Associação Dinamizadora dos Interesses de Basto
Edição de 29-09-2014

Arquivo: Edição de 30-06-2007

SECÇÃO: Opinião

VANTAGENS COMPARATIVAS (77)

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HIPÓCRITAS E PROVOCADORES

Não posso negar, de modo algum, que nutro, não direi ódio, mas uma suficiente dose de má vontade, a respeito daquele grupo de auto-denominados defensores do bem-estar de todos nós, simples povo, multidão de servos de todo o mundo. Refiro-me, como toda a gente já deve ter notado, ao chamado Grupo dos Oito, o famoso (G-8).
Este grupo é constituído pelos oito países tidos como os mais desenvolvidos do mundo dos dias de hoje. São eles: os EUA, o Canadá, o Reino Unido, a França, a Itália, a Alemanha, a Rússia e o Japão. Os respectivos líderes, a nível de chefes de estado, ou de governo, reúnem uma vez por ano. Este ano o grupo de líderes era composto por sete homens e uma mulher. A mulher era a Senhora Ângela Merkel, chanceler da Alemanha, e anfitriã da cimeira, que teve lugar na pequena cidade de Heiligendamm, na costa alemã do Mar Báltico.
Dadas as características do grupo, e o teor das medidas que costumam anunciar, sempre tem havido quem se manifeste contra. Os governos e as polícias locais têm-se encarregado de manter a boa ordem, e parece que, a cada ano que tem passado, se têm tornado mais eficientes. Porém, este ano não terá fugido à regra, e houve tumultos, um ou dois antes de se iniciar a cimeira, a polícia carregou, de modos que, os manifestantes se queixaram da sua brutalidade. Cito isto depois de ter ouvido, na rádio, um comentário do Dr. José Miguel Júdice.
Foi no passado dia quatro de Junho, do corrente ano de 2007, segunda-feira, pelas nove menos pouco da manhã, no programa radiofónico da Antena 1, que ouvi a pequena intervenção do comentador Dr. José Miguel Júdice, em que este se insurgia, dura e cruelmente, contra o tal grupo de sujeitos, que tinham acampado nas proximidades da pequena cidade alemã, onde iria decorrer a cimeira e que “teriam causado os distúrbios da praxe, que foram postos na ordem pela polícia, e que depois, armados em coitadinhos, se queixavam de terem sido sovados e maltratados pelas forças da ordem”.
O Dr. José Miguel Júdice acrescentava, na sua pequena intervenção, que aquilo que se passava, com este tipo de manifestações, não era mais do que flagrantes provocações comparáveis à chamada “Noite de Cristal” dos nazis.
Passo a explicar o que foi o episódio que ficou conhecido como a “Noite de Cristal”: “Na noite de nove para dez de Novembro de 1938 foram destruídos estabelecimentos e casas pertencentes a judeus, com base no programa anti-semita da Alemanha nacional-socialista. O pretexto para esta acção foi o assassínio do embaixador alemão em Paris, em oito de Novembro de 1938, por parte de um judeu. Foram então presos vinte mil judeus. Teve assim início a etapa radical da política anti-semita nazi”.
Na minha modestíssima opinião, parece-me um pouco caricato comparar a atitude dos actuais movimentos, que se chamam de anti-globalização, mas que no fundo são apenas aquilo que eu próprio também sinto que sou, são contra a política de mentira e de hipocrisia daquele grupo que, por muito que nos custe, é quem determina, orienta e rege todo o desenrolar da política económica e social do mundo. Veja-se o que continua a acontecer com a questão iraquiana, pese embora o facto de alemães e franceses não terem grande, ou mesmo nenhuma, responsabilidade no assunto. Porém, o que também não deixa de ser um facto, é que todos estão ali, no G-8.
No final, ficou o habitual conjunto de declarações. Antes de tudo a promessa de muitos milhões, para combater a fome e a sida em África. Não repugna acreditar que sejam exactamente os mesmos milhões, estou a falar do espécime, o cheque deve ser sempre o mesmo, deve ter o mesmo número e o mesmo montante, passa de uns anos para os outros, e é sempre mostrado aos pobres miseráveis, como quem mostra, todos os dias, o mesmo osso a um cão, e todos os dias, o pobre do cão, aguenta o sofrimento dos reflexos de Pavlov.
O grupo afirma mais: “afirma apoiar novas medidas contra o Irão, se o governo de Teerão não suspender o seu programa nuclear”; “o grupo afirma apoiar novas acções contra o Sudão, se o governo de Kartum não favorecer os esforços internacionais no sentido de se pôr termo ao conflito no Darfur”; “o G-8 convida a Coreia do Norte a pôr fim aos testes de mísseis com capacidade de transporte de ogivas nucleares, assim como a abandonar todos os programas nucleares”.
Em resumo: que esperem, bem sentados, todos os esfomeados e perseguidos de África e de outras paragens, onde graça a fome e a perseguição; que esperem também, o melhor acomodados possível, todos aqueles que, alguma vez viram, na aplicação do protocolo de Quioto, algo de positivo para humanidade. Definitivamente, eu não acredito nos senhores do G-8, distribuem hipocrisia e gozam com os destinatários.

Por: José Costa Oliveira

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