Associação Dinamizadora dos Interesses de Basto
Edição de 29-09-2014

Arquivo: Edição de 28-07-2008

SECÇÃO: Opinião

BARCO À VELA

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IMORTAL DURANTE

1. No devir da faina docente, à luz de Julho correndo para Agosto, há esta espécie de honestos cansaços.
2. As manhãs nascem com a preguiça de um adiamento autorizado. O café, em vez do gosto habitual a pressa queimada de mim, sabe a café simplesmente café. A minha casa tem tempo para barba, livros, ternura. E a até o poema, se me bater à porta, pode esperar, antes de me adentrar pelo papel, até ao instante secreto em que a graça se lhe junte (ou não).
3. Quase não era preciso que houvesse amanhã. Se não houvesse amanhã, quando o meu pai me disse, pelo telefone, “Amanhã falamos”, não aconteceria a morte de meu pai e eu estaria ainda mais feliz.
4. Amanhã quer dizer a impossibilidade de permanecermos neste lugar de vivos com o ouro do tempo.
5. O presente é, portanto, isto: agora, assim, aqui. É esta a imortalidade possível, irmãos.
6. Vista da minha casa, no remanso gerúndio da paz, não é pouco nem mau.

Por: Joaquim Jorge Carvalho

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