Associação Dinamizadora dos Interesses de Basto
Edição de 29-09-2014

Arquivo: Edição de 30-04-2007

SECÇÃO: Região

“ANIMADA” TERTÚLIA TROUXE À MEMÓRIA RECORDAÇÕES DA REVOLUÇÃO DO 25 DE ABRIL EM CABECEIRAS DE BASTO

Integrada nas comemorações do 33º aniversário da Revolução dos Cravos, a Câmara Municipal promoveu, na noite do passado dia 23 de Abril, no Auditório Municipal Ilídio dos Santos, uma tertúlia, que tinha por principal objectivo trazer à memória dos cabeceirenses os acontecimentos vividos neste concelho no período sequente ao 25 de Abril de 1974 e a forma como os viveram e reagiram às profundas mudanças sociais e políticas entretanto operadas.

“Não se pode falar de Abril sem referências ao período da ditadura ditatorial”

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Foram convidados especiais, duas personagens preponderantes na vida política daquele período: O Dr. José Sampaio, primeiro Governador Civil do distrito de Braga no pós-25 de Abril e o distinto advogado Dr. Raul Peixoto, que à época mantinha com alguns cabeceirenses relações de confiança e proximidade, quer no exercício da sua actividade profissional, quer pela comunhão de ideais políticos com alguns cabeceirenses opositores ao regime.
Coube a este último abrir o debate, fazendo uma resenha sobre o que foi a ditadura que perdurou em Portugal quase cinco décadas, pondo a nu as vicissitudes que fizeram dos portugueses um povo amordaçado pela censura, pela opressão, pela guerra colonial, pelo obscurantismo e pela miséria quase generalizada.

José Guilherme de Sousa
um Arcoense figura de proa no combate à ditadura

Na luta clandestina ao regime, realçou com especial ênfase, a pessoa do arcoense José Guilherme de Sousa, a quem apelidou de “grande combatente”, cuja acção, referiu, se estendeu muito para além das fronteiras deste concelho, considerando-o como “figura nacional “ na luta contra a ditadura.
Por sua vez, o Dr. José Sampaio, reportou-se ao período em que exerceu as funções de Governador Civil, para realçar o que considerou ter sido “a difícil missão de desmantelar o aparelho fascista” . Evidenciou o trabalho desenvolvido pela sua equipa para por em funcionamento, em tão curto espaço de tempo, toda a máquina que possibilitou, meses depois, a realização no distrito (e no país) das primeiras eleições livres para Assembleia Constituinte. Realçou o trabalho e o esforço desenvolvidos, na auscultação das populações e na audição dos partidos políticos, para a designação das Comissões Administrativas que se mantiveram à frente das Câmaras e das freguesias até à realização das primeiras eleições autárquicas realizadas em Dezembro de 1976.

Das Comissões Administrativas às primeiras eleições autárquicas

A partir deste momento, o ilustre orador passou a contar com participação de outros elementos presentes, alguns cabeceirenses que há 33 anos participaram nas primeiras reuniões, nas primeiras iniciativas, nos primeiros passos da democracia participativa em Cabeceiras. Houve quem confessasse que, inicialmente, o fez com algum receio, mas depressa a dúvida se converteu em firmeza e resolução.
E assim, em ambiente livre e espontâneo de amena cavaqueira, a conversa abriu-se e estendeu-se à plateia de onde surgiram relatos impressionantes, imbuídos de vivacidade e orgulho, como que a reviver cenas e momentos inesquecíveis! Relembraram-se os nomes dos escolhidos (e alguns rejeitados) para as diferentes comissões administrativas do Concelho. Reviveu-se com emoção, aquela reunião em que Valdemar Gomes foi convidado para presidir da Comissão Administrativa da Câmara Municipal, ficando-se a saber que a sua escolha não foi fácil nem consensual, pois desde logo se perfilaram outros nomes, outras personalidades com fortes ligações ao antigo regime que facilmente se adaptaram à nova situação, arvorando-se em verdadeiros democratas… Mas aí, os tempos já eram outros e impôs-se a sabedoria e a vontade do povo…
Eram já horas de um novo dia quando a tertúlia se deu por encerrada, sinal de que o tema este ano escolhido para relembrar Abril mereceu o agrado e a participação dos presentes.

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