Associação Dinamizadora dos Interesses de Basto
Edição de 29-09-2014

Arquivo: Edição de 14-04-2008

SECÇÃO: Cultura

.……UM COMPOSITOR

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Ludwig van Beethoven

Ludwig van Beethoven nasceu na Alemanha na cidade de Bona em 16 de Dezembro de 1770, tendo sido baptizado no dia seguinte, como era costume da época.
A mãe de Beethoven, Maria Magdalena Kewerich, filha de um chefe de cozinha da realeza casou duas vezes. Do seu segundo marido, Johann van Beethoven, teve sete filhos. O segundo filho deste casamento foi o compositor Ludwig van Beethoven.
Ludwig nunca teve estudos muito aprofundados, mas no entanto revelou um talento especial para a música. O seu pai era músico da corte e dava aulas de canto e piano, mas tinha uma grave dependência pelo álcool. No entanto, ao aperceber-se do talento do filho, viu nele um segundo Mozart e daí uma salvaguarda para o seu futuro.
Ludwig vai pagar muito caro as ambições do pai.
Johann van Beethoven quando chegava embriagado da taverna, depois da meia-noite, acordava o filho e obrigava-o a sentar-se ao piano e a ensaiar até ao romper do dia. Muitas vezes era fechado na despensa e, outras vezes, era privado de comer.
Beethoven, sendo de facto um músico dotado, não era nenhum Wolfgang Amadeus Mozart, apesar de com aquele tenebroso ambiente familiar ter-se tornado num excelente pianista, ainda em criança, e num violinista de mérito.
Aos 8 anos de idade teve lições de cravo, piano, violino, viola, órgão e trompa com vários professores da sua área. Em 1781 começou a ter aulas de composição e de tecla com Cristian Gottlob Neefe. Era um aluno difícil, mas progredia a um ritmo rápido e, ao fim de um ano, já era adjunto de Neefe como organista da corte, tendo sido admitido na orquestra como cravista. Como prémio dos seus progressos, aos 16 anos, teve uma viagem a Viena, subsidiada pela corte para estudar com Mozart. Deste encontro consta-se que Mozart terá dito:
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“Fiquem de olho neste”
“Um dia vai dar que falar no mundo”.
Em 1792, Ludwig mudou-se para a Áustria, para a cidade de Viena, onde permaneceu até ao resto da sua vida, mais propriamente até 26 de Março de 1827.
Dois anos mais tarde, em 1794, Ludwig começou a sentir os primeiros indícios de surdez. Consultou vários médicos, mas não encontrou solução. Entrou em profunda crise depressiva e tentou o suicídio. Aos 46 anos de idade (1816) estava completamente surdo, mas, apesar disso, conseguiu compor 44 obras musicais até à sua morte. No entanto, ao contrário do que muitos pensam Ludwig van Beethoven nunca perdeu totalmente a audição, mas, nos seus últimos anos da sua vida, já não tinha condições para acompanhar uma orquestra e para interpretar certas nuances musicais.

OBRAS-PRIMAS

Orquestra
1880 Sinfonia nº 1
1803 Sinfonia nº 3 “Heróica”
1806 Concerto para Violino em Ré maior
1808 Sinfonia nº 6 “Pastoral”
1809 Concerto para Piano nº 5 “Imperador”
1812 Sinfonia nº 7
1824 Sinfonia nº 9 “Coral”

Coral e Ópera

1804 - 1805 Fidélio (ópera)
1819 - 1823 Missa Solemnis (Missa em Ré)
Sonatas para Piano
1801 Nº 14, “Ao luar”
1805 Nº 23, “Appassionata”
1818 Nº 29, “Hammerklavier”

Câmara
1802 - 1803 Sonata “Kreuzer” para Violino
1805 - 1806 Quartetos de Cordas “Rasumovsky”
1826 Quarteto de Cordas em Dó sustenido menor


.…. UMA MÚSICA

Beethoven considerava a Missa Solemnis como a melhor obra do seu reportório, tendo dito:
- Esta é a minha obra-prima.
Eu vou seleccionar a Nona Sinfonia, por ser provavelmente a obra mais conhecida de toda a música dita “clássica” europeia, com muita pena de não poder acrescentar a Sonata para Piano nº 8 “Patética” na interpretação de Arthur Rubinstein. Muita gente não conhece Ludwig van Beethoven, mas conhece a “Nona”. Esta sinfonia serviu de banda sonora ao filme Laranja Mecânica, de Stanley Kubrick, realizado em 1971 e baseado num romance muito controverso de Antony Burgess.
Nesta Sinfonia foi introduzida, pela primeira vez a voz humana, o que constituiu uma grande novidade na época. Serviu de base a poesia “Ode na Freude” (Ode à Alegria) de Friedrich Schiller, a qual foi modificada e adaptada por Beethoven no quarto movimento da sinfonia, com um coro e quatro solistas. Este movimento foi escolhido como Hino da União Europeia.

Poesia de Friedrich Schiller (modificada)

Baixo
Oh amigos, mudemos de tom!
Entoemos algo mais prazeroso
E mais alegre!
Baixo. Quarteto e coro
Alegre, formosa centelha divina,
Filha do Elíseo,
Ébrios de fogo entramos
Em teu santuário celeste!
Tua magia volta a unir
O que o costume rigorosamente dividiu.
Todos os homens se irmanam
Ali onde teu doce voo se detém.
Quem já conseguiu o maior tesouro
De ser o amigo de um amigo,
Quem já conquistou uma mulher amável
Rejubile-se connosco!
Sim, mesmo se alguém conquistar apenas uma
alma,
Uma única em todo o mundo.
Mas aquele que falhou nisso
Que fique chorando sozinho!
Alegria bebem todos os seres
No seio da Natureza:
Todos os bons, todos os maus,
Seguem seu rastro de rosas.
Ela nos deu beijos e vinho e
Um amigo leal até a morte;
Deu força para a vida aos mais
humildes
E ao querubim que se ergue diante de
Deus!
Tenor e coro
Alegremente, como seus sóis corram
Através do esplêndido espaço celeste
Se expressem, irmãos, em seus
caminhos,
Alegremente como o herói diante da
vitória.
Coro
Abracem-se milhões!
Enviem este beijo para todo o mundo!
Irmãos, além do céu estrelado
Mora um Pai Amado.
Milhões se deprimem diante Dele?
Mundo, você percebe seu Criador?
Procure-o mais acima do Céu estrelado!
Sobre as estrelas onde Ele mora!

De facto, considero que este poema foi uma boa escolha para o Hino da União Europeia, uma vez que faz alusão a questões como o Humanismo, a Fraternidade, a Igualdade e a Liberdade.

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Há muita discografia editada desta grande obra de Ludwig van Beethoven. Das várias existentes, aconselho as duas seguintes gravações:

A
BIS – BISSACD1616
(SACD)

Esta gravação foi editada por uma discográfica sueca em formato Super Áudio-CD. Como se trata de um disco híbrido pode ser lido num leitor vulgar de CD‘s, no entanto para se tirar o melhor partido da gravação é necessário um leitor de SACD multicanal. Esta interpretação é dirigida pelo maestro Osmo Vänskä.
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No meu sistema prefiro ouvir uma interpretação dirigida por Sir Georg Solti, editada pela Decca em vinilo. Claro que é preciso um bom gira-discos!

B
EuroArts – 2072408
(DVD Video)

Esta gravação em vídeo editada com a etiqueta EuroArts, foi realizada em Berlim em 31 de Dezembro de 1977 e conta com o maestro Herbert von Karajan à frente da Orquestra Filarmónica de Berlim e Coro da Ópera de Berlim com os solistas Anna Tomowa-Sintow, Agnes Baltsa, René Kollo e José Van Dam. (Grande interpretação de Karajan!)

Por: Maia Ramos

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