Associação Dinamizadora dos Interesses de Basto
Edição de 29-09-2014

Arquivo: Edição de 12-01-2009

SECÇÃO: Informação

Em dia de S. Sebastião
Vive-se a tradicional Festa das Papas

Todos os anos e de forma alternada, ora em Gondiães, ora no Samão, a população honra o S. Sebastião, com uma tradicional e original festa.

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Trata-se da Festa das Papas, assim vulgarmente chamada e que atrai àqueles lugares sertanejos numeroso público, sejam cabeceirenses, sejam forasteiros que ali se deslocam para provar o carolo, as papas e o vinho, que a comissão de festas oferece a todos os presentes. Um repasto que começa a ser preparado com uma semana de antecedência pela população local. As tarefas, essas estão devidamente definidas. Homens e mulheres iniciam uma azáfama que apenas termina no dia 20 de Janeiro, dia da festividade. Reunir as lenhas, preparar as farinhas e as carnes, cozer o pão, fazer as papas, são algumas das tarefas levadas a cabo para que no dia esteja tudo pronto para ser benzido e oferecido à população e aos visitantes.

Samão acolhe festa em 2009

Chegado o dia 20 de Janeiro, pela manhã, são benzidos os produtos, que posteriormente são transportados para um campo, em carros de bois. Ali, os presentes, assistem à eucaristia, finda a qual se dá início ao repasto.
Homens e mulheres perfilam-se junto de uma longa toalha de linho estendida no chão, servindo de mesa improvisada, onde são colocados os alimentos – pão, vinho, papas (quentes ou frias) servidas em tigelas e pratos de barro que acompanham a carne de porco – compassados por uma vara “talhada” para o efeito. O S. Sebastião, o santo padroeiro, vem em ombros e é dado a beijar por um elemento da comissão organizadora. A sua passagem marca o início da refeição. O povo, que sobe à montanha para cometer o pecado da gula, saboreia as iguarias ali colocadas, cuja ementa se repete de ano para ano.
Finda a refeição algumas pessoas levam consigo os pedaços de broa que lhes coube em sorte e que depois guardam durante algum tempo em casa por causa da afamada “mezinha” que acreditam existir no pão que foi benzido. Os mais crédulos dizem mesmo que nunca ganha bolor e que serve de remédio para as doenças que afectam as pessoas e os animais.

Tradição antiga

A «Festa das papas» vulgarmente designada, destaca-se pela sua originalidade, pelo seu tipicísmo, e sobretudo, pelo seu ritual próprio, representando uma das manifestações culturais e religiosas mais puras e tradicionais de Cabeceiras de Basto.
Trata-se por isso, de uma romaria minhota, que honra S. Sebastião e cuja origem e motivação se perde no tempo. O ritual matem-se ao longo dos anos dando desta forma, cumprimento a uma promessa feita na Idade Média, aquando de uma grande peste que assolou os povos da montanha, tais como Samão e Gondiães, levando esses avoengos a recorrerem a S. Sebastião para os livrar da doença que atingira humanos e animais. A partir de então e de forma alternada (Samão, em ano ímpar, e Gondiães, em ano pare), renova-se a promessa e repete-se a Festa.


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