Associação Dinamizadora dos Interesses de Basto
Edição de 29-09-2014

Arquivo: Edição de 15-01-2007

SECÇÃO: Opinião

O Vírus da Sociedade Actual: o Desemprego

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Todos conhecemos vários vírus que rapidamente se propagam pela sociedade, uns que atacam a saúde, outros que danificam a informatização e outros, ainda, que quando atacam uma pessoa destrói mais do que aquilo que pensamos, a chamada estabilidade.
Sem ferir susceptibilidades, dado que estamos no início do ano, ainda o Pai Natal está a ler os desejos que fizemos na noite da magia, e cá estou eu a relembrar coisas tristes, situação que cada um de nós teme: o desemprego.
Diariamente quando olhamos para as notícias, quer na televisão, quer em jornais e revistas, raros dias são aqueles que não noticiam mais uma empresa a fechar, centenas de pessoas a ficaram sem o emprego, isto é de facto arrepiante!
Eu considero o desemprego como um vírus dado que afecta várias vertentes, directamente a estabilidade económica, uma vez que as pessoas encontram-se com empréstimos ou com pessoas a cargo que, mensalmente, as despesas aparecem obrigatoriamente sem perguntarem se há condições para as pagar. Por outro, encontra-se a situação psicológica do recém desempregado, que emocionalmente fica afectado, frustrado e angustiado, pois grande taxa de desemprego deve-se não ao comportamento dos funcionários mas por outras razões, nomeadamente a crise económica geral que faz baixar as vendas, a transferência de empresas para outros países, entre muitas outras.
Numa visão comunitária, este factor leva a dois caminhos: por um lado, à marginalização da sociedade, em que as pessoas recorrem à violência para obterem aquilo que o desemprego lhes retirou, por outro, a uma sociedade cada vez mais competitiva, corrompida de valores, como já pregava Rosseau, considerados como “não gratos” para um bom ambiente de trabalho, uma exigência na elevação de habilitações académicas, em que cada pessoa deverá actualizar os seus conhecimentos e alargar o seu horizonte cada vez mais, dado que a Licenciatura perdeu a sua importância, hoje esta é considerada como um cartão de visita do candidato para emprego, seja qual for o ramo.
O rumo que a sociedade está a levar, transforma a pessoa num polivalente nato, que tudo deve conhecer e fazer, todavia, isto faz-me lembrar sermões de professor catedrático da Faculdade que insistia em nos dizer que “aquele que pensa que sabe tudo e de tudo, não é mais do que o ignorante nato”.
Esta exigência académica leva a outras mudanças nos hábitos de vida das pessoas, designadamente na demografia populacional, pois quem se atreve a ter mais do que 2 filhos com esta instabilidade económica? Como é que o casal se pode dedicar a tirar Mestrados e Doutoramentos se, por um lado não há recursos económicos suficientes, e por outro, olham para a vida como uma corrida contra o tempo, em que a altura para gozar “a vida” será passada dentro do escritório a estudar! Mas se ao menos a luz do túnel fosse o encontro de um emprego merecido por tal esforço…mas infelizmente não é, mas sim a emigração…


Por: Sílvia Machado

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