Associação Dinamizadora dos Interesses de Basto
Edição de 29-09-2014

Arquivo: Edição de 15-02-2007

SECÇÃO: Associações Vivas

Grupo Folclórico de S. Nicolau – Cabeceiras de Basto
Associação que Dança e Encanta

Apesar da meteorologia apresentar frio e chuva marcando a permanência do Inverno, o calendário faz-nos lembrar do leque vasto de festividades que por aí vem. Assim sendo, a redacção deste Jornal decidiu realçar uma tradição bem minhota, que deslumbra os espectadores pela sua beleza e perícia, como bem sabe fazer o Grupo Folclórico de S. Nicolau, que foi escolhido como Associação Viva deste mês.

Grupo Jovem e Original

Grupo Folclórico na sua sede
Grupo Folclórico na sua sede
Esta Associação foi fundada em Março de 2000, embora no início da sua criação, este grupo estava afecto a outra associação da freguesia, mas, para maior autonomia e liberdade de acção, em Assembleia-geral decidiu separar-se da mesma, transformando-se num Rancho Folclórico mais jovem da região, quer de fundação, quer da média de idades dos membros.
Este grupo é composto, até à data, por 43 elementos, na maioria jovens, com a particularidade de todos pertencerem à freguesia de Cabeceiras de Basto, realçando o sentimento bairrista, estando distribuídos por 11 pares de dançarinos, 4 tocadores de concertina, 2 de viola, 3 de cavaquinhos, 1 de bombo, 1 reque-reque, 1 de ferrinhos e os restantes dão voz ao grupo.
As danças executadas por este Grupo Folclórico são muito alegres e movimentadas e mais não são as que eram dançadas pela juventude da Região de Basto, quando aos domingos se juntavam os namorados, alimentando o amor e folgando do trabalho árduo vivido durante toda a semana. Este grupo não tem só em mente demonstrar a sua perícia nas danças retiradas da sua imaginação e gosto pela arte mas, também, realçar e reviver tradições típicas da nossa terra, encorajando os mais novos e fervilhar nas pessoas o sentimento de bairrismo e luta pela cultura minhota.
Os seus Trajes são típicos da região, que enaltecem o vestuário dos noivos, das pessoas do campo e os domingueiros. No sentido de transmitirem a tradição real da terra em que vivem, assumiram os custos da troca de trajes que antigamente vestiam, dado que estes realçavam a tradição de Viana de Castelo e não das Terras de Basto, transportando actualmente as vestes dos nossos antepassados. O Grupo é que suporta todos os custos relativos aos trajes, instrumentos, despesas de deslocações, entre outras, vendo nas actuações o seu fundo para garantir a sobrevivência deste tipo de Associação e suas iniciativas. Todavia, o espírito de entreajuda implantado no grupo e a alegria em participar no Rancho Folclórico, transforma os esforços em prazer. Anualmente, este grupo é renovado a nível de pessoas, danças e músicas, no qual o fluxo de saída nunca é superior ao de entradas, dando ar fresco ao grupo e ao público, não sentido a crise de participantes nas Associações deste tipo e muito menos da recusa do envolvimento dos jovens em Ranchos Folclóricos, sendo a média de idade deste grupo 17 a 18 anos.

As Andanças incansáveis do Grupo

Actuação em directo para a Antena 1
Actuação em directo para a Antena 1
Em 2002, o Grupo gravou pela primeira vez algumas das suas músicas em cassetes e CD’s, estando previsto o lançamento de outro CD e DVD da qual permitirá levar a sua dança e música para fora da terra, não podendo deixar de realçar que as suas músicas e danças são inventadas pelos membros. A venda das cassetes permitiu a organização do seu 1º Festival de Folclore, uma vez que este tipo de evento acarreta muitas despesas, cerca de 3000 euros, sendo necessário uma actividade bastante lucrativa para alcançar tais custos, todavia a beleza de um Festival de Folclore suporta todo este esforço uma vez que é constituído por Ranchos de norte a sul do país (cerca de 4 a 5 Ranchos por festival), mas tudo se faz em prol da freguesia  e concelho, realça o Presidente da Associação. Aliás, “no final de cada festival este grupo recebe sempre agradecimentos carinhosos da população da freguesia e mesmo daqueles que se deslocam das suas residências espalhadas pelo país que nos vêm ver neste dia tão especial para o Grupo”, realça Sandra Pacheco, uma das Fundadoras do Grupo.
Estes festivais são uma esplêndida troca de culturas e experiências que agradam os espectadores bem como os grupos participantes, dado que não participam para angariarem fundos, uma vez que não recebem para tal, mas sim na troca de participações nas terras dos organizadores. Até à data,  para este festival, o Grupo conta sempre com alguns apoios tanto da Câmara Municipal como da Junta de Freguesia e outros patrocínios, todavia os gastos superam os patrocínios.
O Grupo Folclórico de S. Nicolau – Cabeceiras de Basto, já participou em vários festivais, romarias, desfiles e convívios, por todo o país e estrangeiro. Do seu rol de participações, consta a sua presença em festivais de folclores em Rives (França), festas em Mondim de Basto, Vieira do Minho, Vila Nova de Cerveira, Lisboa, Viana do Castelo, Aveiro, Cabeceiras de Basto, entre outras. Este ano, está previsto actuarem no próximo dia 16 de Fevereiro na Festa da Orelheira e do Fumeiro em Refojos; dia 17 de Junho - Festa de Sto. António (Abadim); 29 de Julho Festa em Fojos (Refojos); 11 de Agosto no VIº Festival do nosso grupo e 12 de Agosto na festa em Gondiães. Embora ainda seja muito cedo para a marcação no calendário das participações, actuando em média cerca de 19 vezes por ano.

Os Desejos do Grupo

Os projectos futuros delineados por esta Associação remetem para a construção da sua sede em S. Nicolau, uma segunda gravação em CD e primeira em DVD e, ainda, para a realização do seu VI Festival de Folclore a 11 de Agosto do corrente ano, talvez o seu primeiro Festival Internacional, dependendo da disponibilidade do Rancho Folclórico de Rives – França.

Pela curiosidade em conhecer este grupo tão jovem, a redacção deste jornal não resistiu em conversar com o par de dançarinos mais novos do grupo, bem como com o Fundador deste Grupo que tudo dá para ver crescer e expandir este Rancho Folclórico, que há 3 anos assume o papel de Presidente do Grupo, e para muitos considerado como o Mestre a ser seguido.

A Alma do Grupo
Presidente da Associação
Presidente da Associação

Numa partilha de conhecimentos, Manuel Martins Pacheco de 53 anos, vai contando, com um sorriso orgulhoso, o funcionamento desta Associação, os ensaios semanais na Junta de Freguesia, a alegria e desempenho dos membros do grupo, realçando que há pessoas que nunca faltaram aos ensaios, uma vez que há um registo de assiduidade.
Com o espírito de expandir esta actividade que nos caracteriza, reforça a necessidade de Entidades envolverem-se mais em iniciativas que promovam esta tradição, de forma a incentivar a juventude a participar, eventos de partilha como Festivais Folclóricos, de modo a dar a conhecer a um público cada vez mais vasto esta cultura que o Rancho Folclórico tenta recordar, com demasiado esforço mas muito bem.
Quando foi questionado sobre qual o papel do Presidente neste Rancho Folclórico, a resposta espontânea foi “tudo”, enaltecendo que tudo o que rodeia este grupo está na responsabilidade do Presidente, desde motivar os membros, auxiliar na criação de músicas e danças, à angariação de participações, à logística e gestão do fluxo de receitas/despesas, ou seja, tudo o que esteja relacionado com o Grupo, ao pequeno pormenor.

A Geração mais nova
O par mais novo do grupo
O par mais novo do grupo

Colados um ao outro, Cátia Magalhães de 12 anos e Tiago Oliveira de 8 anos, descrevem com alguma timidez a sua experiência enquanto par de dançarinos mais novos do grupo, dançando juntos há cerca de 2 anos. Revelam com vaidade a sua prática em danças deste tipo, o seu gosto e honra por pertencerem ao Rancho Folclórico de S. Nicolau, destacando o seu gosto pela dança, aprendendo com facilidade passos novos, a vantagem de passearem por regiões que até agora desconheciam, conhecerem muita gente nas Festas em que participam, considerando que participar neste Grupo Associativo é uma vantagem para o seu crescimento.


Por: Sílvia Machado

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