ainda que a torrente de agravos que caiu sobre Buíça e Costa e sobre a República, atingiu um rebaixamento do nível cívico e provocou a ruptura do convívio entre povos nascidos na mesma Pátria e sujeitos às mesmas Leis. Esta torrente, paradoxalmente, continua ainda em alguns sectores, felizmente com pouca expressão na Sociedade, mantendo a suposição em redor do Partido que combatia a Monarquia e organizações secretas consideradas suas aliadas. Ao tempo, para desacreditar o Partido Republicano. Hoje para desonrar a memória das suas principais referências.
Ora, nem o Partido Republicano controlava as organizações secretas, nem estas decidiam pelo Partido Republicano. E tanto a uma como a outra, não se pode imputar a responsabilidade de fazer desaparecer o Rei. “, pode ler-se na sinopse deste livro que resulta de um trabalho levado a cabo pelo autor, e que o Professor Dr. Jorge Morais, considerou ser um investigador exímio a quem se deve bastante do que se sabe sobre o livre pensamento em Portugal. Uma investigação feita com o devido distanciamento dos factos e por isso bem analisada, que permitiu que um Monárquico [Dr. Jorge Morais], fosse “beber” na obra de um republicano e desta forma devendasse um pouco mais deste período da história de Portugal. A história é feita com a inclusão e não com a exclusão, abrangendo todos os sectores, concluiu aquele professor universitário.

Valorizar a história local

No uso da palavra, Luís Vaz disse que esta obra resulta de uma necessidade de conhecer os antecedentes da República, abordando um período que medeia entre 31 de Janeiro de 1907 e a implantação da República em 1910. A propósito dos trabalhos de investigação efectuados, o cabeceirense lançou um repto aos estudantes e investigadores, lembrando a importância da história local como mote de estudo, já que é tão importante como a história global e que, ainda que com a sua “pequenez” nos dá relevantes contributos para desvendar a história da humanidade. Luís Vaz disse igualmente que está “fadado” para abordar temas complexos que o levam à impopularidade, mas o mais importante que o valor dos ideiais são os valores humanistas, universais, que o movem e que o levam a fazer pontes no tempo.
Por sua vez, o Dr. Joaquim Couto, referiu-se ao autor como um Cabeceirense que ao longo da vida tem sido um embaixador da sua terra natal. É um homem que apresenta um perfil humano, que é um conferencista, um professor, um activista, um homem que intervem e que nos ajuda a conhecer o desconhecido, cujas “tarefas” desenvolvidas ao longo da vida levaram a que fosse agraciado com medalhas de mérito quer pela Câmara Municipal de Cabeceiras de Basto, quer pela Câmara Municipal de Lisboa. Trata-se por isso de um cidadadão, de um interventor que não descuida a a cidadania, mas que tem uma manifesta paixão pela investigação e pela filantropia. Por tudo isto é “um viajante interventivo de causas”. Um homem justo.

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