Associação Dinamizadora dos Interesses de Basto
Edição de 29-09-2014

Arquivo: Edição de 15-03-2007

SECÇÃO: Crónica

A minha Tia Maria de Lurdes

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Infelizmente mais uma vez me toca a mim dar parte dum triste desenlace! Morreu a irmã da minha falecida mãe, Maria de Lurdes Magalhães, mais conhecida por “Micotas”, Micas e “Maria Bonita”, nome dado por uma antiga patroa, na Casa de Mourigo, em S. Nicolau, onde trabalhou na sua adolescência.
Baseando-me em alguns conhecimentos adquiridos no convívio que tive com a minha tia, de outros através da minha mãe e ainda através dos filhos dela, principalmente o Manuel, vou escrever algumas palavras sobre uma tia de quem eu e os meus irmãos gostávamos muito, apesar do pouco convívio, pois a distância entre Cabeceiras de Basto e Lisboa é considerável e dificulta frequentes visitas.
A Maria de Lurdes, era filha de António Silva e Maria Arminda, meus avós maternos, que eram conhecidos por “marchantes”, pois matavam cabritos e vendiam pelas portas.
Era mais velha do que a minha mãe quase dois anos. Ainda estão vivos graças a Deus as irmãs Maria Celeste, em Braga, a Maria Augusta, a viver na Alemanha e o meu tio Manuel, na França.
Maria de Lurdes Magalhães - Nasceu na Cruz do Muro - Refojos no dia 29/03/1927 Faleceu no dia 09/03/2007 e foi sepultada em S. Domingos de Rana, local onde viva com os seus familiares. Na foto, com 42 anos, em Lisboa
Maria de Lurdes Magalhães - Nasceu na Cruz do Muro - Refojos no dia 29/03/1927 Faleceu no dia 09/03/2007 e foi sepultada em S. Domingos de Rana, local onde viva com os seus familiares. Na foto, com 42 anos, em Lisboa
Muito novos estes filhos ficaram sem a sua querida mãe! Não tenho a certeza mas acho que a minha tia Augusta ficou de colo ou pouco mais! A minha mãe por exemplo foi viver com a minha bisavó Ana Silva (mais conhecida por "Aninhas Marchanta), que vivia na Rua do Arco de Baúlhe. Por brincadeira costumo dizer aos amigos do Arco de Baúlhe que também tenho uma costela de lá.
A minha tia Maria ou Micotas como era conhecida na vila, foi trabalhar como doméstica para uma casa conhecidíssima, a Casa de Mourigo. Eu, conheci pessoalmente a senhora da Casa de Mourigo, aquando de um trabalho feito pela Associação na qual trabalho, sobre solares, com jovens sob as ordens do senhor Professor e historiador Alexandre Vaz. Devo dizer que simpatizei logo com ela. Como estava dizendo a tia Maria trabalhou nessa casa e talvez daí tenha conhecido o marido, meu tio, que se chamava Manuel Gonçalves Ferreira. Era conhecido se me não falha a memória ou não esteja a fazer confusão, por Manuel “Faria”, infelizmente também já falecido, da freguesia de nome Cabeceiras, mais conhecida por S.Nicolau.
A Tia Maria nestes últimos anos
A Tia Maria nestes últimos anos
O tio Manuel também era um homem muito simples,afável e de quem todos gostavam.
Casaram e viveram no Queiroal, S. Nicolau à volta de 15 anos como caseiros, onde tiveram 10 filhos.
Não sei como nem em que altura foi o certo é que me recordo de em pequenina ir com a minha mãe visitar a tia Maria e o meu avô estar deitado numa cama entrevado! Ele chamava-me de “a minha netinha”.
A minha tia Maria era uma mulher bonita, fresca, muito asseada e divertida! Mesmo com aquela filharada, a vida dura cheia de sacrifícios e o pai naquelas condições, pois foi ela que olhou por ele até à sua morte, mesmo assim nunca perdia o seu ar de graça!
Antigamente a vida era muito dura e alimentar tantas bocas, tornava-se impossível! A vida da lavoura não dava o suficiente para criar tantos filhos. Assim como o meu pai emigrou para França, o meu tio partiu para Lisboa, arranjou casa e veio buscar a sua Maria e os seus filhotes uns meses mais tarde. E por lá ficou a minha tia Maria. Ainda teve mais um filho lá, que é o Carlos, que veio a totalizar 11 filhos. Trabalhou muito lá mais o seu marido para dar uma vida decente aos seus queridos filhos. Veio-nos visitar algumas vezes com algum deles, sempre com o seu sorriso no rosto, com uns olhos grandes e bonitos, iguais aos da minha mãe. Aliás para ser sincera devo dizer que todos os irmãos da minha mãe e ela incluída eram de beleza invulgar! E digo isto sem falsas modéstias.
Muitas vezes as ouvi a todas chorar inconformadas a morte prematura da sua mãe Maria Arminda que era uma mulher linda.
Perdoai meus queridos e fieis leitores, por vos estar a maçar com estas vidas pessoais, iguais a tantas outras mas sei que vós compreendeis este meu desabafo com o qual presto a minha homenagem à minha tia Maria pedindo a Deus que a tenha em bom descanso, junto do seu filho Birílio que morreu muito jovem, e dos seus irmãos falecidos, o José que morreu derivado a doença apanhada nas minas da Boralha e a Isaura!
Até sempre!

Por: Fernanda Carneiro

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