Associação Dinamizadora dos Interesses de Basto
Edição de 29-09-2014

Arquivo: Edição de 31-03-2007

SECÇÃO: A nossa gente

Catarina Isabel Martins Rebelo

Os galões da Comissária Regional das Guias de Portugal
A militar desde os 6 anos nas Guias de Portugal na Companhia de Cabeceiras de Basto, Catarina Rebelo é a actual Comissária Regional de Braga daquela associação internacional, após uma ascensão fulgurante na hierarquia daquele movimento de jovens raparigas.

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Nascida na vila cabeceirense há 24 anos onde reside com os pais, exerce a sua profissão no Hospital de S. Gonçalo de Amarante como técnica de análises clínicas e de saúde pública, curso que tirou na Escola Superior de Tecnologias da Saúde de Coimbra.
Os seus tempos livres são, praticamente, todos consumidos nas tarefas das Guias, agora com responsabilidades acrescidas pelo cargo que desempenha a nível regional. É uma verdadeira paixão que a prende a uma actividade de nobres objectivos.
Para nos falar dessa vida associativa e do guidismo criado por Baden Powel e mulher, entrevistamos esta conterrânea que, simpaticamente, acedeu à nossa solicitação.

Uma educação integral

Ecos de Basto – Que tipo de associação são as Guias de Portugal?
Catarina Rebelo – Esta associação abrange, essencialmente, raparigas jovens e tem como objecto o seu desenvolvimento em várias vertentes. São quatro os conceitos base que norteiam a nossa acção, ou seja a vida em patrulha, a vida em grupo, a vida ao ar livre e a vida de compromisso e progressão. Com estes princípios e obedecendo a regras pré-definidas, as raparigas desenvolvem capacidades próprias que lhes garantem a aquisição de maiores responsabilidades e autonomia, aprendendo, ao mesmo tempo, competências e saberes que proporcionam uma formação integral muito importante.
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Assim, as Guias contribuem para a formação de cidadãs de corpo inteiro.
E.B. – Podemos considerar que o movimento guidista se aproxima de uma escola de educação não formal?
C.R. – Exactamente. O guidismo é um excelente meio de educação; é, de facto, uma escola não formal. As tarefas que são desenvolvidas ao longo dos vários patamares de progressão transmitem às raparigas um sem número de saberes e de capacidades muito úteis para as suas vidas futuras. Não tenho dúvidas em afirmar que as Guias de Portugal são uma escola de virtudes para as suas militantes.

Raparigas dos 6 aos 24 anos

E.B. – De que forma se organizam os vários escalões das Guias de Portugal?
C.R. – Dos 6 aos 10 anos é o primeiro escalão, chamado “Avezinhas”. Depois seguem-se a “Aventura” que abrange o grupo etário dos 10 aos 14 anos, a “Caravela” dos 14 aos 18 anos e o “Moinho” dos 18 aos 22/24 anos. Depois dessas idades as raparigas podem continuar a desempenhar colaboração a nível dirigente e ou a nível de outros apoios de ordem logística e organizativa.
E.B. – A maioria das companhias das Guias de Portugal estão integradas nas paróquias. Quais as vantagens que advêm dessa ligação?
C.R. – É verdade que a grande parte das companhias das Guias estão ligadas às paróquias, embora isso não seja obrigatório. Mas essa realidade é, em primeiro lugar, uma consequência de as raparigas que entram nas Guias pertencerem a famílias católicas e, depois, porque o acolhimento no seio das paróquias é para nós essencial, sobretudo pela orientação espiritual que nos é prestada e ainda pela cedência de infraestruturas e equipamentos de que necessitamos. É nas paróquias que temos as nossas sedes e é ali que reunimos e elaboramos os nossos programas e projectos.

Ao serviço dos outros

E.B. – Que tipo de acções concretas são desenvolvidas pelas Guias de Portugal?
C.R. – As acções que levamos à prática são escolhidas pelos grupos e têm objectivos comunitários, sejam de alerta, de apoios directos e indirectos ou de colaboração desinteressada com instituições locais. Desde as tarefas domésticas, à organização e planeamento dos trabalhos dos grupos até à definição e implementação de projectos, somos nós que assumimos todo o trabalho. Pode ser nas áreas da saúde, do apoio social, na vertente ecológica ou educativa. Ainda há pouco tempo a Companhia das Guias de Cabeceiras de Basto fez uma recolha de pilhas com reciclagem na Escola EB-1 da vila. Por outro lado, desenvolvemos projectos de âmbito nacional que o ano passado tratou da integração e inserção de raparigas de outras terras, culturas e etnias na nossa organização, bem como despertar as nossas raparigas para as diferenças raciais e culturais, através de intercâmbios com outras companhias. Encontra-se em curso outro projecto designado por “saca-rolhas” que visa a recolha de rolhas de cortiça para a reutilização de uma empresa corticeira revertendo a receita para instituições de solidariedade.

Humanismo cristão como valor essencial

E.B. – Quais os valores mais cultivados no movimento guidista?
C.R. – Entrei para as Guias com 6 anos de idade pela mão de duas tias que já pertenciam à associação. Foi amor à primeira vista, tal o gosto e o prazer que sentia em participar nas actividades das Guias. Entre nós cria-se um sentimento de pertença muito profundo, laços de partilha, de solidariedade e de companheirismo extremamente fortes e generosos. Os trabalhos de grupo e de equipa são, na verdade, excepcionais para se exprimirem os mais nobres valores humanos. As raparigas que aderem ao movimento quando questionadas se andam nas Guias, elas respondem quase sempre que não “andam”, mas antes que são Guias de Portugal.
E.B. – A companhia das Guias de Cabeceiras de Basto, que já tem 30 anos, mantém uma actividades dinâmica?
C.R. – Concerteza que sim. As suas iniciativas e acções continuam ao nível a que nos habituaram. A companhia cabeceirense tem, actualmente, 60 meninas que se distribuem pelos quatro escalões etários atrás descritos. Reúnem-se assiduamente, especialmente aos fins de semana e nas férias escolares, organizam acampamentos, jogos e ajudam nos trabalhos da paróquia. Há sempre actividades a desenvolver e programas a dinamizar. Por vezes estas tarefas não são muito visíveis aos olhos do público mas elas existem e são executadas com regularidade.

A cultura do voluntariado

E.B. – No quadro da estrutura coordenadora das Guias qual é o papel do Comissariado Regional que dirige?
C.R. – O Comissariado Regional de Braga é composto pela Comissária que sou eu, pela Comissária Regional Adjunta que é a Elsa Alves, por sinal também natural de Cabeceiras de Basto e pelas delegadas regionais para cada ramo ou escalão. Estas delegadas têm a incumbência de reunirem e trabalharem directamente com as chefes respectivas das diversas companhias existentes em todo o distrito. Às comissárias cabe a responsabilidade de coordenação, o acompanhamento de todas as actividades das Guias e ainda as acções de formação.
E.B. – O guidismo recebe apoios financeiros de alguma entidade ou vive apenas do voluntariado das raparigas?
C.R. – As Guias existem e caminham quase exclusivamente por sua iniciativa e autonomia, sem embargo, de uma ou outra vez, aceitarem apoios e colaborações de outras entidades quer sejam oficiais ou particulares. Recordo que cada rapariga das guias paga uma quota anual de 25 euros e os seus pais são o grande suporte das nossas actividades. O movimento é feito, portanto, na base do voluntariado e na entrega solidária à partilha e ao amor.
E.B. – Há alguma acção próxima das Guias de Portugal que queira destacar?
C.R. – Os planos para o corrente ano estão traçados e os projectos estão a desenrolar-se com normalidade. Quero, porém, destacar a realização de um acampamento internacional que vai ter lugar de 28 de Julho a 20 de Agosto, na Dinamarca, e no qual vai estar o grupo “Caravela” de Cabeceiras de Basto, a convite das Guias daquele país que comemoram o seu aniversário. Trata-se de uma excelente oportunidade de, não só conhecermos um país estrangeiro, mas também de trocarmos experiências e conhecimentos.

Aqui fica um breve retrato de um movimento de raparigas que assenta na realização de diversas actividades escutitas. Como grande lema realçam-se a educação e a formação juvenil, através de práticas ao ar livre, da vida em grupo, dos exemplos de fraternidade, altruísmo, respeito e responsabilidade.

A.T.C.

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