Associação Dinamizadora dos Interesses de Basto
Edição de 29-09-2014

Arquivo: Edição de 28-02-2007

SECÇÃO: Golpe de vista

O Protagonista!


A reunião estava prestes a começar. De um lado sentaram-se os representantes do povo eleitos pelo Partido Socialista, do outro os eleitos pelo Partido Social Democrata, ao centro o membro eleito pela Coligação Democrática Unitária. Os membros da Mesa tomaram o seu lugar. A seu lado, dois técnicos para dar apoio aos trabalhos. Nas últimas filas, meia dúzia de cidadãos para assistirem, ou quem sabe, participarem. O Presidente abriu a sessão. Mais tarde chegou todo o executivo municipal. Os trabalhos vão avançando. Entre outros assuntos, há um voto de pesar para aprovar, um novo regulamento dos cemitérios, também para aprovar, e a eleição de um presidente de Junta de Freguesia para participar no Congresso da Associação Nacional de Municípios Portugueses. Os pontos da ordem de trabalhos, uns atrás dos outros, são colocados em discussão pelo Presidente que, invariavelmente, pergunta: alguém quer intervir sobre este ponto? Da bancada socialista surgem algumas intervenções. O membro da CDU também se pronuncia sobre um assunto. Dos nove membros presentes do PSD só um deles intervém, aquando do voto de pesar, para propor uma, pasme-se! adenda àquele voto. Uma adenda a um voto de pesar para propor uma homenagem!!?
Terminada a discussão e votação dos assuntos constantes da agenda, foi a vez de ser analisada a informação escrita do Presidente da Câmara. Bem, a partir daqui o membro do PSD, o mesmo da adenda e único “deputado” daquele partido a intervir durante toda a sessão, um verdadeiro protagonista ou à procura desse estatuto, perdeu as estribeiras para pôr em causa a seriedade do executivo municipal a propósito da atribuição de subsídios às colectividades. A argumentação e fundamentação usada não podia ser mais disparatada. Termos como, dirigindo-se ao Presidente da Câmara, “mentiu” e “perseguição”, foram várias vezes repetidos sem contudo os conseguir provar. Afirmações gratuitas, pois então! Na óptica deste representante do PSD os apoios concedidos a meia dúzia de instuituições no período em análise – meses de Janeiro e Fevereiro – “discriminaram” a sua Cruz Vermelha do Arco de Baúlhe! Pelos vistos não ficou preocupado com as outras sessenta ou setenta Associações que não receberam neste período qualquer apoio, como se todos tivessem que ser apoiados ao mesmo tempo! Não acredito que a maioria dos social-democratas de Cabeceiras de Basto, nomeadamente os que têm responsabilidades políticas que resultam do voto popular, se revejam nesta atitude que, felizmente, teve a resposta merecida, devidamente documentada, dada quer pelo Presidente da Câmara quer pelo Vice-Presidente. Não me sendo naturalmente possível avaliar o que ía na alma dos seus colegas de bancada, uma coisa me pareceu evidente, algum desconforto provocado pela postura e vocabulário usado pelo protagonista.

A. C.

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