Associação Dinamizadora dos Interesses de Basto
Edição de 29-09-2014

Arquivo: Edição de 26-05-2008

SECÇÃO: Opinião

OS IDOSOS ANDAM COM MEDO E SEM ALEGRIA DE VIVER

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Viver pressupõe e exige um clima de confiança,
de serenidade, de paz dentro de nós e à nossa volta.
Caem-nos cada dia no computador mensagens de pessoas amigas, com pedido de que enviemos a outras, a prevenir, contra a aceitação de chamadas telefónicas de certo teor, que podem levar os incautos à sua própria ruína. O mesmo acontece em relação ao correio electrónico, infestado por interesses injustos e malévolos, de dentro e de fora, que, anunciando maravilhas escondem desgraças. Entra-se assim no que é nosso, neste mundo aberto e de todos, como é o da comunicação, com intuitos de destruir ou de a outros beneficiar, pouco ou nada podendo nós fazer para impedir, contrariar ou responsabilizar outrem pelos prejuízos sofridos.
Viver pressupõe e exige um clima de confiança, de serenidade, de paz, dentro de nós e à nossa volta. Tudo o que perturba, sem que se lhe veja a ponta, destabiliza, cria fantasmas, multiplica desconfianças.
Há quem goste de navegar nas águas do quanto pior melhor, e quem aprecie muito a política da terra queimada, que também nisso vão os seus interesses. Sempre que para uns a vida entusiasma menos, para outros ela torna-se espaço apetecível para um trabalho, onde a luz só incomoda.
As pessoas sem escrúpulos, que por aí vão abundando, procuram os idosos indefesos e a viver sós, para poderem assaltar, roubar e, muitas vezes, ferir e até matar, não levando deles mais que o seu modesto pé de meia, bem poupado à custa de sacrifícios dispensáveis, mas na expectativa de momentos mais aflitivos. Estes idosos nos dias de hoje vivem numa situação de medo, desconfiança e alegria de viver, porque os burlões não param de os abordar. Nos meios rurais desertificados, esta classe etária encontra-se diariamente em perigo eminente, apesar de muitos meios electrónicos que lhe sejam distribuídos e são bem-vindos, muitas destas pessoas não os sabem manusear. Gente como esta é sempre fácil de enganar com promessas que fazem sonhar com dias melhores. A vida, com a dor e o peso que lhe tiram o sentido e a alegria de viver, no horizonte só a morte aparece.
A solução não está na abundância de agentes de autoridade, porque num contexto que se generaliza, a sua presença será mais dissuasora que correctora. Está numa séria educação de base e no apoio claro a todos os educadores, na protecção à família, primeiro e mais determinante espaço humanizador, na eliminação corajosa dos focos de contaminação, na luta contra as desigualdades sociais provocadoras e irritantes, na aceitação pública de todos, pessoas e instituições, que defendem, propõem e testemunham valores morais que ajudam a subir os horizontes e fortalecer as vontades, na procura nunca abandonada de meios que favoreçam a paz, a segurança, a reconciliação e a confiança mútua, bem como a correcção exemplar dos prevaricadores.
Andam muitos responsáveis políticos ocupados e afadigados com os aspectos económicos e financeiros do país e fortalecer a imagem do mesmo para o exterior, para os abutres destruírem aquilo que possuímos.
Porém, a riqueza de um país, são as pessoas e a cultura que lhes deu e dá referências enraizadas, capazes de transmitir sentido à vida, participação de todos no que a todos diz respeito, capacidade de relação e convivência com todos, mesmo que sejam de outras culturas e raças e agora coabitam connosco. Se a riqueza de um país são as pessoas, os idosos foram e continuam a ser a pedra basilar de hoje Portugal ser uma República Soberana, emprenhada na construção de uma sociedade livre, justa e solidária, e não se vislumbram meios como protegê-los. Neste contexto, os idosos são vítimas que não têm voz.

Por: Manuel Sousa

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