Associação Dinamizadora dos Interesses de Basto
Edição de 29-09-2014

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SECÇÃO: Região

“Eça é para ler e reler sempre”

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A minha primeira e grande paixão literária é Eça de Queirós e ganhei-a quando estudava, depois de ter sido “obrigada” a ler “Os Maias”, por ser uma obra de referência para a disciplina de Português. Já o li, pelo menos, duas vezes e leio com interesse, ao contrário da maioria das pessoas, as descrições queirosianas por envolverem o leitor de tal forma que nos sentimos como as personagens a viver o enredo.
José Maria Eça de Queirós nasceu em 1845, numa casa da Praça do Almada, no concelho da Póvoa de Varzim, e foi baptizado na igreja matriz de Vila do Conde, (segundo rezam as crónicas). Estudou Direito e, em Coimbra, foi amigo de Antero de Quental. Viajante do mundo, foi cônsul de Portugal em Newcastle e em Bristol, e escreveu sem cessar alguns dos romances capazes de resgatar uma literatura.
“A Capital”, “A Cidade e as Serras”, “A Ilustre Casa de Ramires”, “A Relíquia”, “As Farpas” e a “Correspondência de Fradique Mendes”, “O Crime do Padre Amaro” são algumas das suas obras mais célebres.
Eça assumiu sempre um papel interventor na sociedade, porque acreditava que a crítica, a ironia e o humor poderiam ser agentes poderosos da reforma de Portugal. Aliás, o seu estilo contundente e sóbrio, patente nas suas críticas sociais, é ainda hoje, jornalisticamente, um modelo e as suas críticas à sociedade podem ser publicadas nos dias de hoje sem perderam actualidade.
Eça de Queirós tinha um estilo de escrita inteligente, lúcido e conciso, que conferiu à sua obra um carácter perene e actual e que faz dele um dos escritores portugueses mais lidos e apreciados.
“Tal como José Luís Borges, vejo em Eça de Queirós um dos maiores escritores de todos os tempos. Ele pintou um fresco da sociedade portuguesa e imortalizou-o. Eça é para ler e reler sempre”, considerou o professor Cerqueira de Sousa, arquitecto e possuidor de um valioso espólio sobre a vida e obra deste escritor. Fica aqui o conselho…

Fontes:
· MÓNICA, Maria Filomena (2001), Eça de Queirós, Lisboa: Círculo de Leitores.
· CAMPOS MATOS, A (1988), Dicionário de Eça de Queiroz: Editorial Caminho, Lisboa.

Por: Joana Barbosa

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