Associação Dinamizadora dos Interesses de Basto
Edição de 29-09-2014

Arquivo: Edição de 31-10-2007

SECÇÃO: Opinião

ARMANDO LEÇA

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Um dos maiores vultos da música regional portuguesa

IV

Em quatro versos e oito compassos,
Cabe tanta coisa, tanta
Como só a gente portuguesa o sabe.
Em números anteriores deste jornal abordei, a traços largos, aspectos biográficos desta ilustre personalidade.
Foi para mim uma honra apresentar aos leitores, que porventura o não conheciam, um os maiores folcloristas que Portugal já conheceu.
Aqui chegados, e sabendo o valor e a obra deste mestre, dirá o já impaciente leitor: mas afinal que interesse é que tal personalidade terá para Cabeceiras de Basto?
Como se recordará, referi que Armando Leça, nas suas viagens, percorreu praticamente todo o país, recolhendo não só registos sonoros como fotográficos.
Deixou centenas, ou mesmo milhares, de registos fotográficos de todas as zonas do país.
Pois nessas deambulações, Armando Leça esteve no concelho de Cabeceiras de Basto, pelo menos na Vila, Cavez (1) e Bucos, onde tirou algumas fotografias.
É de Bucos a seguinte quadra por ele divulgada:
Nesta terra não há rosas
Já secaram as roseiras;
as rosas da nossa terra,
são as raparigas solteiras.

Também de Bucos, sob a temática do Mar:
Ó meu barqueirinho novo
Feito de pau de madeira
Foi à ilha noba
Por causa da nebulina

A “jeitosa” Rosalina de Bucos assim lhe cantou:
Ó moças bamos ao bira
Qu’aí bem a biração
O meu pai é o pai do bira
E o bira é meu irmãoi

E á gente rural de Bucos viu bailar o malhão, ouviu-lhes o quaresmal amentar as almas e deixou-se embalar pelas monodias de arrolar.
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Na Discoteca da Música Popular Portuguesa, por si dirigida, nomeadamente nos discos 17 e 18, da série dedicada ao Minho, reproduz as seguintes melodias de Bucos:
Disco 17 – I – Barqueirinho; II – Alecrim; III -. Que te importa a minha saia?; IV – Repi-piu;
Disco 18 – I – Laranja (Toma lá esta); II – Vira-de Bucos;
Quanto ás melodias, oriundas de Cabeceiras de Basto, põe si estilizadas e usados nos filmes portugueses, hoje já clássicos, apuramos as seguintes:
*Negro Melro, na 3º parte de “Os Fidalgos da Casa Mourisca”;
* Re-pi-piu, na 6º parte de “Os Fidalgos da Casa Mourisca”;
Há poucos anos, o seu filho Tenente-coronel Rui de Freitas Lopes doou à Câmara Municipal de Matosinhos o acerbo fotográfico de seu pai, composto por elevado número de negativos.
Alguns desses registos fotográficos referem-se ao concelho de Cabeceiras de Basto, conforme já referi.
No Museu da Rádio, existem 87 bobines magnéticas com as recolhas efectuadas por Armando Leça por todo o país. Quantas delas serão deste concelho?
Como julgo ser do maior interesse para a cultura local a divulgação dessa recolha, revestir-se-ia da grande relevância o facto de alguma entidade cultural concelhia contactar aquelas entidades, compilando o que achar de interesse para o concelho, podendo tais elementos integrarem uma futura publicação.
Aqui fica a ideia.

Principal Bibliografia utilizada
1- “O Maestro José Lopes, Zé da Gaita, in “O Tripeiro”, n.º 10, Fevereiro de 1957
2- “Armando Leça”, Ten. Cor. Rui de Freitas Lopes, in Boletim da Biblioteca Pública Municipal de Matosinhos, n.º 24, 1980;
3- “Música Popular Portuguesa”, Armando Leça, 1º volume
4- “Da Música Portuguesa”, Armando Leça, 2º edição, Livraria Educação Nacional, Porto, 1940;
5- “O Notícias Ilustrado”, n.º 350, 1935;
6- Ilustração Portuguesa

(1) – Em Cavez fotografou, pelo menos, a ponte, ainda com as guardas de pedra, e a Capela da Casa da Ponte.

Por: Américo Freitas

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