Associação Dinamizadora dos Interesses de Basto
Edição de 29-09-2014

Arquivo: Edição de 15-08-2007

SECÇÃO: Desporto

DINO DOURADO É O NOVO TREINADOR DO ATLÉTICO
O futuro passa pelos jovens valores da terra

Dino Dourado regressa ao Atlético Cabeceirense depois de ter estado à frente da equipa técnica do Desportivo do Arco de Baúlhe durante cinco épocas consecutivas.
Agora que a nova época está prestes a começar e que a equipa já corre e chuta a bola em cinco treinos semanais, o jornal Ecos de Basto solicitou ao novo treinador uma entrevista que amavelmente nos concedeu e que hoje aqui transcrevemos para os nossos leitores.

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EB – O que o levou a aceitar este desafio de treinar o Atlético Cabeceirense nesta época que vai disputar a Divisão de Honra?
DD – Um dos factores que me levou a aceitar foi o facto de ser o clube da minha terra, o Cabeceirense. Por outro lado, já estava há cinco épocas no Desportivo do Arco de Baúlhe o que era tempo mais que suficiente. Depois porque achei que os objectivos do Cabeceirense me agradam. O objectivo é trabalhar com gente nova e isso sempre me seduziu, é aliciante.

EB – Já que falámos de objectivos, o que é que os dirigentes lhe pediram para esta época?
DD – Essencialmente o que me pediram foi que caracterize bem o clube. Há essa necessidade. Desde as camadas mais jovens até aos seniores. É preciso fazer um trabalho coerente com os atletas desde os mais jovens até aos seniores. Por isso, era preciso criar uma linha de trabalho a nível técnico que tenha bem definido um rumo. Que todos falem a mesma língua, que tenham os mesmos objectivos, que se entendam e que, basicamente, se aposte na formação para que se faça dos jogadores mais novos os futuros jogadores seniores que vistam a camisola com orgulho. Algo que no meu entender se perdeu nos últimos anos, mas que acredito estamos a tempo de voltar a ganhar.
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A equipa de Juvenis vai ser orientada por pessoas competentes e com formação para esse fim, o Prof. Rovira e o Prof. Araújo. A equipa de Juniores será orientada pelo Correia e pelo António Ângelo que vão continuar depois de terem feito um bom trabalho. Nos Seniores estou eu e o Toninho. A mim cabe-me ainda a missão de coordenar e prestar atenção ao percurso de todos os atletas dos vários escalões. Analisar o seu desempenho e a sua evolução, falando permanentemente com os meus colegas treinadores para ver como aproveitar as potencialidades de cada um dos atletas.

EB – Percebe-se que uma das apostas do clube passa pela formação.
DD – Um dos objectivos é realmente a formação para que possamos ter no plantel principal muitos e bons jogadores da terra. Agora, quando se diz isto não podemos pensar que já a partir desta época vamos formar uma equipa sénior só com atletas de Cabeceiras. Veja-se que no ano anterior o Atlético Cabeceirense tinha só dois jogadores de cá. Um era pouco utilizado, o outro saiu para o Mondinense. Vamos jogar numa Divisão tão competitiva ou mais que a do ano passado. Com a reformulação das provas da A. F. de Braga, de 32 equipas que disputavam a Divisão de Honra ficaram só 16 o que vai tornar a prova muito mais competitiva. Assim sendo seria muito prejudicial pegar só em jogadores mais jovens e metê-los a jogar este campeonato. Isso não seria bom, não iria contribuir para a sua valorização. Teremos que fazer um trabalho de muito acompanhamento e aos poucos enquadrá-los junto de jogadores mais experientes e com mais maturidade. Para os mais jovens isso será muito mais vantajoso. Se os sócios, simpatizantes, adeptos e amigos do Cabeceirense tiverem paciência e apoiarem os jovens, tenho a certeza que daqui a poucas épocas o Cabeceirense pode ser uma equipa muito valiosa quase só com jogadores da terra.

EB – Quanto tempo pode demorar a termos essa tal equipa cujo esqueleto principal assente em jogadores da nossa terra?
DD – Há uns anos atrás seria mais difícil. O percurso escolar de cada um a dada altura obrigava-os a irem para longe. Hoje há faculdades mais próximas, há mais facilidades de deslocação e, por isso, se lhes dermos boas condições de trabalho eu acredito que dentro de três a quatro épocas poderemos atingir esse objectivo.
Veja, já este ano o nosso plantel é constituído por 12 jogadores da terra, sete de fora e mais cinco ex-juniores que apesar de disputarem o campeonato desse escalão vão trabalhar também connosco nos seniores.

EB – O que se espera da equipa sénior? Mantê-la na Divisão de Honra ou ir mais além?
DD – Da parte da Direcção não me foi pedida a subida para a próxima época. Assim sendo peço a todos que não pressionem. Não por mim ou pelos meus colegas treinadores, mas pelos atletas, especialmente os mais novos. Eles só se formarão e serão cada vez melhores se sentirem apoio, carinho e se houver um rumo. Estes princípios não podem ser quebrados por dois ou três resultados negativos. Estamos todos no mesmo barco, vamos lutar todos pelo mesmo objectivo. O clube deve ser de todos e todos devem perceber que o melhor é, antes de mais, acarinhar e apoiar os atletas e a prática desportiva. Hoje Cabeceiras de Basto tem infra-estruturas que permitem a prática desportiva dos nossos jovens e os novos valores vão surgindo.

EB – O plantel está fechado?
DD – Nós tínhamos um avançado de centro. Infelizmente na primeira semana não se portou muito bem e foi dispensado por mim. Gosto de jogadores que queiram trabalhar e que gostem de estar no clube. Ao não comparecer aos treinos não cumpriu com as suas obrigações. Para esta falha, se conseguirmos arranjar um substituto pelo mesmo valor poderá ser contratado, se não for possível, paciência, não há dinheiro para mais.

EB – Essa dispensa é um sinal para o grupo de trabalho?
DD – A formação e o trabalho desenvolve-se segundo determinadas regras. Se todos cumprirmos essas regras óptimo. Se no grupo, 23 deles puxarem numa direcção e um em sentido contrário, é mais fácil excluir esse do que todos os outros.

EB – E em termos de qualidade está satisfeito?
DD – Penso que se houver da parte dos sócios e dos adeptos uma atitude compreensiva, nós conseguiremos dar aos jogadores a confiança, a tranquilidade, a serenidade e alguns conhecimentos técnicos que permitam desenvolver um bom trabalho. Se houver essa atitude num grupo com 15 jogadores na casa dos 18 anos vamos aproveitar a arma da juventude e da vontade para lutar contra a experiência de muitas outras equipas.

Apresentação

No próximo dia 29 de Agosto, pelas 21h00, o Atlético Cabeceirense vai fazer o jogo de apresentação contra o Gil Vicente, equipa que vai disputar a Divisão de Honra. O Clube convida todos os sócios e simpatizantes a marcar presença neste jogo.

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