Associação Dinamizadora dos Interesses de Basto
Edição de 29-09-2014

Arquivo: Edição de 28-02-2007

SECÇÃO: Região

ASSEMBLEIA MUNICIPAL
Só questões marginais animaram a reunião

ASSUNTOS DA ORDEM DO DIA MERECEM CONSENSO GENERALIZADO
Não fosse uma questão algo polémica, resultante de uma intervenção do membro do Grupo da coligação PSD/CDS, Júlio das Neves Alves, já na fase final dos trabalhos, a sessão ordinária da Assembleia Municipal de Cabeceiras de Basto, realizada no pretérito dia 26 de Fevereiro, teria terminado sem história, com toda a normalidade, com os assuntos da ordem do dia a merecerem a unanimidade e consenso da generalidade dos seus membros. Foi assim, com o voto de pesar pelo falecimento do Dr. Francisco Meireles, aprovado por unanimidade e aclamação, ao qual se seguiram duas breves alocuções proferidas pelos representantes dos dois principais partidos, com elogiosas referências àquele ilustre cidadão cabeceirense recentemente falecido.
O mesmo aconteceu com a aprovação das medidas excepcionais criadas pela Câmara Municipal para a regularização de dívidas por parte dos munícipes. (ver caixa)
Também a designação de Francisco Alves, Presidente da Junta de Freguesia de Refojos, para representar as Juntas de Freguesia no XVII Congresso da Associação Nacional de Municípios Portugueses, a realizar no próximo mês de Junho, nos Açores, mereceu os votos favoráveis de uma larga maioria, apesar de, a esta votação, terem concorrido dois candidatos.
A unanimidade registou-se ainda na votação da proposta de alteração do Regulamento dos Cemitérios Municipais e das normas para o registo de Cidadãos da União Europeia.

A polémica

Foi já na fase final dos trabalhos que surgiu o momento mais polémico, resultante de alguma dureza de linguagem e frontalidade no debate político, na sequência de algumas afirmações entretanto proferidas.

Núcleo da Cruz Vermelha do Arco de Baúlhe em questão

Decorria então, o momento da apreciação da informação escrita do Presidente da Câmara dirigida à Assembleia, na qual constava uma relação das colectividades locais a quem foram atribuídos subsídios nestes dois primeiros meses do ano. Júlio das Neves Alves (PSD), bem ao seu estilo, sempre voluntarioso e truculento, mas pouco esclarecido sobre as questões que levanta e sem provas nem argumentos para as defender, caiu na tentação fácil de fazer afirmações graves, levantando suspeitas sobre os critérios de atribuição dos subsídios às associações do concelho, chegando ao ponto de questionar directamente o Presidente da Câmara Municipal sobre “quais as razões por que não foi atribuído um subsídio ao Núcleo da Cruz Vermelha de Arco de Baúlhe”, procurando comparar as funções deste organismo, às dos Bombeiros Voluntários Cabeceirenses.

Acusações graves

Ainda a resposta se aguardava, tão normal e legítima quanto a pergunta, e já Júlio Alves esgrimia as suas próprias ilações, com acusações directas à Câmara Municipal, de estar a “perseguir” aquela instituição humanitária e de a ter “excluído” do direito de acesso aos subsídios da autarquia.
Estas acusações e a referência expressa ao Núcleo da Cruz Vermelha do Arco de Baúlhe para, sem mais explicações, o seleccionar e referenciar de entre mais de meia centena de associações que ainda não beneficiaram este ano de qualquer subsídio, foi vista pelos socialistas como “mais uma prova da colagem política daquela instituição ao PSD” e tida como provocação e afronta ao Executivo Municipal.
A reacção / resposta não se fez esperar, primeiro, por José Lopes, referindo que aquele Deputado Municipal “não sabe do que está a falar e que, por essa via, se iria sujeitar a ouvir nesta Assembleia algumas “verdades” de que não gosta”.
No mesmo sentido, intervieram Avelino Sousa e Armando Duro, presidentes das Juntas de Freguesia de Vila Nune e Arco de Baúlhe, respectivamente.
Coube, todavia, à Câmara Municipal, pela voz dos seus dois primeiros representantes, o Vice-Presidente e Presidente, respectivamente, Jorge Machado e Joaquim Barreto, responder a Júlio Alves.
O Primeiro, para denunciar o que considerou ser uma “vergonhosa cumplicidade política” entre os dirigentes do Núcleo da Cruz Vermelha de Arco de Baúlhe e do PSD local. Criticou, de uma forma ainda mais contundente, a tentativa de envolver e comparar a Direcção dos Bombeiros Voluntários Cabeceirenses a este conluio, com uma sementeira de mentiras na opinião pública, através de comunicados e entrevistas à comunicação social. Por sua vez, o Presidente da Câmara , Joaquim Barreto, começou por agradecer a oportunidade que lhe foi dada para esclarecer a Assembleia sobre a questão levantada, desafiando desde logo Júlio Alves a apresentar, em concreto, quaisquer provas sobre as ditas “perseguições”, sejam pessoais ou institucionais.

“Quis tosquiar, saiu tosquiado…”

E, sem demora, devolveu ao seu interlocutor e ao PSD a acusação que lhe foi dirigida, com a leitura de um documento classificado de “pidesco”, diga-se, dos anos de 1993, estava ainda o PSD à frente da Câmara. Lamentavelmente, disse, o PSD de Cabeceiras de Basto sempre tentou tirar proveitos políticos do Núcleo da Cruz Vermelha de Arco de Baúlhe. “Fê-lo na noite de véspera das eleições autárquicas de 1993, como o pretende fazer agora”, afirmou. E concluiu, dando vários exemplos pelos quais quis pôr a nu o que considerou ser “ uma vergonhosa colagem de um partido a uma instituição humanitária de prestígio internacional”.
Bem tentou Júlio Alves redimir-se e amenizar as suas afirmações, mas já era tarde...
De saída, nos corredores, alguém de entre os membros da assembleia, murmurou:
“Quis tosquiar, saiu tosquiado!…”
L.J

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