Associação Dinamizadora dos Interesses de Basto
Edição de 29-09-2014

Arquivo: Edição de 30-04-2007

SECÇÃO: Opinião

Dia Mundial do Livro: o estímulo comum pela leitura!

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No dia 23 de Abril, festejou-se o Dia Mundial do Livro. Numa sociedade global caracterizada pela competitividade, novas tecnologias, avanço constante da ciência, Portugal tenta acompanhar os passos largos dados há muito pelos países desenvolvidos no que toca à Educação. Todavia, por mais instrumentos e mecanismos que possam construir nunca será eficaz como desejam se não resolverem o problema que se encontra na raiz: a mentalidade da sociedade portuguesa.
Numa vaga de perspicácia e conhecimento do problema, foi criado um Plano Nacional da Leitura (Ler +) que hoje conta com mais de 1800 escolas integradas neste sistema de rede, de forma a levar mais de 60% dos alunos às bibliotecas escolares e municipais. O principal objectivo é cultivar a leitura nos mais pequenos, envolver os pais/encarregados de educação, professores, entre outros, de forma que desde pequeno estimule o gosto pela leitura, pois só indo ao fundo da questão se conseguirá derreter o nosso iceberg. É necessário desmistificar a ideia de que ler é sinónimo de estudar coisas chatas, muitos encaram a leitura como uma obrigação e não por prazer, gosto em aprender, vontade em viajar pela história do livro, viver sentimentos expressos nas linhas de cada página que parecem alimentar a nossa vontade de estar ali, naquele enredo, a viver aquela história…
É importante estimular as crianças a esfolhear os livros, a organizar o seu pensamento, a interpretar as diversas formas de escrita, enriquecer o vocabulário, alargar os seus horizontes, a ler ao colo dos pais, a seguir a leitura que os pais fazem, ou seja, envolver os pais na educação dos filhos. Ler as histórias infantis não só cria momentos de lazer e de família, momentos esses que fortalecem a relação, que estimulam um gosto comum: aprender e ensinar em simultâneo.
Para os adultos, o Governo criou o tão mediático “Centro das Novas Oportunidades” (alvo de publicidade na comunicação social) que vem substituir o Centro de Reconhecimento e Validação e Certificação de Competências (CRVCC). Estes Centros visam atribuir escolaridade a partir da aprendizagem contínua, ou seja, mediante a sua história de vida, experiência profissional que a pessoa adquiriu. Ao realizar certos exames perante profissionais de diferentes áreas, a pessoa pode adquirir o 6º, 9º e 12º ano de escolaridade. Há, ainda, a possibilidade de certificar a sua experiência profissional, demonstrando a sua perícia e experiência aos respectivos profissionais de forma a adquirir a carteira profissional nessa área. Para além disso, temos a formação profissional, os tão concorridos cursos leccionados por Entidades acreditadas pelo IQF (designação esta que está prevista a ser alterada no novo QREN), que através da frequência de um curso, a pessoa adquire uma qualificação escolar, e se frequentar um curso de dupla certificação, ainda terá direito à carteira profissional na qual se especializou. Neste novo QREN, haverá uma nova modalidade de formação, os cursos de Educação e Formação de Adultos para o 12º ano, que até agora era apenas uma fase experimental.
Outro aspecto a ser modificado ainda nesta vaga de estímulo pela leitura, é a redução do imposto do livro, que tornam elevados os preços dos livros. Enquanto amante pela leitura, contando com mais de duas centenas de livros em minha casa, posso adiantar que 50% são espanhóis, não só porque os espanhóis traduzem muitos livros científicos, como o preço é muito mais baixo, 20% são franceses pela mesma razão, e 30 % são portugueses (5% comprados em alfarrabistas), mas adianto que estes 30% foram duas vezes mais caros que os 50% que comprei nas minhas idas a Badajoz. O factor preço é um estímulo muito importante para a prática da leitura.
Na minha opinião, muito se tem feito para qualificar os portugueses, contudo, não podemos cair no erro de esquecer aqueles que já são qualificados! Para os desempregados, o IEFP ainda promove cursos de especialização, mas para que servem tantos cursos? Tantos graus académicos se depois não existe canalização para estas pessoas que se dedicam aos estudos, à leitura, ao avanço da ciência? O investimento na economia de forma a fixarem empresas multinacionais, promover a abertura de empresas, fomentar o que é Nacional (tal como foi desenvolvida uma campanha para impulsionar os produtos nacionais) é indispensável para resolver os problemas do desemprego.
Assim, neste dia em que mundialmente se festeja a importância do livro e da leitura, reflictamos sobre os nossos hábitos…e em vez de hoje dar uma guloseima ao seu filho, ofereça-lhe um livro, leia e viva com ele as histórias de encantar…

Por: Sílvia Machado

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