Associação Dinamizadora dos Interesses de Basto
Edição de 29-09-2014

Arquivo: Edição de 24-03-2008

SECÇÃO: Opinião

.……UM COMPOSITOR

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Wolfgang Amadeus Mozart

Wolfgang Amadeus Mozart, filho de Leopold Mozart e de Anna Maria Pertl, nasceu em Salzburgo a 27 de Janeiro de 1756 e morreu a 5 de Dezembro de 1791 em Viena na Áustria.
Foi baptizado no seguinte ao seu nascimento na Catedral de São Ruperto com o nome latino de Johannes Chrysostomus Wolfgangus Theophilus Mozart.
Johan Georg Leopold Mozart foi compositor, professor de música e um virtuoso violinista tendo até escrito um tratado sobre a arte de tocar violino. Do casamento com Anna Pertl nasceram sete filhos, mas só sobreviveram apenas dois, Anna Maria (carinhosamente chamada de Nannerl) e Wolfgang Amadeus Mozart.
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Nannerl começou a aprender a tocar cravo com o pai aos sete anos de idade e começou a mostrar um certo talento. Segundo refere Nannerl nas suas memórias o seu irmão Amadeus Mozart, com quatro anos de idade esperava que a lição terminasse para depois ficar horas em frente ao teclado.
Aos quatro anos de idade Mozart já tocava violino e cravo como um criança com o triplo da sua idade e com o triplo de tempo de estudo de música e aos cinco anos já compunha minuetos e outras pequenas peças para tocar em parceria com a irmã.
Leopold Mozart que trabalhava ao serviço do príncipe-arcebispo de Salzburgo como vice-kappelmeister, ao aperceber-se do talento divino do filho e da possibilidade de com ele trazer um fonte de receita mais sólida e consistente deixou o seu emprego e dar lições de violino para poder dedicar-se totalmente a Amadeus Mozart. Tendo muita vaidade na genialidade do filho, mas sem esquecer a situação financeira levava-o a todas as casas aristocráticas e principescas e obrigava-o a executar alguns jogos musicas. Este facto está bem documentado no filme “Amadeus” (filme realizado em 1984, dirigido pelo cineasta checo Milos Forman e premiado com 8 Óscares, que relata o relacionamento entre os compositores Wolfgang Amadeus Mozart e António Salieri, que eram rivais).
Mozart passou a maior parte da sua infância e adolescência a viajar com o pai por várias cidades europeias e finalmente chegou a Paris, onde provocou uma grande entusiasmo. Com perdia muito tempo nas viagens Mozart tinha um método muito próprio de composição. Primeiro criava a música na sua cabeça enquanto fazia outras coisas e logo que tivesse oportunidade, pegava numa partitura em branco e escrevia com uma velocidade impressionante toda a música que tinha gravado na sua mente. A sua infância muito atribulada e a protecção sempre constante do pai vão influenciar negativamente, a meu ver a sua personalidade futura.
Aos 12 anos já era um compositor de altíssima qualidade. Aos 16 anos já tinha composto quase 200 obras musicais de vários géneros (!)
Aos 25 anos estabelece-se em Viena e no ano seguinte casa com Constance Weber.
Nos últimos anos da sua vida Mozart compôs as suas maiores obras de palco e a maior parte da sua música instrumental.
Começaram então os grandes problemas da sua vida: o seu matrimónio começa a fragilizar-se, os seus filhos morriam prematuramente, dívidas e incompreensão para o músico e para o homem. Como tinha que trabalhar desumanamente, pois as suas encomendas musicais rendiam pouco dinheiro a sua saúde começou a debilitar-se. O filme “Amadeus” especula o consumo exagerado do álcool, mas não vi isto relatado em mais alguma parte. O casal começou a viver com a ajuda da generosidade de alguns amigos e só em 1787 pode contar com uma pensão anual do Imperador José II. Em 1790 recebeu uma encomenda para compor uma Missa de Requiem. Pobre e muito doente, ao trabalhar nesta obra religiosa, teve um ataque de paralisia e morreu no dia 5 de Dezembro de 1791, sem ter acabado o Requiem. Teve umas cerimónias fúnebres muito discretas e foi enterrado numa vala comum com um dúzia de cadáveres de indigentes. Hoje nem se sabe o lugar exacto onde Mozart foi sepultado e o crânio conservado no Mozarteum de Salzburgo porventura não será o seu.
Apesar de ter falecido apenas com 35 anos Mozart deixou para o Mundo um vasta obra musical e de vários géneros. Nada menos que 41 Sinfonias, 27 Concertos para Piano, 5 Concertos para Violino, 4 Concertos para Trompas, 1 Concerto para Oboé, 1 Concerto para Clarinete, 1 Concerto para fagote, 1 Concerto para 2 Pianos, 1 Concerto para 3 Pianos, 1 Concerto para Flauta e Harpa, 17 Divertimentos, 13 Serenatas, mais de 100 Minuetos, etc.
Da música vocal fazem parte 19 Missas, 4 Cantatas, 24 Óperas, 12 árias de Concerto e 50 Canções para Voz e Piano.
O catálogo geral das obras de Mozart foi idealizado pelo botânico, mineralogista e biógrafo alemão Ludwig Köchel (1800-1977), daí a razão de aparecer a letra K ou KV junto ao título das obras. O biógrafo ordenou as obras em ordem cronológica a partir da mais antiga, sendo K1 um minueto para cravo, escrita aos quatro anos de idade e K626 o Requiem, obra inacabada.

OBRAS-PRIMAS

Orquestra
1778 Sinfonia Concertante K.364
1786 Concerto para Piano em Lá maior K. 414
1786 Concerto para Trompa em Mi bemol maior K. 447
1787 Serenata para cordas K. 203
1788 Sinfonia nº 40 em Sol menor K. 550
1788 Sinfonia nº 41 em Dó maior, “Júpiter” K. 551
1791 Concerto para Clarinete K. 622

Câmara
1787 Quinteto de Cordas em Sol menor K. 406

. …. UMA MÚSICA
Escolher uma música no vasto reportório e diversificado de Mozart é tarefa muito difícil e variável de pessoa para pessoa. Depois de muita hesitação a minha escolha vai para a Missa de Requiem em Ré Menor.
O Requiem de Mozart, provavelmente o mais conhecido junto ao de Verdi foi a última obra do compositor antes da sua morte. Especula-se muito sobre a história do pedido desta composição coral. A versão do filme “Amadeus” não tem qualquer rigor histórico. António Salieri, compositor italiano que viveu na mesma época de Mozart e se cruzou várias vezes consigo, nada teve a ver com a encomenda da obra. Segundo o filme Salieri é o principal causador do agravamento da doença de Mozart que o levou à morte devido ao esforço em tentar acabar a obra encomendada. Realmente Salieri tinha inveja do Mozart provavelmente por não ter o seu talento, mas não ao ponto de se vestir com uma roupa de Leopold Mozart e encomendar um Requiem.
O que realmente aconteceu foi o seguinte:
Em Julho de 1971, bateu à porta da sua residência um mensageiro, que não se identificou e deixou Mozart encarregado da composição de um Requiem. O mensageiro deixou um certo adiantamento em dinheiro e que tornaria ao fim de um mês.
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Soube-se mais tarde que aquela enigmática personagem tinha sido enviada pelo conde Franz-Walsseg, cuja esposa tinha falecido. O conde pretendia a Missa de Requiem para o ritual fúnebre no enterro da sua esposa. Mantinha o anonimato no pedido para fazer crer aos amigos que era ele que compunha as obras musicais.
Comenta-se que Mozart, obsessivo com as ideias de morte desde o falecimento do seu pai, fragilizado pela doença e com as suas vinculações à Maçonaria e pelo aspecto misterioso do mensageiro acreditou que este era o mensageiro do Destino e que a Missa dos Mortos que iria compor era para o seu próprio funeral.
Da vasta discografia editada desde obra-prima de Mozart, saliento as duas seguintes gravações digitálicas, uma em áudio e outra em vídeo.
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Esta interpretação do Requiem foi executa em Dezembro de 2003 em Viena (Áustria) pela orquestra Concentus Musicus Wien e pelo coro Arnold Schoenberg Chor e dirigida pelo maestro alemão Nikolaus Harnoncourt. Foi gravada em SACD Surround. Trata-de um disco híbrido que pode também ser lido num leitor de CD‘s vulgar, mas para se tirar toda a potencialidade da gravação é necessário um leitor de Super Áudio CD multicanal.
Este concerto com a Wiener Philharmoniker dirigida por Sir Georg Solti e com a presença da cantora mezzo-soprano italiana Cecília Bartoli foi gravado em Viena em 5 de Dezembro de 1991 na catedral St. Stephen para comemorar o 200º aniversário da morte de Mozart.
(Nota: é necessário um leitor de vídeo com sistema de regiões PAL / NTSC.)

Maia Ramos

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