Associação Dinamizadora dos Interesses de Basto
Edição de 29-09-2014

Arquivo: Edição de 15-01-2007

SECÇÃO: Correio do Leitor

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Correio do Leitor

Cacém, 08/01/2007

Ex.ma Senhor Dona Benvinda T. Magalhães:

Directora de O Ecos de Basto:

Ao lermos o nº 300 do nosso Jornal, numa das páginas a nº 5 demos conta do largo Artigo sobre a nossa Banda Musical de Cabeceiras de Basto, da qual fomos componente há sessenta anos.
Lemos o historial com fotografia e tudo da centenária Filarmónica Cabeceirense, com muito gosto.
Três eram os componentes em destaque com foto, e um pouco da sua Biografia.
Dois, os mais velhos, são pessoas que bem conheço. Em particular, queremo-nos referir ao mais novo componente da Banda de Música, o José Pedro Soares, com onze anos de idade, cujo o instrumento da sua escolha, foi o Feliscorne. Não tenho vergonha de dizer que ao ler a sua Biografia e historia do adolescente José Pedro, que, terá muito para dar à nossa Banda.
E chorei porquê, Senhor José Manuel? Porque foi aos onze anos que me iniciei como musico na mesma Filarmónica, como o mesmo instrumento e também a minha estreia foi no Arco de Baúlhe como a do meu conterrâneo José Pedro. Nunca mais me esqueceu, da fífia que dei ao tocarmos parados, uma Marcha, cujo o nome era o Niquelado! Fiquei muito envergonhado e aflito! Como o meu colega José Pedro, eu tocava terceiro Feliscorne. Não entrei fora de tempo, nem um compasso, nem meio, nem um quarto, apenas uma apogetura, pois o José Pedro sabe o que isso significa é uma nota sem valor definido. Porém, dada mesmo fora do contexto causa uma fífia.
Na nossa Banda Musical aprendi a Arte dos sons, com o grande Maestro José Ferreira Maciel Director da Banda de é Ferreira Maciel Director da Banda de Revelhe, Fafe, que me achou com onze anos de idade tão bom aprendiz que me pagavam viagem e almoço para ter lições individuais e, quando tinha dezasseis anos já era o primeiro Feliscorne solista.
Toquei na nossa terra até aos vinte e um anos.
Depois vim para Lisboa e ao fim de cinco para o Cacém aonde me fixei para sempre.
Tocamos em diversas Bandas do país e em diversos instrumentos, nos quais , não voltei a dar qualquer fífia. Aprendi, que o bom músico, é aquele que não estraga. Daqui destas paragens o Cacém, incito o meu conterrâneo ainda um menino como eu fui. Se deres alguma fífia José Pedro, nessa idade, não te causará grande dano! Estuda, toca todos os dias.
Se não o fizeres nesse instrumento, nunca serás bom!
A Música já por si, é uma Arte difícil, mas nesse instrumento se a embocadura não estiver bem preparada, as notas ficam lá dentro e a música é para ser ouvida. Sê persistente José Pedro, se queres ser bom.
Se pretenderes saber quem eu sou como músico, pergunta ao teu colega Álvaro “Larocha” ou ao Senhor Lourenço. Dos meus colegas de antanho, já todos se foram.
O último a partir foi o meu primo Eugénio de Sousa e Silva, primeiro clarinete.
Todos os anos pelo S. Miguel vou à nossa terra, propositadamente para ouvir a nossa Banda: ela me atrai. Espero ver-te o 1812 de Tchaikoveski.
Aceita os meus cumprimentos José Pedro, e força!

Teu amigo:
Jaime de Sousa e Silva

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