Associação Dinamizadora dos Interesses de Basto
Edição de 29-09-2014

Arquivo: Edição de 16-03-2009

SECÇÃO: Opinião

Carta a um amigo que está fora

Meu caro,

Há quanto tempo não trocávamos duas palavras!?
Tudo por aqui vai como o Porto ou o Benfica, ora se marca ora se sofre!
Mas a Primavera já parece estar quase a chegar. As camélias abrem e dão uma cor de mudança.

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A vida continua teimosamente e ainda bem.
Tenho um pretexto – a vais pasmar! – Tu, que às vezes não acreditas no que te escrevo.
Como sabes, há muito que aqui não vens – quantos anos tem a Mariana? Sete? Oito?
Ou seja, já faz tempo que não vens a Cabeceiras.
Lembras-te da velha estação do caminho-de-ferro onde namoraste com a Lucinda vezes sem conta?
Pois é agora um museu!
E não penses naqueles museus do nosso tempo, onde andávamos em silêncio, direitinhos e em fila, silêncio! Não mexer!
Este museu, o das Terras de Basto, tem música, podem-se tocar algumas peças, tem Brailhe e trabalha muito com as crianças.
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Tem exposições e trata da Tradição, daquela que ainda traz restos das raízes dos nossos pais.
Já viste! Temos um museu que se preocupa com as pessoas, onde as pessoas contam!
Depois, no final do ano, num espaço onde tiveste catequese e havia umas figuras escuras, amontoadas, uns quadros que ninguém entendia, nasceu uma Galeria de Arte Sacra!
Garanto-te que não vais reconhecer o espaço! Nem nada!
Espero que venhas cá na Páscoa e vamos os dois, como irmãos que somos de tantas andanças, apreciar este novo espaço de cultura.
A limpeza, a iluminação e a apresentação do património artístico, estudado e exposto, parece que veio dar a luz que ali faltava.
Como já lá fui, não falo de cor e digo-te: ficarás surpreendido e orgulhoso como eu, de teres tanta e tão boa Arte nesta terra onde se veio juntar arte erudita ao mundo das tradições mais populares.
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Senti-me no centro da Europa - que exagero!
Depois vais perceber que tens aqui exemplos do que do melhor existe em Paris ou Florença…
A janela da modernidade veio e já se instalou.
E não me venhas apenas falar das vias e dos acessos.
Esta Cultura é - já sabes como sou – tão importante para mim como a estrada que nos traz turistas, emigrantes e amigos, circulação de ideias.
Justifica e dá motivos para virem descobrir a nossa Terra.
Dá-nos motivos de orgulho. E olha que não é pouco.

Manuel, aceita este meu convite - vem até cá!
Vou aguardar que leias esta minha carta e que fiques com vontade de vir, de gozar e descobrir a cultura que em Cabeceiras se vai construindo.
Qualidade de vida também passa por este patamar de oferta – é a velha questão que sempre debatemos anos a fio, à lareira com a nossa mãe, lembras-te?
Qualidade de vida são escolas, hospitais, acessos, trabalho e cultura. Arte. E não é preciso ir tirar um curso superior para apreciar um óleo ou uma escultura. É preciso apenas olhar e deixar o coração sentir.
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A Beleza, a Arte, trazem-nos felicidade, mesmo quando ela parece impossível.
Aproxima os Homens e Mulheres na mesma emoção.
Olha, já estou para aqui a alongar-me.
Vem e traz a família, amigos.
Dá-me o prazer de mostrar-te como Cabeceiras vai crescendo.
Aqui tens o meu convite. A minha casa está ao teu serviço.

Recebe o meu abraço amigo.
Cá te aguardo pela Páscoa ( não aceito um não…)

João


P.S.
Diz à Lucinda que vai ficar maravilhada com as camélias e que aquela automotora, que ela gostava tanto, ainda está e estará em Arco de Baúlhe, à espera dela!

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