Associação Dinamizadora dos Interesses de Basto
Edição de 29-09-2014

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SECÇÃO: Opinião

Esquecidos

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Gabriel de Moura Coutinho

Neste dia 26 de Março passam 149 anos da morte de um jovem, levado deste mundo com 24 anos incompletos de idade. Era um jovem muito prometedor que, nos seus poucos anos de vida, já tinha dado mostra do seu talento e pronunciava o eclodir duma grande carreira ao serviço de Deus e da Educação, pela via do serviço divino e o ensino.
Chamava-se Gabriel de Moura Coutinho, nascido em Abadim, filho de Joaquim de Moura Coutinho e de D. Maria Cândida de Almeida Barreto. Foi a 22 de Maio de 1834 que os seus olhos se abriram para o mundo.
Filho de uma família conceituada e com posses frequentou o seminário e o liceu de Braga, onde se distinguiu pelos seus dotes de estudante. Passou de seguida à frequência dos seminários do Bombarral, Sernache e Coimbra. O jovem estudante sentia que a sua vocação estava destinada para o serviço das missões. Mas querendo desempenhar este serviço na plenitude, entendeu não estar devidamente preparado e solicitou a sua admissão no já então célebre colégio de Loyola (Espanha), do Instituto de Santo Inácio da Companhia de Jesus. Em 5 de Outubro de 1857 aí foi recebido como noviço. A sua saúde era precária e os ares dos Pirinéus fizeram-na agravar. Foi aconselhado a regressar a Portugal, o que fez, acoitando-se nos arrabaldes de Lisboa.
Mas o mal era de morte e finou-se em 26 de Março de 1859.
Os jornais da época não esqueceram o seu passamento. “Lêem-se a seu respeito” – diz Inocêncio no seu Dicionário Bibliográfico Português – “comemorações mui honrosas nos jornaes A Nação nº 3428, de 19 de Abril, e Atalaia Catholica nº 189, datado de 20 de Março, mas publicado muito depois. A última vem acompanhada de uma sentida poesia, pelo Sr. J.J. de Almeida Braga, amigo particular do finado.”
A sua estadia em Braga foi muito proveitosa. Começou por escrever artigos para a imprensa bracarense, sendo conhecidos:
- Defesa das acusações contra o Administrador de Cabeceiras de Basto, no nº 83 do “Moderado de 1854 - , que saiu no Pharol do Minho, no nº 49 do mesmo ano;
- Duas palavras sobre Gallicismos (título enganador, porquanto era bem extenso, que foi publicado nos nºs 7,9,10,11,13,15 e 16 do jornal literário de Braga chamado “Murmúrio” – 1856).
A Tipografia Lusitana de Braga publicou em 1857, o seguinte livrinho, com XIX + 183 páginas:
“Análise Crítica sobre os vícios da linguagem que se encontram nas duas cadernetas de Philosofia, adaptado no Lyceu de Braga.”
É ainda atribuída a Gabriel de Moura Coutinho a tradução do livro “ A conversão a Deus, pelo Padre J. Perdrau, clérigo de S. Thomás de Aquino. Traduzido da segunda edição de Paris.” Esta tradução foi impressa em Braga, em 1856, com 164 ps., pela já referida Typographia Lusitana, não constando o nome do tradutor.
Comemora-se assim, no próximo ano o centésimo quinquagésimo aniversário do falecimento de uma figura grata de Abadim, o clérigo minorista Gabriel de Moura Coutinho.

Por: Francisco Vitor Magalhães

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