Associação Dinamizadora dos Interesses de Basto
Edição de 29-09-2014

Arquivo: Edição de 12-01-2009

SECÇÃO: Informação

Cabeceiras de Basto debate Produtos Locais de Qualidade

À medida que a globalização avança, os agricultores vêem-se confrontados com a pressão exercida pelos produtos com baixos custos provenientes dos países emergentes. Esta pressão é cada vez maior, quer nos produtos agrícolas de base, quer nos produtos com valor acrescentado. Face a estes novos desafios comerciais, a melhor arma dos agricultores é a QUALIDADE.
Foi sobre o Tema Produtos de Qualidade na Região Norte que se realizou um Seminário no Auditório Municipal Ilídio dos Santos, dia 18 de Dezembro, organizado pelo Centro de Informação Europe Direct de Entre Douro e Minho e a DRA/Norte, com o apoio da Câmara Municipal e da Mútua de Basto/Norte.

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Este seminário foi moderado pelo Director Regional Adjunto da Agricultura e Pescas do Norte, Dr. António Graça, e a sua abertura ficou a cargo do Presidente da Câmara Municipal e Presidente da Direcção da Mútua de Basto/Norte, Eng. Joaquim Barreto, que enalteceu o valor dos produtos locais de qualidade, pois “estes são sinónimos de riqueza.” Ao mesmo tempo, chamou a atenção para a procura que se verifica em toda a região, muito em especial na restauração, acrescentando que “o Estado, as Autarquias e os Movimentos Associativos devem criar uma rede autêntica, activa e permanente para defender e promover os produtos locais”, pois assim, “ traremos mais benefícios para a nossa Região e combateremos a desertificação.” Segundo Joaquim Barreto, “há um conjunto de produtos na nossa região que têm uma grande riqueza, quer em sabor, quer em rentabilidade, nomeadamente, a Carne Barrosã, Maronesa e Minhota, o Mel e o Cabrito das Terras Altas do Minho, os Doces, o Fumeiro, o Vinho e o Artesanato, entre outros.”

Intervenções Técnicas

Feita a abertura, o presente Seminário iniciou-se com o tema: A Qualidade na Região Norte, a cargo do Prof. Manuel Luís Tibério (UTAD) e do Eng.º Alfredo Pereira, da Associação Norte e Qualidade.
Segundo o Prof. Tibério, “os produtos DOP e IGP têm um longo caminho a percorrer para a sua total integração no mercado. Em Portugal há mais de 120. Para que o seu sucesso e desempenho se fomentem é necessário haver uma intervenção maior nas suas fileiras e o processo de certificação deverá ser repensado.” Para o Eng.º Alfredo Pereira, “qualificar não é certificar. Certificar é assegurar sistematicamente o cumprimento de características específicas e especificações técnicas.”
A qualidade tem que ver com a satisfação das necessidades dos consumidores. Num período caracterizado pelos elevados preços, incentivar o aumento da produção não pode servir de pretexto para baixar a qualidade. Os consumidores querem alimentos a preços razoáveis e com uma boa relação qualidade/preço. Todavia, para além deste, tanto os consumidores como os comerciantes têm outras exigências no que diz respeito ao valor e à qualidade dos produtos que compram. Satisfazer estas exigências representa o enorme desafio para os nossos agricultores.

As questões da higiene e segurança dos alimentos, bem como o seu valor em termos de saúde e nutrição, são especialmente importantes para a União Europeia.
É neste contexto que o Prof. Manuel Barroso (UTAD) apresenta o Livro Verde neste Seminário. Este documento debruça-se sobre a qualidade dos produtos agrícolas: normas aplicáveis aos produtos, requisitos de produção agrícola e sistemas de qualidade.
Enquanto principal utilizador da terra, a agricultura tem um papel essencial no que respeita ao desenvolvimento territorial das regiões, às paisagens e às zonas de interesse do ponto de vista ambiental. Por este motivo, a Comissão decidiu iniciar uma reflexão com vista a determinar o quadro estratégico mais adequado para proteger a qualidade dos produtos agrícolas, sem custos ou encargos adicionais.
Dividido em três partes, o Livro Verde incide nos requisitos de base aplicáveis à agricultura e nas normas de comercialização promovidas pela UE; incide nos sistemas de qualidade que cobrem as indicações geográficas, as ETG, os produtos das regiões ultraperiféricas e o funcionamento do mercado único dos produtos da agricultura biológica; e incide nos sistemas de certificação.
Para além destes, Manuel Barroso aborda outros pontos que considera fundamentais quando se fala neste tema tão delicado. E toca ao de leve na questão do marketing, que considera indispensável. “Se tivermos uma certificação mas se não houver uma comunicação virada para o consumidor, a certificação foi em vão”. E acrescenta, “o consumidor de hoje valoriza a marca, como tal é fundamental a comunicação e o marketing para que aquela chegue até ele.” E avança, “os problemas de ontem prendiam-se com a produção dos produtos, os problemas de hoje prendem-se com a comercialização dos mesmos. A capacidade de negociação é fundamental, pois o mercado agro-alimentar é muito difícil, tem que ir ao encontro dos usos e costumes do consumidor. Por isso há tantos produtos de qualidade que não têm expressão no mercado.”
O prelector terminou dizendo que os agricultores não devem encarar estas exigências como um fardo, mas devem explorá-las, oferecendo aos consumidores exactamente aquilo que eles procuram, diferenciando claramente os seus produtos no mercado, obtendo assim as suas compensações.
Após a sessão de encerramento a Mútua de Basto/Norte ofereceu aos presentes uma prova de produtos da região.

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