Associação Dinamizadora dos Interesses de Basto
Edição de 29-09-2014

Arquivo: Edição de 27-04-2009

SECÇÃO: Informação

Inês Gonçalves lança livro sobre Moinhos de Cabeceiras de Basto

A autora autografando alguns livros
A autora autografando alguns livros
Com o apoio da Câmara Municipal de Cabeceiras de Basto, Inês Gonçalves, lançou no dia 11 de Abril, no Auditório Municipal Ilidio dos Santos, o livro «Moinhos de Cabeceiras de Basto – apontamentos de conservação». Trata-se de uma obra que resulta do trabalho final da licenciatura em Arquitectura que esta cabeceirense apresentou na Faculdade de Arquitectura da Universidade do Porto, em 2007. Um trabalho que, desde a primeira hora, a Autarquia incentivou e apoiou na medida em que versa a etnotecnologia dos moinhos tradicionais de Cabeceiras de Basto e os seus aspectos técnicos, sociais e culturais. Assim, perante o numeroso público que acorreu aquele espaço cultural concelhio, a autora começou por agradecer a todos quantos, directa ou indirectamente, colaboraram na concretização deste trabalho. A abordagem ao método utilizado, que lhe permitiu identificar (380 na totalidade), diagnosticar e analisar estas estruturas de moagem propagadas pelo território Cabeceirense, foi igualmente apresentada pela autora, que teve como objectivo primeiro do seu estudo, fazer o levantamento deste tipo de arquitectura rural concelhia, tendo em vista a sua divulgação e uma posterior intervenção. Na oportunidade a recém licenciada em Arquitectura disse que o trabalho de campo realizado se revelou uma das mais interessantes experiências da sua vida. O levantemento que efectuou foi muito mais que a mera identificação dos moinhos. Foi o descobrir das nossas origens, a forma como os nossos avoengos aproveitavam os recursos naturais do concelho, desenvolviam actividades de subsistência e estrategicamente localizavam as unidades de moagem, devidamente enquadradas na paisagem por forma a optimizar a sua função transformadora de cereais. Nesta publicação, a autora, parte de um enquadramento genérico da evolução das técnicas de moagem ao longo dos tempos, localiza as raízes desses engenhos no território cabeceirense, analisa as particularidades dos moinhos em função da sua localização, construção, condução de água, entre outros factores, e projecta a seu papel na contemporaneidade. Aos presentes - particulares e entidades públicas – desafiou à necessidade de intervir na salvaguarda destas estruturas de moagem que fazem parte do património imaterial do concelho já que acarretam histórias de vida, laços sociais, culturais e económicos que se estabeleceram e que o tempo vai apagando, mas que ainda se apresentam como “reservas de memória” de um povo que durante muitos anos trilhou um caminho árduo e que tem na sua matriz uma identidade agrícola e rural.

Um olhar sobre o património concelhio
O Auditório encheu-se para assistir ao lançamento
O Auditório encheu-se para assistir ao lançamento

O edil cabeceirense, Engº Joaquim Barreto, estava visivelmente satisfeito, pois este é um trabalho que resulta de um olhar sobre o património concelhio, que desde a primeira hora a Câmara apoiou e que traz ao de cima os usos e costumes destas gentes de Basto. Este não é um mero trabalho de teorização, é um trabalho profundo, que se desenvolveu no terreno e que tem muito de autêntico. A autora “desbravou” chãos e partiu à procura dos moinhos do concelho, alguns localizados em sítios ermos e difíceis e por isso está de parabéns. Referiu ainda, que este livro é a identidade com as nossas gentes, com o nosso passado, que desvenda a nossa identidade rural e a sua relação com a paisagem e com o território, assim como a vida comunitária que os próprios moinhos geravam. O autarca deixou igualmente um apelo à população cabeceirense, para a necessidade de não deixar delapidar o património comum colectivo, que é público, que os nossos antepassados levaram muitos anos a construir e que hoje, com relativa facilidade se destrói. O Presidente da Câmara, que considera que o património é uma responsabilidade colectiva, terminou informando os presentes que em breve será publicamente apresentado um trabalho aturado que está a ser desenvolvido também pela autora desta publicação e que consiste no levantamento do património concelhio, seja ao nível dos pelourinhos, das alminhas, dos alpendres, entre outros edifícios e estruturas que com o tempo adquiriram significado cultural, que urge identificar, valorizar e preservar.
Visitando a exposição alusiva patente na Casa da Cultura
Visitando a exposição alusiva patente na Casa da Cultura
Nesta cerimónia marcaram ainda presença, a vereadora do pelouro da cultura, Profª Stela Monteiro, a quem coube a abertura desta sessão, o presidente da Junta de Freguesia de Refojos, Francisco Alves, o Presidente da Assembleia Municipal, Dr. China Pereira, demais autarcas, familiares, amigos e convidados em geral. A jornada terminou com uma visita à exposição alusiva ao tema, então patente ao público na Casa Municipal da Cultura.

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