Associação Dinamizadora dos Interesses de Basto
Edição de 29-09-2014

Arquivo: Edição de 06-04-2009

SECÇÃO: Opinião

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VANTAGENS COMPARATIVAS (102)
ELE HÁ COISAS!...

Eu tinha engatilhado, para título desta crónica, uma de duas alternativas possíveis, mas tive receio de escandalizar alguém, de ser considerado grosseiro, indecente, perverso, ou mesmo mal-educado e, ainda muito pior do que tudo isso, ver o meu nome varrido de todo o conjunto de colaboradores que, uma vez ou outra, continuam enviando textos para estas mesmas colunas. E assim, correspondendo ao meu proverbial bom-senso, recuei.
Passado o primeiro parágrafo, aquele que acabam de ler, e partindo do pressuposto de que a maior parte dos leitores se fica pelos títulos, e que aqueles que efectivamente lêem as minhas prosas não ficarão muito escandalizados, nem deixarão de continuar ler aquilo que para aqui vou escrevendo, não resisto, de modo algum a, pelo menos, deixar as duas referidas hipóteses de título, a primeira seria: «o que é que se poderá fazer com apenas dois pirilaus juntos?», onde está pirilaus, o termo mais apropriado seria pénis, e então: «o que é que se poderá fazer com apenas dois pénis juntos?». A segunda alternativa seria: «o que é que se poderá fazer com apenas duas pipis juntas?», onde está pipis, o termo mais apropriado seria vaginas, e então: «o que é que se poderá fazer com apenas duas vaginas juntas?».
Esclareço que isto vem um pouco a propósito da controvérsia que se prende com o casamento, ou não casamento, entre pessoas do mesmo sexo. Interessado pelo tema, comecei por estudar a chegada, pela Primavera, de todo um conjunto de aves migratórias, particularmente as rolas, os cucos, as poupas, as andorinhas, entre outras. Verifico que todas elas chegam em pares, pares que são como os sapatos, apenas um serve em cada um dos pés. Explicando melhor, chegam em casais, sempre um macho e uma fêmea. É a natureza. Cada casal edifica o seu ninho, faz o acasalamento, nascem e crescem os filhos e, terminada a estação, vão-se embora para as paragens de onde tinham vindo, sempre aos pares, quero dizer, casais.
Analisei também os insectos. Devo esclarecer que, de toda a natureza, é a espécie de que menos gosto, em particular daqueles que me ferram de noite, enquanto durmo, ou pior ainda, não me deixam dormir. Mas, analisei alguns, e sempre vi, quando se encavalitavam para procriar, uma fêmea por baixo e um macho por cima, sempre uma fêmea e um macho. Nunca vi dois insectos machos, ou dois insectos fêmeas, encavalitados, um sobre o outro.
Observei ainda a indústria metalúrgica e metalo-mecânica, e reparei que, para qualquer união, que não seja por meio de soldadura, se recorre sempre a um conjunto a que vulgarmente se chama parafusos. Também aqui existe o parafuso propriamente dito, tipo pistão, com roscas, e a respectiva fêmea, que enrosca, casando com aquele. Imaginei que se tentasse unir duas quaisquer peças de um motor, ou de uma estrutura, usando apenas dois parafusos sem porcas, ou duas porcas sem parafuso. Nada, não é possível a união. Qualquer mecânico dirá para o seu ajudante: «chega-me aí dois parafusos e respectivas porcas», ou, «chega-me aí duas porcas e dois parafusos».
Eu transporto, cá bem no meu íntimo, uma curiosidade muito grande, há bastante tempo, e ainda a não tinha revelado a ninguém apenas por sentir uma enorme vergonha. Vergonha da minha enorme ignorância sobre o que poderão fazer dois homens, ou duas mulheres, deitados na mesma cama, tratando-se, como é evidente, de um casal de homens, ou de um casal de mulheres. Não estou a falar aqui, como todos compreenderão, dos casos em que dormem dois irmãos, um pai com o filho, ou mesmo, numa situação de viagem ou de guerra, em que dois ou mais homens, ou duas ou mais mulheres, poderão muito bem deitarem-se e dormirem juntos. Eu falo aqui daqueles que muito certamente se deitarão, só dois, do mesmo sexo, como casal. O que farão com os seus dois pirilaus? Ou com as suas duas pipis?
Há umas semanas atrás, aquando da convenção do Bloco de Esquerda, reparei numa frase do Dr. Francisco Louçã. Este falava, com aquele tom que lhe é peculiar, sobre o mérito e o demérito dos factores de produção. Aproveito para lembrar que, em termos clássicos, e seguindo os economistas dos séculos XVIII e XIX, liderados por Adam Smith, os factores de produção eram três, a terra, o trabalho e o capital. Mais recentemente, com o advento das grandes corporações, tem vindo a definir-se a organização como sendo um novo factor de produção, o quarto. Para mim, e em resultado de profundíssimos estudos, entendo que a terra é capital e que a organização é trabalho, e, assim sendo, estabeleço que os verdadeiros factores de produção são apenas dois, o trabalho e o capital.
O Dr. Louçã dizia: «experimentem colocar dois coelhos numa lura, naturalmente, ao fim de um certo tempo (eu esclareço o Dr. Louçã que o período de gestação das coelhas é de cinco semanas, mais ou menos trinta e cinco dias), ao fim de cinco semanas, (queria dizer o Dr. Louçã), terão uma ninhada de coelhinhos». Eu creio, muito firmemente, que o líder do Bloco de Esquerda estava a referir-se a um casal de coelhos, com sexos diferentes, um coelho de pirilau e uma coelha de pipi. Estou plenamente convencido de que o Dr. Louçã não acreditará que dois coelhos machos, isto é, cada um com o seu pirilau possam dar, ao fim de pouco mais ou menos cinco semanas, origem a uma ninhada de coelhinhos (também aqui o Dr. Louçã deveria querer dizer láparos).
E o Dr. Louçã continuou: «agora experimentem colocar, numa caixinha, (façam um esforço e imaginem o tom de voz com que o Dr. Louçã pronunciou “caixinha”), duas notas de vinte euros. Passe-se o tempo que se passar, quando voltarem a abrir a caixinha das duas notas de vinte euros não terão nascido quaisquer outras notas, nem de cinco, nem de dez, nem de qualquer outro valor».
Eu sei muito bem o que o Dr. Louçã queria dizer, e para quem estava a falar, isto é, qual era o seu público-alvo, e sobre isso não me pronuncio. Porém, permito-me lembrar ao Dr. Louçã: se as notas de que falava forem de Américo Amorim, deve ficar bem ciente de que essas, mesmo que sejam do mesmo sexo, darão, com certeza, origem a muitas outras e muito provavelmente de valores bem superiores aos das progenitoras.

Por: José Costa Oliveira

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