Associação Dinamizadora dos Interesses de Basto
Edição de 29-09-2014

Arquivo: Edição de 15-02-2007

SECÇÃO: Opinião

No dia 11 até S. Pedro ajudou…

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Durante o período de esclarecimento sobre a temática da Interrupção Voluntária da Gravidez, os constantes debates sobre as posições “Sim ou Não” para o referendo que realizar-se-ia no dia 11 de Fevereiro, outras questões eram levantadas, que se comprovariam no dia do referendo mediante a participação da população portuguesa.
Este referendo que, para além de decidir quanto à lei a aplicar relativa à IVG, colocava a questão no ar da funcionalidade da aplicação de referendos, uma vez que os referendos aplicados em Portugal até hoje ainda nenhum deles tiver vínculo, devido a abstenção ser sempre superior aos 50%. Assim sendo, houve um esforço notável por todos os intervenientes das campanhas para apelarem ao voto, de incentivar a população a pronunciar-se no dia do referendo, a importância que esta tem para o rumo do país que é nosso e não somente dos políticos!
Este ano foi notável as atenções viradas para este referendo, opostamente ao ocorrido em 1998, isto deveu-se à necessidade de resolver este problema social tão importante, ao papel fulcral dos meios de comunicação que tentaram de várias formas esclarecer as pessoas, à participação de vários movimentos políticos e de cidadania, pessoas mediáticas que deram a cara por esta campanha, tudo isto ajudou para que no passado dia 11 tivesse levado às urnas mais de um milhão de pessoas do que há nove anos. Porém, nem o S. Pedro ajudou para que este referendo fosse vinculativo, uma vez que resolveu abrir as portadas de chuva e vento por todo o país, o que levou muitos a não se deslocar às urnas para se pronunciar sobre uma temática social tão pertinente como esta. Dizem os religiosos fanáticos que “foi obra divina”, dado que a Igreja é contra à IGV, mas não sejamos tão fundamentalistas, pois estamos no Inverno, meus caros, o sol abrasador é que seria de estranhar!
A nível nacional a abstenção foi de 56, 4%, fazendo concluir que seja lá por motivo que for, a população portuguesa ainda não tem impregnado a importância da sua participação nos referendos, o dever de cidadania, por mais esforços que se façam, há milhares de pessoas em Portugal que são totalmente indiferentes às questões do seu país, são chamados os “submissos”, fazem aquilo que os outros decidem e mandam, sem direito depois de reclamar, já que não ajudou na tomada de decisão, ajudando a rumar para uma democracia apenas participada por políticos.

Por: Sílvia Machado

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