Associação Dinamizadora dos Interesses de Basto
Edição de 29-09-2014

Arquivo: Edição de 21-09-2009

SECÇÃO: Recordar é viver

CABECEIRAS, TERRA LINDA…

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Meus queridos leitores, neste momento em que me debruço sobre as teclas do meu computador, digo-vos que estou surpreendida e estupefacta pelas imagens maravilhosas que hoje passaram pelos meus olhos!
Há já muitos anos que algumas coisas nesta vida me deixaram de surpreender tais como terramotos, tsunamis, guerras, atentados aos direitos dos homens, atentados suicidas, atentados aos direitos das crianças que, infelizmente são neste mundo, o pão nosso de cada dia, entre outras atrocidades que vamos registando!
Infelizmente não podemos travar as lutas renhidas pela ganância do poder, pela maior partilha de terras, pelo maior poder bélico, pela luta da liderança dos líderes mundiais. Podemos sim, dar o nosso contributo em cada país, em cada concelho, “lutando” com as palavras, com o respeito pelos outros, com as atitudes, com o civismo, a tolerância, a participação, olhando os outros nos olhos e mostrando-lhes que podem confiar, que estaremos presentes no momento preciso.
Por isso, hoje a minha crónia fala de Cabeceiras de Basto. Um concelho que adoro e que todos os dias me espanta.
Tenho escrito sobre muitas coisas. Sobre personagens como o Padre Domingos, monárquico assumido que liderou revoltosos! Tenho falado sobre homens e mulheres do meu concelho que com as suas profissões e as suas vivências contribuíram para fazer uma terra melhor. Tenho abordado as tradições e os costumes. Transcrevi, de outros autores, partes importantes da monografia cabeceirense, falei de experiências de vida, enfim… fui escrevendo tudo quanto de importante a minha memória guardou como participante ou como leitora de autores clássicos, durante a minha existência até ao momento. Sabeis que falar de Cabeceiras de Basto é para mim algo que me enche de orgulho. Penso que também o será para vós! Temos mais que motivos para isso! Nem sempre assim foi. Mas não é de águas passadas que eu quero aqui falar.
Presidente da Câmara, Joaquim Barreto, na apresentação das novas instalações do Centro Escolar Padre Joaquim Santos aos autarcas do concelho, professores, associação de pais e encarregados de educação
Presidente da Câmara, Joaquim Barreto, na apresentação das novas instalações do Centro Escolar Padre Joaquim Santos aos autarcas do concelho, professores, associação de pais e encarregados de educação
Tudo começou no dia em que alguém teve a coragem de atravessar uma quinta agrícola para “rasgar” uma avenida que marcou o início a uma nova era na história de Cabeceiras de Basto. Esse alguém só podia ser um homem que com a sua determinação, frontalidade, amor pela sua terra acima de tudo e de todas as coisas, ganhou forças para lutar contra os cépticos, os velhos do Restelo, os acomodados e os anti-progresso. Esse homem chama-se Joaquim Barroso de Almeida Barreto. Natural da Freguesia de Abadim, tomou os destinos deste concelho, conjuntamente com um grupo de homens e mulheres capazes, tudo fizeram para que Cabeceiras renascesse do anonimato no mapa de Portugal e tomasse o seu lugar dando-lhe brilho e vida, tornando-a bela e mágica aos olhos de quem a aprecia. E foi assim que ao primeiro “rasgão” com as máquinas, iluminadas de noite pelos holofotes dos camiões, se começou a construir uma avenida, que iria dar ligação a outras vias, aproximando o nosso concelho a outros e as freguesias entre si, melhorando a mobilidade entre as populações. Adquiriu e recuperou património obsoleto, como por exemplo, antigas casas dos Guardas Florestais, recuperou a Veiga e a casa do guarda, sítio maravilhoso onde nestes últimos anos se tem feito convívios de pessoas de todas as idades, onde se hospedam grupos que procuram a natureza para praticar caminhadas em contacto com a beleza natural deste concelho. Alcatroaram-se quilómetros e quilómetros de estradas. Valorizaram-se zonas maravilhosas, criando condições de apoio ao lazer um pouco por todo o concelho. Construiram-se e beneficiaram-se as praias fluviais, tais como a de S. Nicolau, freguesia de Cabeceiras de Basto, a do Caneiro, Arco de Baúlhe, a de Bucos, a do Poço do Frade, em Refojos, a de Cavez, no rio Tâmega, a Barragem do Oural, em Abadim. Construiram-se duas piscinas descobertas, uma em Cavez, outra em Refojos. Esta última localiza-se junto ao Centro Hípico e ao Polidesportivo de Vinha de Mouros. A sua construção foi um sucesso total, ultrapassando todas as expectativas. Aqueles que desfrutaram dela diariamente, em especial os nossos emigrantes, comentaram que foi das melhores coisas que o Presidente mandou construir, permitindo a fruição da piscina e acessórios, enquanto estivessem de férias em Portugal. Confidenciaram-me até que já mereciam ter o cartão de cidadão cabeceirense. Talvez eles quisessem dizer cartão do Munícipe.
Eu também fui lá e quando a vi fiquei espantada pela sua localização, rodeada de verde e pela alegria de todos quantos desfrutavam dela em especial os mais jovens.
Dizem também os entendidos que temos uma das melhores pistas de pesca desportiva do País que fica em Cavez. Aliás já acolheu a realização de vários campeonatos, sendo dois deles de dimensão mundial e direccionado para as senhoras, cuja organização projectou o concelho aquém e além fronteiras. Temos ainda, duas piscinas de água aquecida. Temos uma autoestrada à porta, a A7 que tem o nó na Vila de Arco de Baúlhe, que nos aproxima dos principais centros urbanos e nos coloca na rota da rede viária europeia. Este ano inaugurou-se uma via rápida que faz a ligação com Lameiros, na freguesia sede do concelho, Refojos. Uma via que irá ter continuidade até ao centro da vila Cabeceirense, terminando junto ao edifício da GNR.
E o edifício do Palácio da Justiça? É uma obra que deixa toda a gente que por lá passa de “boca aberta”. Nesse mesmo edifício funcionam os serviços de Finanças e Tesouraria e a Conservatória do Registo Predial. O centro da vila está a crescer mas de uma maneira harmoniosa, sem que esta perca a sua característica e identidade. As ruas já têm nome e as casas número.
E os melhoramentos urbanísticos na nossa vila e em todas as freguesias do concelho? E os passeios com rampas de acesso para pessoas portadoras de deficiência? E os elevadores, um nos Claustros e outro na Casa dos Magistrados para que as pessoas se possam aceder com mais facilidade às respectivas repartições?
Vista parcial do exterior do Centro Escolar Padre Joaquim Santos
Vista parcial do exterior do Centro Escolar Padre Joaquim Santos
E o Parque Ambiental de Vinha de Mouros? E os vários poliodesportivos em quase todas as freguesias?
E os espaços de lazer e de convívio nas freguesias destinadas sobretudo às pessoas menos jovens, para que aí possam conviver, jogar às cartas, cantar, dançar, fazer ginástica, passeiar, entre outras actividades?
À juventude são proporcionados convívios e passeios. Os apoios atribuídos através das Bolsas de Estudo que apoiam os alunos com bom aproveitamento escolar e menores recursos.
E a reforma educativa? Feita com a parceria da Câmara Municipal e da comunidade educativa, fecharam escolas, que deram origem à construção de novos edifícios escolares, modernos e apetrechados para garandir às nossas crianças e jovens melhores condições de aprendizagem. É o caso do novo Centro Escolar que alberga os alunos do Jardim de Infância e do 1º Ciclo. Possui vinte e duas salas, pelas quais estão divididas cerca de quinhentos alunos. Além destas salas equipadas com quadros interactivos, este centro possui também, salas destinadas à realização de actividades como fotografia, bem como, sala de professores, salas para a Associação de Pais, sala para a direcção do Agrupamento, sala para a Autarquia receber os pais e professores. Possui também um gabinete médico, casas de banho devidamente adaptadas em todos os andares, serviços equipadas para crianças portadoras de deficiência, cantina equipada à mais alta tecnologia, auditório, sala polivalente, dois parques infantis, dois campos de jovens para os mais crescidos, espaços verdes e recreios cobertos. Tem ainda uma biblioteca. Entre outras coisas, possui um depósito de água que se me não falha a memória leva cerca de 25 mil metros cúbicos de água. Serve para utilizar como rega e lavagem do edifício, como também em caso de emergência no combate a incêndios.
Como eu dizia no princípio desta minha crónica o Centro Escolar de Refojos foi a obra que mais me tocou e espantou. Simplesmente maravilhoso! Até me fez desejar ser mais nova e ter filhos pequenos para poder frequentar esta escola. De facto a reforma educativa implementada pelo Governo, está a ter os seus efeitos e depois de visitar o novo Centro, acho que nenhum encarregado de educação quereria volta ao passado.
Mas a Autarquia não ficou por aqui e tudo fez para que fosse possível substiutir a antiga EB, 2e3. Uma nova escola está a ser construída no mesmo local. A escola antiga estava a rebentar pelas costuras, já muito degradada e começava a não corresponder às necessidades dos jovens do século XXI. Estas escolas novas, são agora edifício modernos e de grande nível.
Vai ser construído outro Centro Escolar na Freguesia do Arco de Baúlhe. Não me posso esquecer da construção da Unidade de Internamento de Cabeceiras. Um processo muito difícil, no qual nem todos os cabeceirenses colaboraram. Mas está construída. É uma realidade e espera-se que em breve entre em funcionamento.
Outra obra de que nos devemos orgulhar é a construção da pista para aeronovas que serve também de hipódromo, um dos melhores do país dizem os entendidos e que fica situada em Abadim, junto à barragem do Oural. Foi construído com o apoio dos militares. Esse aeródromo serve para aterragem de aeronaves e pequenos aviões, servindo de apoio para o combate aos incêndios forestais, à protecção civil, mas também tem como função apoiar o turismo e à economia local.
E os nossos museus?
O Museu de Terras de Basto, que fica no Arco de Baúlhe, na antiga Estação dos Caminhos de Ferro, o Museu da Lã, em Bucos e o Núcleo Museológico do Baixo Tâmega, que fica em Refojos, no Mosteiro de S. Miguel de Refojos.
A obra é vasta e muitas mais coisas haveria para referir. A dinâmica de desenvolvimento que se vive no concelho é indiscutível. Só posso dizer que me sinto orgulhosa e feliz por pertencer a esta geração de gente empreendedora, gente capaz! Esta terra de guerreiros ficará registada nos livros da memória onde dificilmente outros poderão igualá-los. E, como há sempre alguém que lidera, certamente um nome como o de Joaquim Barreto nunca mais será esquecido!
E como dizia Fernando Pessoa
Ele (Joaquim Barreto) sonhou e a Obra nasceu.


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