Associação Dinamizadora dos Interesses de Basto
Edição de 29-09-2014

Arquivo: Edição de 16-03-2009

SECÇÃO: Opinião

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VANTAGENS COMPARATIVAS (101)
A DÍVIDA EXTERNA

Não foi de ânimo leve que me decidi por abordar este tema. Pensei nele durante algumas semanas, tive, inclusivamente, dois sonhos, e, um deles terminou em pesadelo. Pesadelo que me ia matando. Eu não sei se alguém terá já morrido de pesadelo, mas, que o caminho parece estar próximo, disso não tenho dúvidas. O pesadelo, tal como eu já o tenho sentido, é uma coisa terrível.
Num desses sonhos, aquele que não descambara em pesadelo, eu verificava, através da leitura de um relatório do Banco de Portugal, que a dívida externa do nosso país era uma das mais suaves, ou seja, uma das menores da união europeia, tomando-se como termo de comparação o seu peso em termos de percentagem do PIB, em inglês GDP (Gross Domestic Product). Verifiquei a validade do meu sonho. Não através de qualquer relatório do Banco de Portugal, mas acedendo a alguns de um variado conjunto de sites da Internet que apresentam dados sobre o assunto.
Centrei a minha análise nas listagens disponíveis em dois deles: o primeiro apresenta uma coluna com os valores absolutos da divida, outra com os valores da dívida per capita e uma terceira com os valores em percentagem do PIB ou do GDP. Este site tem o seguinte endereço: (https://www.cia.gov/library/publications/the-world-factbook/rankorder/2079rank.html). Visitando este site, poderão verificar que o país mais endividado do mundo, em termos absolutos, é (são) os Estados Unidos com uma dívida de 13.703.567 milhões de dollars. Repare-se que se escrevermos o número com algarismos em toda a sua extensão será de (13.703.567.000.000) de dollars. Nada do outro mundo. Ter-se-á que atender à dimensão económica, populacional e territorial do país. Assim, em termos de valor per capita, cada americano deve 42.343 dollars e a percentagem da divida em termos de PIB ou de GDP é de 99,95%.
O segundo país mais endividado do mundo é o Reino Unido da Grã-Bretanha com um valor absoluto de 10.450.000 milhões (10.450.000.000.000) de dollars. Per capita cada inglês deve 189.855 dollars e a percentagem em termos de PIB ou de GDP é de 376,82%.
Na listagem que venho referindo, e falando dos países da união europeia, aparece a Alemanha em terceiro lugar, a França em quarto, a Holanda (Países Baixos) em quinto, a Bélgica em nono, a Espanha em décimo, a Itália em décimo primeiro, a Áustria em décimo quarto, a Suécia em décimo quinto, a Dinamarca em décimo sétimo, a Finlândia em vigésimo primeiro, a Polónia em vigésimo sexto, a Hungria em trigésimo e Portugal aparece em trigésimo primeiro lugar com um valor absoluto de 119.200 milhões (119.200.000.000) de dollars. Per capita cada português deve 11.132 dollars e a percentagem em termos de PIB ou de GDP é de 51,30%.
Claro está, que pelo meio aparecem outros países que não pertencem à união europeia, como o Japão em sétimo, a Suiça em oitavo, a Austrália em décimo segundo, o Canadá em décimo terceiro, Hong Kong (Região Especial e Administrativa da República Popular da China) em décimo sexto, a Noruega em décimo oitavo, a China em décimo nono, a Rússia em vigésimo, a Turquia em vigésimo segundo, o Brasil em vigésimo terceiro, a Coreia do Sul em vigésimo quarto, o México em vigésimo quinto, a Índia em vigésimo sétimo, a Indonésia em vigésimo oitavo, e a Argentina em vigésimo nono. A lista continua até ao último pais, que é Palau, cujo lugar é o 202.º e não apresenta qualquer valor para a sua dívida externa. Voltarei a falar de Palau, e de outros seus pares, um pouco mais adiante…
Analisando, com algum cuidado, e sem preconceitos políticos ou ideológicos, os números acima referidos, não será muito difícil de concluir que muita verborreia, muita demagogia e muito oportunismo político se tem proferido e se tem verificado e continua a proferir-se e a verificar-se, relativamente ao que na realidade significa a dívida externa de qualquer país, mas, se quiserem, poderá falar-se da nossa dívida externa, a dívida externa de Portugal. A dívida externa portuguesa é das mais baixas do conjunto dos países da união europeia, não só em termos absolutos, o que não explicaria grande coisa, mas é-o em termos de valores per capita e de percentagem do PIB ou do GDP.
Mas, eu analisei também os dados constantes do segundo site a que antes fiz referência, e este é: (http://ddp-ext.worldbank.org/ext/ddpreports/ViewSharedReport?-&CF=&REPORT_I...). Como facilmente se verifica este site identifica-se com um qualquer departamento do Banco Mundial, assim como o site acima deixa entender alguma ligação com a CIA. Fontes, tanto uma como a outra, dignas da maior confiança. Neste segundo site, a dívida externa de cada um dos países ali referidos reporta-se à data do final do segundo trimestre do ano de 2008. E, naquela data, a dívida externa portuguesa era de 542.150 milhões, assim distribuídos: Dívida directa do Estado, 121.560 milhões; sistema bancário, 297.277 milhões; e outras entidades privadas, 123.313 milhões. No que respeita à dívida directa do Estado, os valores dos dois sites não divergem muito, enquanto que o primeiro refere 119.200 milhões, o segundo chega aos 121.560 milhões.
Bom, os números são aquilo que são e não costumam mentir. Ficam aí à disposição de todos e de qualquer um. Ficam aí também as fontes que podem e devem ser consultadas, comentadas e, porque não, criticadas.
Em cima deixei o aviso de que voltaria a falar de Palau, um país que, apesar de ter viajado bastante, não sei bem onde fica, se será um país asiático, africano, uma qualquer ilha do Oceano Pacífico ou das Caraíbas… Não sei, de facto, onde fica Palau. Este deve ser, sem qualquer dúvida, um país maravilhoso, assim como muitos outros meus desconhecidos, porque devem ser eles os maiores credores do mundo.
Então, se os Estados Unidos da América, todos os países da União Europeia, a Rússia, a China, o Brasil, em suma, todos os países ricos e industrializados são grandes devedores, têm colossais dívidas externas. Dívidas externas são dívidas a outros países, terá que haver um grupo, igualmente numeroso, de países credores. Quais são? Muito provavelmente Palau, S. Tomé e Príncipe, Timor Lorosae e todo o conjunto daqueles que não são os grandes devedores…
(aceitam-se e agradecem-se contributos para a compreensão deste problema)

Por: José Costa Oliveira

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