Associação Dinamizadora dos Interesses de Basto
Edição de 29-09-2014

Arquivo: Edição de 18-08-2008

SECÇÃO: Opinião

(Entre a meia verdade e a ficção)
POR DETRÁS DE “O BASTO” E DOS “CHEIROS NAUSEABUNDOS”

Está a constituir motivo de grande apreensão e a converter-se num verdadeiro “mistério”, a notícia recentemente publicada num jornal local sobre os “cheiros nauseabundos” detectados por repórter anónimo, na Ribeira de Penoutas, nas imediações do Posto de Turismo, em pleno centro histórico da vila de Cabeceiras de Basto.

Por detrás de "O Basto"
Por detrás de "O Basto"
Com efeito, mal a notícia caiu nas bancas, pelas mãos dos seus zelosos distribuidores, muitos foram os que propositadamente se deslocaram àquele local, tido tradicionalmente como muito aprazível, na expectativa de descortinar a origem de tão desagradável e horroroso tormento.
Acontece, porém que, ali chegados, se confrontam com uma realidade bem diferente: Uma ribeira limpa, murada, areada, ladeada de jardins e plantas, com um caudal reduzido, diga-se, onde se forma junto à boca da represa uma ligeira camada de gordura vegetal, totalmente inodora, sobre as águas límpidas e transparentes. Nada que justifique o tamanho alarido de relevo noticioso, quanto mais altamente especulativo. Foi o que levou alguns transeuntes, curiosos, ávidos de notícias desagradáveis, a rebuscar todos os buracos e a deambular por toda a Praça de narinas levantadas à procura do “misterioso” cheiro de “náuseas”, cujos sintomas vão muito para além do desejo de vomitar…
Mas, a repercussão bombástica da notícia não se ficou por aqui. Veja-se! Desde logo, se mobilizaram todos os meios, a polícia municipal, os fiscais de higiene e limpeza, as delegações e técnicos do ambiente e salubridade, as entidades de saúde pública e privada e os organismos e instituições de defesa do ambiente. Por ali passaram também, os mais diligentes e escrupulosos agentes da Asae! Consta ainda que, a caminho vêm brigadas de polícias, do kapa e da Interpol com cães pisteiros das ilhas de Sua Majestade, julgando poder encontrar em Terras de Basto, “por detrás” de estátua do velhinho guerreiro, o que a “judi” portuguesa não encontrou em sucessivos meses de pesquisa por todo o reino dos algarves, por toda a Ibéria e por toda a esfera terrestre, ou seja, o corpo, ainda que “nauseabundo” e putrificado daquela mítica e malograda “madeleine”!
Mais! Houve até quem passasse horas a rebuscar enciclopédias, a navegar, recorrendo às mais recentes tecnologias socratianas da informação, para analisar e aprofundar a patologia das “náuseas”: Há uns que as definem como simples arroto ou vontade de vomitar, uma agonia, uma ânsia ou um enjoo. Outros dão-nas como sintomas frequentemente relacionados com o tracto digestivo. Em jejum, acontece às grávidas e aos que jogam de noite aos gambozinos; antes das refeições, aos que sofrem de úlceras gástricas e duodenais; já em pleno período de digestão, acontece aos que comem e bebem demais e depois não conseguem manter civilizadamente no bucho tamanhos exageros! Daí que se queixem de gastrites, umas agudas, outras ainda mais graves… Pois é!...
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Em conclusão: Na impossibilidade de se descortinar naquele local a razão causadora de tamanha pestilência, dá-se como provável a sua origem em sítio um pouco mais distante, mas nem tanto, quiçá, do lado oposto, onde alguém muito provavelmente sofre de azia, de cólicas intestinais e figadais crónicas e indigestão permanente, doenças estas que provocam desinteria intelectual obsessiva, cujo desaparecimento depende unicamente do tratamento das causas que lhe deram origem…
Para tal, aqui fica uma sugestão, despretensiosa e bem mais aromática: Trate-se!...


C. M.

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