Associação Dinamizadora dos Interesses de Basto
Edição de 29-09-2014

Arquivo: Edição de 16-06-2008

SECÇÃO: Cultura

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.……UM COMPOSITOR
Antonio Lucio Vivaldi

Antonio Lucio Vivaldi nasceu na cidade de Veneza, Itália, em 4 de Março de 1678, no seio de uma família de padeiros mas com gostos musicais. O seu pai Giovanni, barbeiro de profissão, era um reconhecido violinista e foi o responsável pela iniciação de Vivaldi no mundo da música. De facto Giovanni matriculou o seu filho, ainda de tenra idade, na Capela Ducal de São Marcos para iniciar os estudos musicais e, lentamente, começou a induzi-lo no estudo da Teologia.
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Na sua época Vivaldi foi muito reconhecido pelas suas diversas facetas vocacionais. Foi compositor, professor, um virtuoso violinista e, inclusive, chegou a ser Padre. Foi ordenado Padre aos 25 anos de idade, mas deixou o sacerdócio ao fim de um ano para se dedicar apenas à música. Devido à cor ruiva flamejante do seu cabelo e do grande nariz aquilino foi apelidado de “Padre Vermelho”.
Apesar do seu estatuto de sacerdote, teve vários casos amorosos, um dos quais com a cantora Anna Giraud, o que cansou dissabores com outros músicos da altura e levou Benedetto Marcello a escrever um panfleto contra ele. Segundo se consta, esta ligação amorosa durou até à morte do compositor, mas não existe nenhum registo de casamento, o que poderá colocar em dúvida a existência da relação.
Vivaldi começou a sua vida artística no teatro, não só como compositor mas também como empresário artístico em 1713, em Vicenza, com a ópera Ottone in Villa. Foi um grande agitador cultural na época, o que lhe originou grandes problemas. A sua reputação foi muito abalada e as suas obras foram entrando no esquecimento.
Em 1740, completamente falido, decidiu viajar para o norte da Europa para tentar iniciar nova carreira, mas pensa-se que foi expulso de Veneza, pelo governo, devido a problemas políticos. Inesperadamente, morre a 28 de Julho de 1471. O seu corpo foi enterrado numa vala comum, sem cerimónias religiosas e na total obscuridade. Como a sociedade é tão ingrata (!).
O que causa espanto é que a sua música, que entrou em esquecimento pelos factores já apontados, só foi reabilitada em 1900. Este acontecimento deve-se aos esforços de Alfredo Casella, que em 1939 organizou a agora histórica Semana Vivaldi. A partir dessa altura as composições de Vivaldi obtiveram sucesso universal.
A música de Vivaldi, juntamente com a música de Mozart, Tchaikovsky, Corelli e Bach, foi incluída nas teorias de Alfred Tomatis. Estas teorias estudam os efeitos da música no comportamento humano e são usadas em terapia musical.
Vivaldi compôs mais de 450 concertos, 70 sonatas, 50 óperas e numerosos motetes e cantatas. Os concertos são de facto famosos e muitos deles apresentam títulos descritivos, como por exemplo As Quatro Estações.
Stravinski (1882-1971) considerava Vivaldi um compositor sobrestimado chegando a afirmar: “Um tipo tedioso que compunha a mesma forma vezes sem conta”. Muitos discordariam desta opinião. O seu talento é inegável, aliás foi o inventor, ou pelo menos estabeleceu a estrutura definitiva, do concerto e da sinfonia. Escrevia as pautas com uma velocidade impressionante, aliás comentava-se na época que Vivaldi demorava menos tempo a escrever um concerto que um copista a copiá-lo!
Não existe um compositor cuja música seja tão directa como a de António Vivaldi, a sua música é tão assimilável e não apresenta dificuldades de audição.
As obras de Vivaldi são organizadas por um sistema de numeração. Geralmente observa-se um RV diante do número. RV significa Ryom Verzeichnis (o Catálogo de Ryom). Por exemplo, o concerto denominado A Primavera é RV 269.

OBRAS-PRIMAS

Concertos para violino

Il Cucù (O Cuco)
La Caccia (A Caça)
La Tempesta di Mare (A Tempestade no Mar)
L‘Inquitude (A Inquietação)
Il Ritiro (ORetiro)

Outros concertos

Il Gardelino (O Pintassilgo) para Flauta
La Notte (A Noite) para Flauta
Concerto em Dó maior para Bandolim
Concerto em Dó maior para duas
Trompetes

Coral

Glória em Ré maio

A - Naive-OP30363 (CD)
A - Naive-OP30363 (CD)
.…. UMA MÚSICA

Seleccionar uma música de Vivaldi é uma tarefa muito fácil! Poderia apontar a maia popular, As Quatro Estações.
Na altura em que o compositor escreveu As Quatro Estações em 1725, já gozava de uma grande reputação a nível da Europa. Esta obra faz parte de 12 concertos denominados “Il Cimento dell`Armionia e dell`Invenzione” (O Diálogo entre a Harmonia e a Criatividade).
B - EMI-5570152
B - EMI-5570152
Trata-se de uma obra muito descritiva, o que era uma norma frequente na época. No entanto, Vivaldi foi ainda mais longe ao prefaciar cada um dos seus concertos (Primavera, Verão, Outono e Inverno) com um soneto, que se julga ter sido escritos pelo seu próprio punho.
C - Naive-OP569120 (CD)
C - Naive-OP569120 (CD)
Esta peça ultrapassou, em muito, a fama de todos os outros 230 concertos para violino, compostos por Vivaldi, e mesmo durante a sua vida, foi reconhecida como ponto de referência no desenvolvimento da técnica suprema para se atingir a virtuosidade do violino.
Das múltiplas gravações desta grande obra barroca, seleccionei as seguintes:


Se tivesse que escolher apenas uma, optaria pela sugestão A, uma vez que se trata de uma magnífica gravação de uma grande orquestra com instrumentos da época.
Fica aqui a sugestão para se deliciar com uma gravação deste grande compositor.

Por: Maia Ramos

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