Associação Dinamizadora dos Interesses de Basto
Edição de 29-09-2014

Arquivo: Edição de 14-04-2008

SECÇÃO: Informação

No âmbito do Ciclo de Conferências “Políticas de Futuro”
Cabeceiras debateu «A valorização do património Religioso»

No âmbito do Ciclo de Conferências “Políticas de Futuro” que a Câmara Municipal Cabeceirense está a dinamizar desde 2006, decorreu no dia 4 de Abril, no Auditório Municipal Ilídio dos Santos, a 17ª edição, desta feita subordinada ao tema “A Valorização do Património Religioso de Cabeceiras de Basto”.
Tendo como oradores convidados o Reverendo Professor Doutor Frei Geraldo Coelho Dias e o Dr. Varico Pereira, que na ocasião falaram sobre “A importância do Mosteiro de S. Miguel de Refojos na História de Cabeceiras de Basto” e “A importância do Património Religioso na Dinamização do Turismo Local”, respectivamente.

A valorização do património religioso enalteceu debate
A valorização do património religioso enalteceu debate

«Jóia monumental de Cabeceiras de Basto»

Durante a sua intervenção, o investigador Frei Geraldo Coelho Dias, enalteceu o Mosteiro de S. Miguel de Refojos, que considerou a «jóia monumental de Cabeceiras de Basto», cuja história mais que milenar, se prolonga para além da fundação da nacionalidade Portuguesa. Tão importante ela é em termos de ocupação humana, que sem ela não seria possível explicar e acompanhar a diacronia deste antigo concelho de Cabeceiras de Basto. O ambiente bucólico desta região, cujo centro urbano se abriga à sombra do secular mosteiro beneditino, não deixou de surgir temas literários e escritores de vulto. Destacam-se, o renascentista Sá de Miranda, Frei Jerónimo Baía, notável beneditino que aqui viveu como conventual em 1668 e foi colaborador do “Postilhão de Apolo” da Arcádia Lusitana, Camilo Castelo Branco, que a partir desta Igreja deu arranque ao seu romance “A Bruxa de Monte Córdova” ao tempo das lutas entre liberais e absolutistas em 1832, até, em tempos modernos, ao escritor Braquinho da Fonseca que tendo vindo a Cabeceiras conheceu na Pensão do Fundo, o Dr. António “Barão”.
Mosteiro de monaquismo autóctone, envolto de maravilhosa e rica paisagem, foi assumindo crescente importância ao longo dos tempos. A partir do Século XII, é testemunhada a observância benedetina, de que o celebrérrimo cálice oferecido por Gueda Mendes, ficou emblemático como preciosa obra da primitiva ourivesaria portuguesa. Este Gueda Mendes foi o primeiro patrono do Mosteiro ao qual D. Afonso Henriques deu carta de Couto (1131), que depois passou a ser Mosteiro.
Reis como D. Dinis quiseram manifestar a sua magnanimidade para com este Mosteiro, atribuindo-lhes terras. Recebeu também outras dádivas de benfeitores locais tais como Vasco Gonçalo Barroso, primeiro marido de D. Helena Alvim que, uma vez viúva, se tornou esposa do Condestável D. Nuno Álvares Pereira. Dádivas estas que nada mais eram de que terras, muitas terras, que se estendiam até Murça.
Na sua intervenção, Frei Geraldo Coelho Dias associou ainda à história deste monumento e desta terra nomes de vulto tais como, André Soares, famoso arquitecto bracarense, Fr. José de Santo António Vilaça, conhecido entalhador, Francisco António Solla, afamado organeiro, entre outras figuras ilustres que o levam a afirmar que “Cabeceiras de Basto tem lugar na cultura”.

Património religioso ganha expressividade no turismo Português

Por sua vez, Dr. Varico Pereira, Secretário-Geral do Congresso Internacional de Turismo Cultural e Religioso, em representação da Turel – Coorperativa de Turismo Cultural e Religioso, realçou a importância do património religioso na dinamização do turismo local. Este tipo de Monumentos herdados do passado, tais como o Mosteiro de S. Miguel de Refojos, resultam da relegião e ganham cada vez mais importância nas viagens de motivação religiosa e turística. Outrora direccionado para o sol e mar, o turismo em Portugal, começa cada vez mais a direccionar-se para o campo da cultura e da religião, com a definição de novas rotas onde o património religioso ganha expressividade. Este docente da Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro deu o exemplo da Rota Nacional do Barroco e da Rota Beneditina, percursos em estudo, onde o mosteiro de S. Miguel de Refojos se insere, realçando ainda a importância das parcerias a estabelecer entre Governo, Autarquias, Instituitções Religiosas e Empresários, como forma de promover, divulgar e potenciar o valioso património existente não só nesta região, como também no país.

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