Associação Dinamizadora dos Interesses de Basto
Edição de 29-09-2014

Arquivo: Edição de 30-09-2007

SECÇÃO: Opinião

DUAS MULHERES DE BASTO E UM IMENSO TERRITÓRIO NA GÉNESE DA CASA DE BRAGANÇA

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UMA GRANDE E ILUSTRE DESCENDÊNCIA

Ainda que a morte de D. Brites de Alvim Pereira tenha ocorrido cerca de trinta anos antes da fundação da poderosa Casa de Bragança, o seu sangue vai perdurar – ainda hoje perdura – em muitos milhares de descendentes, espalhados desde logo por toda a Europa e depois pela Índia e pelo Brasil, devido aos casamentos e uniões com todas as grandes casas da nobreza europeia, situação que mais se materializou com a chegada ao trono de Portugal do 8º Duque de Bragança, agora D. João IV, rei de Portugal e dos Algarves.
Princesas, Infantes e Infantas bragantinas rumam para as mais diversas cortes da Europa; das mesmas chegam príncipes e princesas, nobres de grandes títulos, para unir o seu sangue aos de Bragança. Foram e vieram da real Casa de Bourbon (Espanha), da Casa Real Capetingia (Capetos de França), dos orgulhosos Saxe-Coburgo-Gotha da orgulhosa Inglaterra, da Imperial Casa Alemã e Real da Prússia, dos Habsburgos do Império Austro-Húngaro, da Italianíssima Casa de Sabóia, da Real Casa de Orange, da Casa Real de Hanover e Ducal de Brunswick e quantas mais.
Todos foram escrevendo o seu nome na História. Foram Reis e Rainhas, vice-reis da Índia, arcebispos, bispos e inquisidores-mores, doutores em cânones e em leis.
Alguns encerraram-se em mosteiros e largaram os bens do mundo. No altar está a Beata Joana de Aveiro e muitos outros e outras morreram em odor de santidade. Muitos dedicaram-se às artes e letras, de tal modo que, por exemplo os últimos três reis (Luís, Carlos e Manuel II) são lembrados pelas suas obras e dotes artísticos.
Um Bragança fundou um império: D. Pedro IV, que se tornou em Pedro I, imperador do Brasil; Reis de Espanha tornaram princesas portuguesas em rainhas; muitos brilharam e realçaram os seus dotes nos mais famosos palácios.
Muitos tiveram os seus tempos de desdita: D. Fernando II, duque e Chefe da Casa, morreu decapitado em Évora por ordem de D. João II; o 4º duque, D. Jaime, assassinou a mulher (depois de a mandar confessar) por traição conjugal; D. Afonso VI foi deposto, exilado e morreu na prisão de Sintra; D. Sebastião perdeu-se nas plagas africanas de Alcácer-Kibir; D. Miguel, o Absoluto, o usurpador do trono, foi exilado e morreu na Alemanha; D. Maria II faleceu aos 34 anos, no parto do seu 11º filho; D. Carlos e o príncipe Luís Filipe foram assassinados em Lisboa; D. Manuel II perdeu o trono e viu terminar consigo a Monarquia Portuguesa.
Muitos ramos se formaram e desfizeram; com a morte de D. Manuel II, casado com uma Hohenzollern, que não deixou descendentes, extinguiu-se o ramo da dinastia que provinha de D. Pedro IV, abrindo assim o caminho para o ramo “Miguelista”, provindo de D. Miguel I, deposto em 1834. O seu neto, D. Duarte Nuno, duque de Bragança, era o único legítimo herdeiro da dinastia. Assim o reconheceram os dois movimentos monárquicos existentes no país: “os monárquicos liberais” e “os monárquicos miguelistas” ou “absolutistas”. D. Duarte Nuno era casado com a princesa brasileira Maria Francisca de Orléans, tendo 3 filhos: D. Duarte Pio (1945), D. Miguel (1946) e D. Henrique (1949).
D. Duarte Nuno regressou a Portugal, já que em 1950 foram abolidos pelo governo de Salazar as leis de exílio de 1834 e que atingia os descendentes de D. Miguel. D. Duarte Nuno faleceu em 1976.
Sucedeu-lhe como Duque de Bragança seu filho D. Duarte Pio, nascido em 15 de Maio de 1945 na Suíça (ainda nos tempos de exílio), tendo casado em 1995 com D. Isabel de Herédia, da ilustre nobreza de Espanha.
O sucessor já está encontrado: será o primogénito Afonso de Santa Maria, nascido em 25 de Março de 1996, baptizado na Sé de Braga. É para já a esperança da continuidade da dinastia de Bragança.
A casa de Bragança ainda existe, hoje transformada em Fundação. A sede está em Vila Viçosa, no palácio Ducal, albergando um riquíssimo espólio em mobiliário, pintura, tapeçarias e adornos, com territórios que se estendem até às fronteiras de Espanha. Nasceu do homem mais poderoso de Portugal que, no fim de vida, reservou para si próprio somente “o tabardo de donato, samarra ou mortalha que lhe durou o resto da vida, enterrado no seu túmulo do Carmo. Serviu a Deus oito anos ainda, depois de ter servido Portugal cinquenta. Começa aos treze pelejando, acabou aos setenta e um, salmeando1 o latim soturno das orações”. Assim o diz Oliveira Martins, que termina: “o santo condestável ia juntar-se no céu, ia ficar na memória do povo, ao lado de D. Filipa, outra santa, já falecida, esperando o mestre de Aviz que breve iria acompanhá-los para sempre. Bisneto de Rodrigo Gonçalves, o que queimou a mulher e o frade no Castelo de Lanhoso; neto de Gonçalo Pereira, o arcebispo brigão que no tempo de Afonso IV pôde tanto como o rei; filho do mestre do Hospital, o que andou por Castela na guerra do Senhor de Albuquerque, e à volta congraçou o Rei com o filho, viúvo de Inês de Castro: Nuno Álvares morria, flor da natureza brotada de uma ascendência de homens bravios, condenando, com a sua renúncia da vida, a Idade Média que acabava também, decorridos os tempos do naturalismo brutal”.

D. Nuno não era de Basto, mas foi este humilde rincão, mais precisamente na paróquia de Pedraça, que encontrou a mulher que lhe deu a filha que está na origem de primeira Casa de Bragança.

FIM
1 salmoneando

Por: Francisco Vitor Magalhães

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