Associação Dinamizadora dos Interesses de Basto
Edição de 29-09-2014

Arquivo: Edição de 29-06-2009

SECÇÃO: Recordar é viver

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S. Pedro da Raposeira

O S. Pedro este ano
Anda vestido à toureira
Ele vai ganhar o ramo
No Largo da Raposeira!

E ganhou!
Até que enfim meus amigos, passados mais de 30 anos a festa do S. Pedro regressou em grande! E, quando digo grande, é grande mesmo!
Este ano a Associação de Cavaquinhos da Raposeira resolveu recriar ou recuperar uma tradição antiquíssima, a Festa do S. Pedro da Raposeira, indo ao encontro da vontade dos moradores, dos associados e dos cabeceirenses que estão cá e dos ausentes que estão por esse mundo fora.
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Meteram mãos à obra e ela nasceu.
Mas, como todos sabem, não se faz uma festa desta natureza assim com duas “tretas”. Isto para falar à moda do meu povo.
A direcção da Associação fez o projecto, baseando-se nas ideias de todos, foram-se ouvindo os mais antigos do lugar e arredores, incluindo aqueles que já tinham feito antigamente a festa para que se tentasse fazê-la o mais aproximadamente possível daquela época recuada dos anos sessenta e setenta.
Depois de todos terem chegado à conclusão que era chegado o momento de fazer renascer a história deste maravilhoso e mágico lugar, que está belíssimo desde que a Autarquia de Cabeceiras de Basto através das obras de revitalização lhe deu uma aura histórica e nobre, deitaram mãos à obra.
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Como sabem e certamente já puderam verificar pelos próprios olhos que uma das preocupações da nossa Autarquia é a área da cultura, nomeadamente a recuperação das nossas tradições e costumes. Algumas tradições corriam o risco de desaparecer se o Poder Local e a boa vontade dos grupos associativos não lhes “acudissem”.
E foi o que o Grupo dos Cavaquinhos, mais concretamente a sua Associação, fizeram. E muito bem! Como dizia elaboraram um projecto de maneira que a festa fosse recriada o mais fiel possível nos moldes antigos e apresentaram uma candidatura à Câmara Municipal de Cabeceiras. A Autarquia que tudo faz dentro das suas possibilidades para que a história da nossa terra seja preservada e registada, atribuiu um subsídio e concedeu apoio logístico para que se realizasse este nosso sonho de fazer a Festa do S. Pedro que há mais de trinta anos não se fazia.
Começaram-se a fazer os preparativos com pelo menos três meses de antecedência, com as mulheres da associação e as senhoras vizinhas do Largo da Raposeira fazendo bandeiras, candeeiros, flores, manjericos, tudo em papel. Entretanto entre um ensaio ou outro do grupo das cantigas os homens iam organizando a Tasquinha dos comes e bebes, quem iria tomar conta dela, quem iria assar as febras e as sardinhas, quem tratava da pinga, enfim de tudo um pouco para que corresse bem. E correu!
Foi colocado um palco no Largo, muito bem enfeitado, por onde passaram desde cantigas populares, através do simpático Grupo dos Cavaquinhos da Raposeira, os anfitriões da festa, e ouviu-se também com muita emoção o Grupo de Fados e Serenatas da Universidade do Minho, que a todos encantou com os maravilhosos fados de Coimbra. Ouvimos também o já conhecido grupo popular “Água Viva” de Fafe. Foi um encanto ouvir os cantores e em especial o “Jaiminho da Freiria”, como ele é conhecido do tempo em que jogava no Atlético.
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Não faltou o tradicional pau ensebado com o bacalhau e a garrafa de vinho lá no alto. A verdade é que só conseguiram lá chegar pela noite dentro e com a ajuda de uma pirâmide humana organizada por um grupo de Outeiro!
A cascata nas escadas estava linda, toda verdinha. Estava enfeitada com musgos, “fetas”, flores de papel e bonecos de presépio com o tradicional boneco a “mijar”.
Durante a tarde houve desporto, com jogos tradicionais, todos muito concorridos: para além do pau-de-sebo, houve o jogo da malha (atirada ao galo), tiro ao alvo e uma corrida de sacos que foi dos momentos mais hilariantes da tarde. Até a minha irmã Conceição Campos correu e ganhou uma taça. Não faltou também o fogo-de-artifício.
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As sardinhas assadas e as fêveras na brasa desapareciam rapidamente dando trabalho sem parar às incansáveis cozinheiras. O vinho e a cerveja contribuíam também para dar ainda mais alegria a esta festa que trouxe à Raposeira gente de todo o concelho e muitas pessoas que estando a residir fora quiseram vir recordar a festa e abraçar os amigos de outrora e de sempre.
Enfim foi uma romaria onde não faltou gente e alegria. E isto significa que para o ano, se Deus quiser, o S. Pedro da Raposeira descerá mais uma vez lá da porta dos Céus e voltará a conviver com esta gente boa.
Como também sou fundadora, associada e cantora dos Cavaquinhos da Raposeira deixo aqui em meu nome e no da Associação o nosso muito obrigada a todos quantos contribuíram. Falo da Câmara Municipal de Cabeceiras, na pessoa do Presidente Engº Joaquim Barreto, a EMUNIBASTO, E.M., Junta de Freguesia de Refojos, aos vizinhos da Raposeira e aos anónimos que contribuíram com os seus donativos.

fernandacarneiro52@hotmail.com
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Por: Fernanda Carneiro

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