Associação Dinamizadora dos Interesses de Basto
Edição de 29-09-2014

Arquivo: Edição de 15-10-2007

SECÇÃO: A nossa gente

António Paulo Pereira Guerra
Ao leme do Grupo Desportivo de Cavez

Paulo Guerra, um jovem empresário da construção civil, tem vindo ao longo dos anos a assumir a liderança do Desportivo de Cavez, Clube a que dedica grande parte do seu tempo. Presidente, treinador e actualmente, também atleta, Paulo Guerra está onde fizer falta, para manter vivo um clube onde a prioridade é ajudar a formar homens, ter uma equipa a jogar na terra, dinamizar a colectividade e fazer com que as pessoas gostem de ver futebol e participem nas diferentes acções desenvolvidas.
Um “carola”, que apesar dos resultados alcançados, gere o clube com entusiasmo, sem euforias e sempre com saldo positivo. O dinamismo da associação é elogiado por todos. Organiza provas de atletismo, apoia a realização de diversas iniciativas sócio-culturais e desportivas e agrega em torno deste projecto gente de todas as camadas da população.

Plantel de Cavez - época 2007/2008
Plantel de Cavez - época 2007/2008
Ecos de Basto [E.B.] - Na época anterior acumulou as funções de presidente e de treinador do Grupo Desportivo de Cavez, nos regionais de Braga? Mantém essas tarefas na presente época desportiva?
Paulo Guerra [P.G.] – Sim. Actualmente sou presidente, treinador e atleta. Estive mais de duas décadas a defender a baliza, mas agora estou no banco. Sou polivalente. Também ajudo a tratar das roupas se for necessário. Não é difícil. Gosto de trabalhar no e para o Clube.
[E.B.] - Apesar das tácticas criativas que utilizou surpreendendo os adversários, o Grupo Desportivo de Cavez acabou a época no último lugar da 1ª Divisão da Associação de Futebol de Braga. Como comenta este resultado?
[P.G.] – Os outros clubes eram mais fortes. Mas também não contávamos subir. Jogar em outras divisões requer mais treinos e nós apenas treinamos duas vezes por semana e por vezes com metade dos jogadores. Apesar de não haver grandes desequilíbrios nos jogos, o facto é que perdíamos por 1-0, 2-0…
[E.B.] - Sabemos que o GDC pretende acima de tudo fazer desporto e ter uma colectividade a funcionar. Este é um objectivo para manter?
[P.G.] – Sim. Este é um dos objectivos principais que queremos manter. Mas também queremos aumentar o património da colectividade.
[E.B.] - Apesar de ocupar o último lugar, o GDC não tem dívidas? Qual é o segredo para ter uma conta bancária com saldo positivo?
[P.G.] – O segredo é o trabalho. Não usamos de euforias. Trabalhamos no dia a dia. Damos os prémios que podemos e ajudamos nas diferentes tarefas. Não pagamos aos jogadores e sempre que saímos, os dirigentes ajudam nas despesas, quer seja nas deslocações, quer seja no lanche dos jogadores. Gerimos muito bem o dinheiro dos sócios e os apoios que nos dão.

Camisola oferecida pelo ex-Benfiquista Tiago ocupa lugar de destaque na sede do G.D.C.
Camisola oferecida pelo ex-Benfiquista Tiago ocupa lugar de destaque na sede do G.D.C.
[E.B.] - O que espera da equipa na presente época?
[P.G.] – Esperamos essencialmente que a equipa se aguente e vença alguns jogos. Começamos a ganhar, mas já perdemos alguns desafios fora de casa, o que é normal, o mesmo não digo quando estamos a jogar em casa, mas o que também já aconteceu. Talvez por excesso de confiança. Espero no entanto que tenhamos humildade suficiente, que façamos o nosso trabalho e que alcancemos alguns resultados. Não entramos em euforias. Claro que se pudéssemos subir, gostávamos, como qualquer outra equipa, mas esse não é o nosso principal objectivo. Nunca foi. O nosso objectivo é ter uma equipa a praticar futebol para que as pessoas possam ver, formar jovens e contribuir para dinamizar o clube da nossa terra.
[E.B.] - Está satisfeito com o plantel? Como consegue atletas para jogar no Clube?
[P.G.] – Estou satisfeito com os atletas. Temos uma ou outra lacuna, mas de uma maneira geral estou satisfeito. Procuramos sempre arranjar soluções, o que não é fácil. A maior parte dos jogadores são de outras freguesias e quando saem ou é para jogar nos clubes das suas terras, para trabalhar fora ou porque deixam de jogar, o que é compreensível. Mas de uma maneira geral as pessoas gostam do Cavez. Basta referir que na pré-epoca do ano passado tínhamos 40 elementos inscritos e nesta época, num dos recentes treinos, apareceram mais dez jovens. Tratamos bem os jogadores. Não ganham nada, mas gostam do Cavez e em alguns casos até trocam os clubes da terra pelo nosso porque se sentem bem. Dou sempre aos atletas uma oportunidade. Além de formar jogadores, procuro criar homens pois considero que jogar futebol é uma cultura. Aqui as pessoas têm que aprender a respeitarem – se uns aos outros. Nesta equipa ninguém é profissional e dificilmente os jogadores vão, no futuro, ganhar dinheiro com o futebol. Para a maior parte, é uma forma de praticar desporto e de conviver, por isso procuro dar-lhes conselhos que lhe sirvam para a vida. Em Cavez para se ganhar é preciso jogar bem. Temos mesmo que ser os melhores em campo.
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[E.B.] - Continua a ser o guarda-redes, além de presidente, treinador e motorista?
[P.G.] – Agora já não sou guarda-redes. Sou atleta. Mas sempre que fizer falta estou apto.
[E.B.] - Que resultados espera na presente época?
[P.G.] – Espero que o Cavez fique a meio da tabela. Sem dívidas e que tudo corra bem. Que ninguém se aleije e que durante esta época sejamos uma equipa de amigos que motivem as pessoas a ir ao futebol e que os atletas sintam orgulho do seu trabalho. Os resultados também são importantes, logicamente. Sabemos no entanto, que os outros clubes se reforçaram e que apresentam agora equipas mais fortes. Não podemos fazer milagres, os outros também estão na competição. O ano passado ficamos em último lugar. Este ano, vamos lutar pelo melhor resultado possível.
[E.B.] – O Grupo Desportivo de Cavez aposta na formação?
[P.G.] – Não. Não há muitos jovens aqui na terra para fazer as camadas jovens. Poderíamos apostar no futsal, mas neste momento também não temos quem possa acompanhar e trabalhar uma equipa. Tivemos juvenis e juniores mas acabamos com estas camadas porque davam alguns problemas. Está fora de questão.
[E.B.] - Quais os apoios que o GDC reúne?
[P.G.] – Temos bastantes sócios e o apoio de muitas pessoas que dão donativos pois acreditam e confiam no trabalho do Clube. Temos ainda um jornal, o BIC – Boletim Informativo de Cavez, do qual advém alguma receita. Envolvemo-nos ainda noutras actividades, tais como os cantares das janeiras, altura em que um grupo de pessoas da terra dá volta à freguesia e recolhe alguns apoios. A Câmara também dá o seu contributo que é muito importante, quer logística, quer monetariamente. Estou satisfeito. Os colegas da direcção ajudam naquilo que podem, pois a maior parte das pessoas de Cavez trabalham e nem sempre têm disponibilidade. Gasta-se muito tempo, mas no meu caso, faço isto com gosto, muitas das vezes com alguns sacrifícios pessoais e profissionais.
A sede dispõe de um espaço lúdico aberto aos sócios
A sede dispõe de um espaço lúdico aberto aos sócios
[E.B.] – Com referiu, o GDC publica um boletim informativo e dinamiza diversas acções em prol da comunidade. Como consegue isto?
[P.G.] – O jornal é feito basicamente por uma pessoa. Pelo professor José Manuel Borges, que é também um dos maiores dinamizadores da freguesia. Ajuda muito no Clube. Tem gosto por isto e dedica muito do seu tempo ao Cavez. Por outro lado, temos muitos associados que pagam as suas quotas e como tal o jornal não dá prejuízo.
[E.B.] – O Grupo Desportivo de Cavez aposta só no futebol ou tem outras modalidades?
[P.G.] – Apostamos também no atletismo. Ao longo do ano participamos em provas no concelho e em terras limítrofes. Procuramos algumas provas, organizamos outras quer pelo S. João, quer pelo S. Bartolomeu, em Junho e Agosto, respectivamente. Esta última atrai muitos atletas locais e também de fora, mas poderia atrair mais participantes, se o dia 23 de Agosto coincidisse sempre com o fim-de-semana.
De uma maneira geral, o Desportivo de Cavez oferece boas condições aos seus atletas, seja ao nível de instalações seja ao nível da direcção que participa e se envolve nas várias iniciativas que promove.

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